Boletim Letras 360º #688
DO EDITOR
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| Mary Oliver. Foto: Kevork Djansezian |
Antologia reúne três livros de Mary Oliver. É a primeira vez que a poeta é publicada no Brasil.
Caminhar, sentir, observar, meditar, anotar: esses talvez sejam os verbos que definem a obra de Mary Oliver (1935-2019). No ambiente disputado da poesia estadunidense das últimas décadas, sua lírica forte e clara, talhada no convívio intenso com a natureza nos arredores de sua casa, conseguiu ocupar um lugar de raro destaque, fazendo dela uma das escritoras mais premiadas e de maior popularidade de seu país. Em sua vasta obra, o encantamento com todas as formas de vida encontradas no caminho ― flores, pássaros, frutos, gatos, cachorros, pedras, os traços de cada estação ― cria uma atmosfera em que o sujeito desaparece, quase em silêncio, para que o mundo fale e brilhe. Ao mesmo tempo, é admirável a densidade dessa experiência individual e, muitas vezes, solitária (a poeta adorava fazer longas caminhadas sozinha). E isso a aproxima de outros grandes poetas que se deixaram fundir à paisagem, como uma “vírgula” entre outras na vastidão do existente, desde os mestres japoneses do haikai até seu compatriota Walt Whitman ou o brasileiro Leonardo Fróes. Em tradução da poeta portuguesa Patrícia Lino, professora na Universidade da Califórnia (UCLA), Pequenas glórias reúne três livros de Mary Oliver: A folha e a nuvem (2000), O que sabemos (2002) e Vida longa (2004). Como afirma Natalie Diaz no prefácio, esses volumes formam uma “trindade” na obra madura da poeta. A mescla de versos, poemas em prosa e ensaios também faz jus à forma como a poesia e o pensamento de Oliver se desenvolveram durante toda a sua vida. Bem mais do que se importar com as fronteiras entre gêneros, sua atenção esteve sempre devotada a questionar o que estamos fazendo aqui, com os dois pés bem firmes sobre este planeta redondo. Publicação do Círculo de Poemas. Você pode comprar o livro aqui.
Nova edição e tradução da principal obra de Katherine Mansfield.
Publicado em 1920, Bliss e outras histórias é exemplar do estilo primoroso, poético e cortante de Katherine Mansfield, um dos expoentes da literatura do século XX. Mansfield influenciou escritoras do porte de Clarice Lispector e Virginia Woolf, sendo que esta última chegou a confessar que a escrita de Katherine foi a única que ela invejou. Este, que é seu segundo livro de contos, foi um grande marco em sua carreira, sendo o primeiro que trouxe à frente a forma modernista madura que a caracterizou (já que ela rejeitou o seu livro de estreia e se recusou a republicá-lo em vida). A nova edição de Bliss e outras histórias reúne os contos tal concebidos pela autora. De forma vanguardista, a ordem dos catorze contos foi pensada por Katherine Mansfield musicalmente em termos de intensidade e ritmo. Violoncelista de grande talento, ela estudou cello no Queen’s College entre 1903 e 1906. Ao ter sua carreira impedida pelo pai, decidiu dedicar-se à escrita, na qual imprimiu seu profundo conhecimento musical. As histórias deste livro são emblemáticas de seu projeto modernista pois, além do apuro extremo com a linguagem, não há enredo definido, fechamento, lição de moral ou ápices dramáticos. A cada uma, somos mergulhados em plena ação, atravessados pelo fluxo de conversas, impressões e pensamentos de pessoas que já estão presentes e que vão e vêm, frustram-se e sonham. É gente como nós, cujo cotidiano aparentemente simples sempre guarda à espreita algo de existencial ou trágico: uma família de mudança, turistas em férias, uma jovem professora, uma ex-cantora de ópera, amantes ou pessoas desiludidas com o amor, crianças, sonhadores. O conto que intitula a coletânea, “Bliss”, um dos mais famosos de Mansfield, foi traduzido e comentado em uma dissertação de mestrado por Ana Cristina César, que chamou a atenção para a irredutibilidade da palavra bliss e optou por verter o título como “Êxtase (Bliss)”. A tradução de Ana Carolina Mesquita (que vem traduzindo as obras de Virginia Woolf para a Nós) opta por desdobrar a questão identificada por Ana C. e traz entre parênteses as diversas acepções da palavra que Katherine coloca em jogo nesse conto, empregando-as no corpo do texto de acordo com as diferentes situações. Assim, “Bliss” se torna “Bliss (ou: êxtase, arrebatamento, enlevo, felicidade)”. Outro destaque é o conto “Prelúdio”, o mais longo de Mansfield (trata-se praticamente de uma pequena novela), publicado pela primeira vez em 1917 pela Hogarth Press, a editora de Leonard e Virginia Woolf. Woolf, com quem Katherine nutriu uma relação ambivalente de profunda amizade e rivalidade, compôs o texto, ela mesma, manualmente, com tipos móveis, para impressão. “Prelúdio” se baseia em episódios autobiográficos da infância de Katherine na Nova Zelândia e é um exemplo da prosa modernista em seu ápice. Com um projeto gráfico arrebatador, esta edição traz apresentação do professor Davi Pinho (UERJ), especialista em modernismo inglês, além de introdução e notas de Ana Carolina Mesquita. Publicação da Editora Nós. Você pode comprar o livro aqui.
