A obra de um polígrafo



Depois de lançado o polêmico Caim, Saramago já trabalha no que possivelmente será seu próximo romance a ser lançado para o ano de 2010. Se ele tem atirado para tudo quanto é matéria ideológica de massacre ao sujeito humano: a política, o capitalismo, a religião, a bola da vez, será a indústria armamentista.

"Esse é o tema: as armas, quem as faz, quem as trafica. Estão por todas as partes. A televisão mostra continuamente cenas de violência com as quais fica claro que a vida não tem nenhuma importância", disse o escritor, segundo a agência EFE.

O Nobel da Literatura lembra que se falava de uma greve em busca de melhores salários, mas se questiona por que não param os trabalhadores de construir armas pelo simples fato de estas servirem para matar as pessoas.

A ideia surgiu de uma outra pergunta, que lhe foi há tempos colocada por um jornalista colombiano, que queria saber como a luta armada em Portugal, de tradição esquerdista, como disse, levou à ascensão da extrema-direita.

Saramago admitiu que tornou-se difícil saber onde está a esquerda, a extrema-direita e o fascismo – que não acabou, voltou a frisar o escritor – "Está aí, esperando na porta, e Itália é um caso claríssimo". Tudo se mistura e é corruptível. Se à extrema-direita gosta de aproveitar-se da luta armada, está na natureza das coisas", sublinhou.

O escritor está preocupado "com o desvio de rota dos movimentos de esquerda e acredita que a palavra mais importante deveria estar na ponta da língua de todos, um simples não, algo tão pequeno e que tanto compromete".

É esperar.

* Vimos em A Bola

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