Boletim Letras 360º #687
DO EDITOR
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Publicado originalmente em 1880, livro considerado um dos destaques na obra do escritor francês Joris-Karl Huysmans chega ao Brasil pela primeira vez.
Entre cabarés, cafés, bailes operários e ruas periféricas, Huysmans constrói um mosaico vibrante da Paris do fim do século XIX, marcada pela desigualdade social, pela pressa e pelas constantes mudanças trazidas pela modernidade e pelo progresso. A edição ressalta ainda o diálogo entre literatura, pintura e história, trazendo imagens de artistas como Degas, Toulouse-Lautrec, Caillebotte, Redon e Monet. Dividido em sete partes, o livro reúne poemas em prosa e textos breves que transformam odores, ruídos, gestos e anúncios de jornal em matéria literária, antecipando a prosa moderna e revelando as inquietações que atravessariam toda a obra do autor. Ao articular crônica, poema em prosa e crítica de arte, Huysmans oferece ao leitor contemporâneo uma experiência sensorial intensa, observando o cotidiano de trabalhadores exaustos, artistas, personagens anônimos e frequentadores da noite para compor um retrato múltiplo da capital francesa. Mais do que um retrato histórico, Esboços de Paris dialoga diretamente com as metrópoles contemporâneas. A Paris observada por Huysmans — marcada por desigualdade social, espetáculos urbanos, pressa e transformações constantes — ecoa nas cidades de hoje, onde a vida urbana continua sendo moldada por processos intensos de mudança, expansão e reinvenção. Nesse sentido, os textos do escritor francês revelam uma atualidade surpreendente, oferecendo ao leitor contemporâneo um olhar crítico e sensorial sobre a vida nas grandes cidades. Publicação da editora Ercolano; tradução de Régis Mikail. Você pode comprar o livro aqui.
Um romance intimista que retrata a última viagem de navio do compositor Gustav Mahler, doente e no fim da vida, regressando dos Estados Unidos para a Europa.
“Muitas apresentações já estavam esgotadas. Nas noites de estreia, rapazes brigavam pelos últimos ingressos. As pessoas queriam participar, dar sua opinião. Mas, sobretudo, queriam ver o judeu baixinho e inquieto que, por alguma razão inexplicável, tinha conseguido disciplinar a melhor e mais teimosa orquestra do mundo.” No convés de um navio que partiu de Nova York a caminho da Europa, está sentado Gustav Mahler. Ele é famoso, o maior músico de sua época; mas seu corpo dói. Entre as conversas com o aprendiz de bordo designado a servi-lo, Mahler relembra os últimos anos de sua vida — os verões nas montanhas, a morte de sua filha Maria, os conflitos na Ópera de Viena. É sua última viagem. O último movimento, de Robert Seethaler, sai pela editora Zain com tradução de Karina Jannini. Você pode comprar o livro aqui.
Primeiro romance da colombiana Laura Ortiz Gómez chega aos leitores brasileiros.
Duas imigrantes ucranianas, Vira e Olena, que trabalham como domésticas num mesmo casarão de San Telmo, em Buenos Aires, vivem uma história de amor em meio à Greve do Inquilinato, de 1907, episódio revolucionário duramente reprimido pelo Estado argentino. Política, feminismo, sexualidade, racismo e colonialismo, tudo é abordado de um modo novo nessa obra provocadora, narrada por diversas vozes. Indócil sai pela Arquipélago Editorial; tradução de Mariana Sanchez. Você pode comprar o livro aqui.
Livro reúne 33 gazais de Hafez de Shiraz (c. 1325–1389), um dos maiores nomes da poesia persa clássica.
Livro reúne 33 gazais de Hafez de Shiraz (c. 1325–1389), um dos maiores nomes da poesia persa clássica.
Os poemas de Hafez de Shiraz exploram, com intensidade e delicadeza, temas como o amor, o desejo, a passagem do tempo e a busca por sentido, adotando, muitas vezes, metáforas caras à tradição sufi — o vinho, o jardim, a taverna, o encontro com o amado. Do ponto de vista técnico, os gazais de Hafez revelam rigor formal e refinamento sonoro: métrica precisa, uso elaborado de rimas e bordões, além de jogos de ambiguidade e polissemia que ampliam os sentidos do texto. No Brasil, esta é a primeira publicação de poemas de Hafez cuja tradução foi feita diretamente do persa, aproximando o leitor com maior fidelidade da musicalidade, das nuances e da complexidade da obra original. Quem assina a tradução é Nicolas Voss. A edição brasileira conta com textos introdutórios de Marco Lucchesi e Paulo Henriques Britto. Da taverna ao paraíso é publicado pela Editora Tabla. Você pode comprar o livro aqui.
Estudiosa da antiguidade clássica, Tatiana Faia revisita arqueologica e poeticamente o imperador romano Adriano em livro de estreia no Brasil.
