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A cartografia do tempo inscrita nos corpos em Ressuscitar mamutes de Silvana Tavano

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Por Felipe Vieira de Almeida  Silvana Tavano. Foto: Eduardo Knapp “Não consegui lembrar da receita, mas minha mãe fazia assim”, foi o que ouvi de um cozinheiro ao tentar cozinhar um prato de sua infância; sem ter certeza da receita usada, ele se viu reproduzindo os movimentos e etapas gravadas em sua memória. Replicou com seu corpo o trabalho que via o corpo de sua mãe executar na cozinha. Aquela tentativa de trazer à comida um sabor através da memória do corpo foi a primeira vez em que pude enxergar a possibilidade de a memória afetiva se entremear na carne, nos ossos, nos nossos movimentos. Reencontrei esse jogo de impregnação afetiva na obra de Silvana Tavano. Em seu livro mais recente, Ressuscitar mamutes , Silvana Tavano faz uma transubstanciação literária ao amarrar diferentes gêneros textuais em um único fluxo onde recortes que poderiam ter vindo de revistas de divulgação científica se mesclam às reminiscências e explorações psicológicas de uma narradora que reexamina a traj...