Os caminhos trôpegos e regados à bebida em Suttree, de Cormac McCarthy
Por Douglas Sacramento Cormac McCarthy. Foto: Gilles Peress I Rebecca Solnit, no livro A história do caminhar , apresenta um compilado literário e cultural sobre o ato de andar nas suas mais variadas acepções. Num determinado momento, a autora dedica sua escrita às pessoas que andam na rua e aborda como a cidade pode ser um espaço labiríntico, marcado por indivíduos de múltiplas ocupações, caracterizando-se, assim, como um território ambíguo. A cidade ora remete à liberdade de circular pelas ruas, becos e vielas, ora revela seu lado negativo, como um lugar onde se mata e onde constantemente circulam sujeitos de atitudes duvidosas. Mas algo me chama atenção nesse texto de Solnit: a rua é associada ao sujo e ao baixo. Mesmo quando são mobilizadas representações positivas da urbe, parece haver sempre algo à espreita, capaz de acabar com essa energia. Então, chega-se à conclusão de que, na cidade, tudo pode acontecer, e o sujeito pode se deparar com outros tão diversos quanto ele...