Em algum momento do século II d.C., o imperador romano Adriano — o mesmo que motivou Marguerite Yourcenar a ficcionalizar suas Memórias — enamorou-se de um rapaz da Bitínia, uma longínqua província do império. Quando, aos vinte anos de idade, Antínoo morreu afogado nas águas do Nilo, Adriano expressou abertamente sua dor e, entre outros gestos, ordenou que sua beleza fosse retratada em milhares de estátuas, das quais cerca de cem sobreviveram até os nossos dias. A paixão, a devoção, a perda, a impossibilidade de resgatar algo que se sabe para sempre desaparecido e, simultaneamente, a necessidade de tecer pactos de sobrevivência com o mundo são inquietações que percorrem as páginas de Adriano, da poeta portuguesa Tatiana Faia, estudiosa da Antiguidade clássica radicada em Oxford, Inglaterra. Combinando lirismo e reflexão, memória e relato, os quatro poemas de fôlego que formam Adriano operam à maneira das camadas de uma escavação arqueológica, na qual a história se descobre atravessada pelas ruas, os lugares e os afetos do presente. É nessa conjunção de tempos que se situa a literatura de Tatiana Faia, capaz de conectar “a melancolia misteriosa e um pouco hostil dos Antigos”, como ela própria diz em seu posfácio, “à alegria de estar vivo aqui e agora”. O resultado é um livro belo e intenso, em que temos a possibilidade — sempre aberta à poesia — de nos percebermos contemporâneos de vozes que soaram décadas ou milênios atrás. Publicação da Editora 34. Você pode comprar o livro aqui.
O novo livro de Antonio Puppin interroga alguns dos temas e questões comuns à universalidade da existência humana.
O leitor que se aproxime deste livro de Antonio Puppin ficará talvez impressionado com a crispação existencial do título. Se tal leitor impressionável ceder à curiosidade pelo título do texto final, “Desespero e eternidade”, constatará que esse texto não pode sequer ser descrito como uma ficção: ele aspira antes ao ensaio estético-existencial, com coordenadas impostas por uma citação inicial de Cioran, que estabelece uma equivalência entre Deus e o Nada. Tal constatação poderia levar esse leitor a recuar na sua intenção de percorrer mais algumas páginas, o que seria não só uma pena, mas uma grande perda. Porque este livro, a que o autor deu o título Ensaios do desespero, responde à questão existencial — “Que virtude, em rigor, há em viver?”, pergunta-se no texto final —, não por meio da adoção de uma filosofia ou da entrega a uma política, mas sim pela exaltação da arte, neste caso a literatura, única forma de superar o “terror da inexistência”. Este é, pois, um livro para quem ama realmente a literatura, não necessitando de a justificar por cauções externas ou propósitos autobiográficos (e menos ainda autoficcionais). Todas as histórias que o integram têm algo a ver com a literatura, desde logo porque em quase todas encontramos a figura de alguém que escreve, que conta histórias (as suas ou as que os outros lhe contam), mas também alguém que, como em “Fortuna”, lê uma história de um escritor francês que resume com vantagem a que está a viver. No fundo, do que se trata é de reivindicar a soberania da literatura na sua relação com o mundo, o que implica também um perfil particular de autor, aquele que antes de ser escritor é leitor – e de género voraz, o mais propício a, como diria Jorge Luis Borges, criar os seus precursores ou, noutra ótica, que é a do conto “Um coração solitário”, concluir que é o Autor idolatrado quem acaba por roubar o livro do seu leitor-adorador. Não custa, aliás, recuperar a lista dos heróis literários de Puppin, já que se trata de um jogo sem cartas escondidas. O importante, contudo, não é isso e sim perceber que a pátria literária de Puppin é o mundo inteiro, o que implica um trânsito entre literaturas e idiomas em busca não de uma “Torre da Canção”, mas do júbilo da ficção. (Osvaldo Manuel Silvestre) O livro é publicado pela editora 7 Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Mar García Puig parte de sua própria experiência para construir um impressionante panorama histórico e literário da relação entre maternidade e saúde mental.
Mar García Puig parte de sua própria experiência para construir um impressionante panorama histórico e literário da relação entre maternidade e saúde mental.
No dia em que deu à luz seus filhos gêmeos, Mar García Puig enlouqueceu. Neste mesmo domingo, além de mãe, ela também se tornava deputada eleita para a Câmara espanhola, num momento de grande fervor político no país. “Quando a comitiva de médicos desapareceu, revelou-se para mim uma realidade sobre a qual não tinha pensado: eu dera à luz um mundo novo, porque desapareceu aquele em que meus filhos não existiam, e hoje tudo começava. O parto abriu a porta que conecta o ser e o não ser, a vida e a morte, a luz e a escuridão, e agora eu nunca mais poderia fechá-la.” A história dos vertebrados, Mar García Puig é uma travessia pela arte, literatura, mitologia e pela história da medicina, se misturam trajetórias e vozes de outras mulheres, conhecidas ou não, compondo um inventário crítico e tocante dos discursos sobre o corpo feminino e o papel da mãe através do tempo. Ao investigar essa vivência radical, do nascimento e da loucura, e suas repercussões na vida das mulheres, o livro se aproxima de uma história mais ampla, em que ciência, moral e política participam da construção do que se entende por maternidade. “Na cozinha do patriarcado, as mulheres nunca poderão encontrar as quantidades certas dos ingredientes da boa maternidade.” Publicação da Bazar do Tempo. Você pode comprar o livro aqui.