Livro do chileno Alberto Fuguet lida com o amor em meio à fúria da cena contracultural dos anos 1980.
Santiago, Chile, 1986. Enquanto a cidade vive sob toque de recolher, um garoto procura outro. Será que é a hora certa? Tomás Mena mal pode esperar para entrar na universidade e conseguir sua liberdade. A família, o bairro e a ditadura já não cabem mais na vida que ele quer. Tomás deseja experimentar tudo, sentir-se inteiro, abrir caminho para ser quem ainda não sabe que é. Do outro lado da cidade, Clemente Fabres só quer concluir o último ano de Jornalismo e voltar para a Inglaterra, onde acredita pertencer. Santiago parece cinzenta, entediante, apertada demais. O que o mantém respirando é o fanzine, a música, o cinema e a literatura — até que acaba cruzando o caminho de Tomás. À medida que o clima no país se torna mais pesado, os dois lutam, com a urgência feroz da juventude, para encontrar luz em meio à escuridão. Caleidoscópico, irreverente, terno e político na mesma medida, Certos garotos confirma o talento de Alberto Fuguet para criar romances geracionais — uma história de amor ao mesmo tempo bela e perigosa, que homenageia a cena contracultural dos anos 1980. Publicação Tusquets Editores; tradução de Sandra Martha Dolinksy. Você pode comprar o livro aqui.
Aglaja Veteranyi e uma história de laços familiares, perda e autodescoberta.
Logo após a escrita do aclamado Por que a criança cozinha na polenta, Aglaja Veteranyi — cuja obra é profundamente marcada por experiências autobiográficas — começou a escrever este novo livro, publicado postumamente em 2002. A protagonista do primeiro, uma criança de circo romena, filha de uma mulher que se pendura pelos cabelos e de um homem que se apresenta como palhaço, é agora uma mulher adulta que vive na Suíça. Enredada em sua própria história de deslocamentos pelo mundo e exílio forçado pela ditadura de Nicolae Ceaușescu, ela tenta libertar-se das amarras da infância. A morte da tia, figura de quem esteve mais próxima que da mãe, torna-se o impulso para revisitar o passado e iluminar o intricado cosmo familiar. Entre a mãe distante, a tia morta e uma parentela que ressurge sem cessar, a narradora busca compreender quem é e de onde vem — numa história de laços familiares, perda e autodescoberta. A estante dos últimos suspiros sai pela Relicário Edições; tradução de Fernando Klabin. Você pode comprar o livro aqui.
Reconhecido com o prêmio International Booker, o escritor búlgaro Gueorgui Gospodinov constrói neste romance uma mistura de ficção, história, crítica social e reflexão filosófica.
Reconhecido com o prêmio International Booker, o escritor búlgaro Gueorgui Gospodinov constrói neste romance uma mistura de ficção, história, crítica social e reflexão filosófica.
