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Oito poemas dos Diários do Exílio (volume II), de Yannis Ritsos

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Por Pedro Belo Clara I. (24 de Novembro, 1948) Dia de pedra, palavras de pedra. Lagartas trepam pela parede. Um caracol, a casa às costas, aparece à tua porta pode ficar ou pode partir. Tudo é como é. É nada. Esse nada não é macio. É feito de pedra. II. (25 de Novembro) Os nossos estão longe. Escasseiam as cartas. As moscas estão a morrer de frio. Vemo-las cair no chão, Mais tarde varremo-las. III.  (14 de Dezembro) Uma Segunda-feira feita de neve Terça-feira a continuação da Segunda  nada começou nada terminou. O remo quebrado o sino que anuncia o temporal um guarda-chuva —  a eterna desconfiança da hipocrisia. As vozes assumem sempre a postura de um cadáver sem sapatos.  * Afinal, aos mortos nada lhes falta. IV. (4 de Janeiro, 1949) E de súbito a lembrança dos pássaros que mergulharam no desconhecido.  V. (22 de Janeiro) Pousou a fronte sobre a mesa onde está o pão calmo como uma estátua entre glória e morte. VI.  (25 de Janeiro) Por um instante a parede ...