Te dei olhos e olhaste as trevas, de Irene Solà
Por Sérgio Linard Irene Solà. Foto: Pere Virgili O trabalho de quem se propõe a escrever literatura é sempre árduo e arenoso, porque, a conquista, por exemplo, de uma boa obra circunda aquilo que ainda virá sob a mesma rubrica. A comparação com o que já se fez não deixa de ser um caminho possível e viável para a leitura, mas não se pode esquecer que a tocha com a chama olímpica a passar de mão em mão também receberá digitais novas daquele que voluntariosamente a carrega. No papel de críticos literários, precisamos, pois, olhar para trás, porém sem ignorar que o retrovisor é um dos acessórios possíveis para o foco e não o único. Assim como a literatura está sempre neste limiar, a crítica deve, também, saber equilibrar-se nesta corda bamba. A simples comparação direta entre o primeiro romance de Solà, Canto eu e a montanha dança e Te dei olhos e olhaste as trevas que agora resenhamos levar-nos-ia a um veredito: aquele foi melhor desenvolvido do que este. Mas ao olharmos ...