Refúgio do tempo é um romance carregado de nostalgia e de trabalho sobre a memória e não desprovido de um humor mordaz; com ele o autor mergulha em diversos passados: o do socialismo caricato do Leste europeu, a transição desenfreada para a economia de mercado e suas múltiplas miragens, além das novas ilusões ora alegremente vendidas. A premissa é que Gaustin, personagem um tanto enigmático, inventa uma clínica médica que reproduz ambientes do passado em seus ínfimos detalhes, nos quais os pacientes podem reviver momentos preciosos de suas vidas e estimular suas lembranças. A princípio criado apenas para tratar pessoas com Alzheimer, o projeto se expande, atraindo um número crescente de pessoas saudáveis e até mesmo estrangeiros em uma Europa em crise que, movidos pela nostalgia, procuram um “refúgio temporal” na esperança de escapar dos horrores da vida moderna — um desenvolvimento que resulta em um dilema inesperado quando o passado começa a invadir o presente. Com uma escrita que combina ironia, melancolia e pensamento crítico, Gospodinov se consolida como um dos autores indispensáveis de nossa época e uma voz importante na literatura internacional. O júri do prêmio International Booker assim se pronunciou sobre o romance: “Um livro de fôlego, provocando muita reflexão, macabro e bem-humorado, que aborda nacionalidade, identidade e temporalidade, refletindo sobre os poderes regeneradores e destrutivos da memória.” O livro sai pela editora Estação Liberdade com tradução de Milena M. Mincheva. Você pode comprar o livro aqui.
Um romance que revisita a busca por justiça com a investigação de um crime conduzida por um escritor muitos anos depois do acontecimento.
“Mataram o borracheiro Salu”, assim começa o mais novo romance de Maria Fernanda Maglio. No livro, vamos acompanhar a história de André, menino que ouve essa frase na escola e fica de repente com um vazio no peito, uma falta que lhe sobe à boca. Ele conhecia Salu, e conhecia bem, passava as tardes depois da escola na borracharia com a desculpa de aprender alguma coisa sobre carros e motores, mas o que ele desejava era apenas a companhia daquele homem. Ao saber do que se passara, André alimenta a sede por vingança, e vai atrás do suposto autor do crime. Lá é o tempo intercala a história dessa busca por justiça com a investigação feita por um escritor, muitos anos depois do crime, interessado em descobrir o que motivou a série de acontecimentos bizarros que se sucederam na pequena cidade onde um banho de sangue foi promovido — e do qual ninguém ali ousa falar. Publicação da editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
Jung Chang continua a traçar a história da China moderna sob o prisma das mulheres de sua família: ela própria, que se estabeleceu no Reino Unido no fim dos anos 1970, e a mãe, que permaneceu em sua terra natal e testemunhou os governos de Mao Tsé-tung, Deng Xiaoping e Xi Jinping.
Publicado em 1991, Cisnes selvagens marcou uma geração de leitores e se tornou um fenômeno editorial ao reconstituir a vida de três mulheres — Jung Chang, sua mãe e sua avó — na China do século XX. Em Voem, cisnes selvagens, a autora atualiza sua saga familiar e a de seu país de origem, mostrando como construiu sua carreira literária no Reino Unido e a transformação da China em segunda maior economia global. Apesar da distância, Chang sempre continuou ligada ao seu passado, em especial porque sua mãe permaneceu em Chengdu. Marcada por afeto e admiração, mas também pelo medo da perseguição política, a relação entre as duas é o principal fio condutor deste volume e ilustra como os grandes acontecimentos históricos afetam a vida de cidadãos comuns. Ao combinar o pessoal e o político, Chang oferece um panorama ímpar de um país chave para o século XXI — e um testemunho sobre o poder dos laços familiares que sobrevivem mesmo às maiores adversidades. Voem cisnes selvagens: minha mãe, a China e eu sai pela Companhia das Letras; a tradução é de Denise Bottmann. Você pode comprar o livro aqui.
Duas mulheres, a partir de um encontro inesperado, interrogam suas histórias e os enfrentamentos num edifício carioca sob a mãos de um síndico agiota.
Copacabana, 2020. Depois da morte da mãe e de perder o emprego e a bolsa de mestrado, Nerissa se vê confinada num apartamento que já não pode mais bancar. A situação piora quando cai nas mãos do síndico agiota, que controla um edifício onde muita coisa acontece além das aparências. É quando surge a amizade com Alzira, vizinha de temperamento alegre e passado ambíguo. Juntas, elas se interrogam sobre suas próprias histórias enquanto enfrentam os esquemas que se escondem sob essas gaiolas de concreto armado. Gaiolas de concreto armado, de Paula Novais, sai pela editora Dublinense. Você pode comprar o livro aqui.
Livro revisita a biografia de Gilberto Gil sob seis prismas principais e vários outros secundários.
