Transgressão, êxtase e sonho: a irrealidade de Max Blecher
Por Felipe Vieira de Almeida A literatura é uma arte que, me parece, nunca abandona sua essência; é a arte cuja matéria-prima é a linguagem e ainda que se trate de um ponto de partida coletivo me descubro fascinado com usos dessa linguagem que de tão peculiares parecem nos ensinar uma humanidade diferente de nós. Blecher foi um escritor romeno de origem judaica que passou os últimos dez anos de sua vida (dos 18 aos 28 anos) sofrendo com as limitações do Mal de Pott, a tuberculose vertebral, confinado a um leito pela impossibilidade de sobrecarregar sua coluna vulnerabilizada pela doença. Seria uma indiscrição introduzir um autor junto de sua doença, seria se essa doença não tivesse alterado tanto os rumos de sua vida e, por conseguinte, de sua escrita, mas Blecher escreveu com brilhantismo textos intrigantes a partir da posição ingrata em que se encontrava. Acontecimentos na irrealidade imediata é uma pequena joia da literatura romena publicada no entreguerras e que à época era u...