Nascido em 1942, filho de um médico e de uma professora, Gilberto Gil Passos Moreira estudou numa escola metodista em Salvador, formou-se em Administração de Empresas pela Universidade da Bahia e foi trabalhar como trainee da Gessy Lever em São Paulo. Hoje ele é reconhecido mundialmente como um dos maiores nomes da música brasileira, uma figura adorada por multidões, capaz de lotar estádios e até ser tema de um reality show. Este novo livro de Tom Cardoso, experiente jornalista e autor de perfis de Nara Leão, Caetano Veloso e Chico Buarque, busca captar as múltiplas facetas deste artista genial ― não com um estudo exaustivo de sua biografia e produção fonográfica, mas sim por meio de seis capítulos temáticos em que são habilmente entrelaçados, num vaivém cronológico, os fatos mais polêmicos e significativos que moldaram a personalidade do músico. Mas quem é Gilberto Gil? O menino educado em uma família negra de classe média procurando se integrar à sociedade dos brancos, ou o militante da negritude de “Refavela”? O autor de composições politizadas como “Roda” e “Procissão”, ao estilo CPC da UNE, que participou até de uma passeata contra a guitarra elétrica, ou o vanguardista intérprete de “Domingo no Parque” e protagonista do Tropicalismo? O “inocente útil” perseguido pelo regime militar, ou o criador do irônico samba “Aquele Abraço” e do afiado texto-manifesto “Recuso + aceito = receito”? O ativista da contracultura, ou o gestor público que presidiu a Fundação Gregório de Mattos, foi candidato a prefeito de Salvador e se tornou ministro da Cultura? O homem de espírito livre e vários casamentos, com Belina, Nana, Sandra e Flora, ou o chefe de um bem-estruturado clã familiar? Na verdade, constatamos neste livro, que nunca foge da controvérsia, que Gil é tudo isso e muito mais, pois, como já disse Torquato Neto, “Há diversas formas de se fazer música: Gilberto Gil prefere todas”. “Nem tanto esotérico assim: seis vezes Gil” ― que já no título indica a verve de Tom Cardoso ― traz ainda a discografia completa do artista e uma rica iconografia. Publicação da Editora 34. Você pode comprar o livro aqui.
REEDIÇÕES
Uma nova edição de uma indefinida novela de Goethe.
Em seu relato da visita que fez a Goethe no dia 15 de janeiro de 1827, Eckermann conta que o velho escritor, então com 77 anos, tinha acabado de escrever uma novela, ainda sem título. Após a leitura da primeira parte da história, impressionado com a exatidão das descrições, ele pergunta a Goethe sobre o esquema usado para compor uma narrativa tão precisa. O autor lhe explica, então, que já tinha a intenção de desenvolver aquele tema trinta anos antes, embora inicialmente pretendesse fazer com ele um poema épico, e desde então o tivera em mente. Como, ao retomar a ideia, não havia encontrado o esboço antigo, de 1797, trabalhou a partir de um novo esquema, agora em prosa. Quatorze dias depois, voltando ao assunto durante uma nova visita, Eckermann e Goethe discutiram sobre o título que deveria ser dado à novela, mas nenhuma das sugestões lhes pareceu justa. A solução foi proposta, em seguida, pelo próprio autor: “Sabe,” disse Goethe, “vamos chamar-lhe simplesmente de ‘Novela’, pois o que é uma novela senão um acontecimento inusitado? Esse é o conceito exato do que é novela, e muitas coisas que correm na Alemanha com o título de novela não passam de contos ou o que quer que sejam”. Assim, com esse título genérico, uma das últimas histórias que Goethe escreveu, a partir de uma ideia antiga sobre um acontecimento inusitado, foi publicada pela primeira vez no décimo quinto volume de suas obras completas, em 1828, três anos antes da morte do maior nome da história da literatura alemã. Publicação da 7 Letras; tradução de Pedro Süssekind. Você pode comprar o livro aqui.
Considerado um dos livros de destaque da crítica literária brasileira, Carlos Drummond de Andrade: circulação do poema sem poeta ganha nova edição.
Escrito em um contexto marcado pela ditadura militar e por intensas disputas ideológicas no campo intelectual, este livro propõe novos modos de ler a poesia de Drummond, desafiando paradigmas consagrados e abrindo espaço para abordagens teóricas então emergentes. Assumidamente neovanguardista, Silviano Santiago mobiliza instrumentos da desconstrução para repensar a linguagem poética e seus modos de circulação, em diálogo crítico com o establishment acadêmico da época. Ao fazê-lo, antecipa debates que se expandiriam amplamente nas décadas seguintes pelas ciências humanas e pelos estudos literários. Décadas após sua publicação original, este livro retorna pela Editora Vozes, agora na Coleção Clássicos Brasileiros das Ciências Sociais, reafirmando sua relevância histórica, teórica e crítica para a compreensão da literatura brasileira e de seus modos de leitura. Você pode comprar o livro aqui.
Novo título na reedição de parte da obra de Nísia Floresta.
A preocupação da mãe com a formação ética, moral e intelectual da filha jovem é o tema deste livro. Embora ele seja profundamente marcado pelos costumes do século XIX, Nísia Floresta inova em muitas questões, como ao alertar as mulheres sobre as artimanhas de conquistadores. Publicado originalmente em 1842 e assinado com as iniciais N.F.B.A, Conselhos à minha filha foi uma das obras mais traduzidas de Nísia Floresta. Romântica, indianista, abolicionista, feminista, republicana e ensaísta das mais atuantes, a autora vem sendo redescoberta como uma pioneira na educação e na literatura. Seu Opúsculo humanitário reformou o ensino no país, e este Conselhos à minha filha oferece um diálogo com a obra. O prefácio e as notas da especialista em Nísia Floresta, Constância Lima Duarte, ajudam a contextualizar muitas questões do texto para jovens leitores. Além dos conselhos, representativos do pensamento moralista da época, está incluída nesta edição a obra-prima de Nísia Floresta, o poema “A lágrima de um Caeté”, no qual a temática indígena é abordada pelo lado do oprimido, em clara denúncia ao colonizador. Publicação da Penguin/ Companhia. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
Mais de Benjamin Péret. A editora 100/ Cabeças publica livro com catorze matérias apresentadas inicialmente no jornal Diário da noite em que o poeta e militante surrealista francês examina as cerimônias de matriz africana no Brasil de 1930 e 1931.
Onde andará Dulce Veiga? O famoso romance de Caio Fernando Abreu ganha versão em HQ pelo selo Quadrinhos na Cia. O livro que tem roteiro de Arnaldo Branco e arte de André Freitas está previso para a entrada do segundo semestre de 2026.
DICAS DE LEITURA
1. O sorriso etrusco, de José Luis Sampedro (Trad. Monica Stahel, Martins Fontes, 376p.) Um velho camponês da Calábria de passagem pela casa de seus filhos em Milão para uma revisão médica descobre seu último amor e o convívio com a ternura da infância. Você pode comprar o livro aqui.
2. A paciência da água sobre cada pedra, de Alejandra Kamiya (Trad. Rafael Ginane Bezerra, Arte & Letra, 364p.) Um conjunto de contos que interroga entre os interstícios os vínculos entre o animal e o humano, o trivial e o onírico, o dito e sugerido. Você pode comprar o livro aqui.
3. As afinidades eletivas, de Goethe (Trad. Tercio Redondo, Penguin/ Companhia, 328p.) Um casal elegante e aristocrático que vive numa propriedade rural idílica tem a paz de sua existência posta à prova depois da visita de um casal de amigos. Um exame vivaz da atração sexual e do amor proibido. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
Na passagem do celebrativo Dia da Liberdade em Portugal, nosso editor recorda a peça A noite, de José Saramago — a primeira encomenda do escritor que escreveria ainda outros três trabalhos para teatro. A cena da peça de 1979 se passa numa redação de jornal na noite do dia 24 para o dia 25 de 1974, ou no alvorecer da Revolução dos Cravos. Na postagem aqui relembrada, dois recortes em vídeo com um depoimento de Saramago à volta de A noite e imagens raras da primeira adaptação realizada por Joaquim Benite para o Teatro da Academia Almadense pelo Grupo de Campolide.
BAÚ DE LETRAS
O despertar dos leitores para a poesia de Mary Oliver, agora publicada de maneira mais abrangente chegou pelo projeto De versos, de Pedro Belo Clara. Foi em março de 2022 que, pela primeira vez, ele apresentou a versão para seis poemas de American Primitive — aqui. Depois, se seguiu outras duas entradas: em setembro do mesmo ano, oito poemas de Felicidade; e, em julho do ano seguinte, sete poemas de Evidência.
A autora de um romance até considerado um marco na literatura estadunidense, O sol é para todos, alcança o primeiro centenário neste dia 28 de abril de 2026. Em torno de Harper Lee e a sua obra, o leitor do Letras encontra algum material interessante pelo nosso arquivo: um breve perfil da escritora, resenha e ensaios à volta do seu único romance e dos rascunhos publicados mais tarde, a complexa relação com o amigo Truman Capote etc. Basta ir por aqui.
DUAS PALAVRINHAS
Ler é o passatempo mais bonito criado pela humanidade.
— Wisława Szymborska.
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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas.

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