Uma obra seminal e visionária de um dos autores mais influentes na cultura contemporânea ganha sua primeira tradução no Brasil.
Garotos selvagens: um livro dos mortos apresenta, com uma linguagem desconcertante e ousada, uma realidade distópica na qual extremistas ensandecidos mobilizam perigosas forças sociais. A história acompanha um grupo de jovens homossexuais, livres e audaciosos, que confrontam as amarras do poder estatal com uma rebelião visceral e transgressora, rechaçando toda tentativa de dominação e controle. Eles lutam para sobreviver e preservar a essência de ser autenticamente indomáveis, visionários, radiantes e transformadores, como toda bela juventude deve ser. Publicado pela primeira vez em 1971, o romance teve um imenso impacto cultural, sobretudo no universo da música pop. David Bowie declarou que boa parte da inspiração para o visual de Ziggy Stardust veio da leitura desse livro, que também era um dos preferidos de Ian Curtis, vocalista da banda Joy Division. Patti Smith faz alusão ao protagonista do livro na canção “Land”, do seu icônico álbum de estreia Horses. Em uma parceria com Kurt Cobain, líder do Nirvana, Burroughs lê o conto “The Junky's Christmas” com a guitarra sinistra de Cobain complementando-a. Intitulada The ‘Priest’ They Called Him, a colaboração entre os dois foi lançada em 1º de julho de 1993. Como ocorre com todas as grandes obras literárias, a sociedade imaginada por Burroughs é capaz de refletir o momento e as contradições que estamos atravessando, além de articular artisticamente, e com notável habilidade, ideias e conceitos essenciais para pensar a vida contemporânea. Obra até então inédita no Brasil, a publicação da editora DarkSide é ilustrada pelo premiado quadrinista João Pinheiro, autor da HQ Burroughs, obra que lhe rendeu elogios aqui e no exterior. As cenas que o artista recria têm uma profundidade de campo capaz de mostrar a ação ocorrendo em mais de um lugar ao mesmo tempo. Assim como o texto visceral e desafiador de Burroughs, Pinheiro ordena esteticamente o caos e nos presenteia com imagens de grande beleza. É quase impossível mapear toda a influência de William Burroughs na cultura contemporânea. Obras como Junky, Queer e Almoço nu reverberaram na música, no cinema, nas artes plásticas e, é claro, na literatura — ele é uma grande referência do cyberpunk. Seus romances se mantêm fortes e fecundos. A proclamação, feita em diversas entrevistas, de que “a linguagem é um vírus”, nos ajuda a entender os mecanismos de controle social no qual estamos cada vez mais enredados. Ler William Burroughs, mais do que nunca, é fundamental para que possamos encontrar caminhos e desafiar as formas convencionais de ver e viver o agora. Tradução de Alexandre Barbosa de Souza. Você pode comprar o livro aqui.
A premiada escritora Ali Smith e uma distopia provocativa e inspiradora sobre poder e resistência.
Em um futuro próximo, num mundo em que a tecnologia categoriza as pessoas rigorosamente, Briar e sua irmã Rose precisam se separar da mãe e do padrasto para escapar de um risco iminente. Não se sabe ao certo o que aconteceria com uma família de “inverificáveis” em uma sociedade marcada pela supervigilância e pelo controle. Obrigada a buscar uma forma alternativa de sobrevivência da noite para o dia, a jovem e corajosa dupla encontra um companheiro de jornada inusitado: um cavalo a quem dão o nome de Gliff — uma palavra com múltiplos significados possíveis — um momento fugaz; um vislumbre; uma sugestão tênue; uma intuição; mas que também pode ser uma palavra substituta para qualquer outra. Neste romance profundamente político, mas também marcado pela esperança, Ali Smith aborda questões como o domínio da tecnologia, autoritarismo, repressão e intolerância de um modo que causa arrepios — especialmente quando nos damos conta do quanto nos são familiares hoje. Gliff é um convite à reflexão sobre o valor de nossa humanidade e individualidade, ainda que silenciosas e imperfeitas, em uma época em que os detentores do poder parecem querer reduzir todos a algoritmos e dados categorizáveis e previsíveis. Gliff sai pela Amarcord com tradução de Camila von Holdefer. Você pode comprar o livro aqui.
Neste romance feminista Torborg Nedreeas faz um retrato visceral da busca das mulheres por autonomia — sobre sua vida e seu próprio corpo.
Numa noite chuvosa, um homem encontra uma mulher vagando na estação de trem. Eles não se conhecem, mas decidem seguir juntos até o apartamento dele. “Vou te dar uma chance. Pode escolher. Pode ter meu corpo ou minha alma. A escolha é sua”, ela diz. O homem escolhe a segunda opção, e, entre taças de vinhos e cigarros, a mulher lhe conta em detalhes a história de sua vida. Estamos na Noruega do pós-guerra, onde a narradora mora e contribui com o sustento da família, seguindo as expectativas sociais de uma mulher da classe trabalhadora. Aos dezessete anos, ela se envolve com seu professor, num relacionamento conturbado que resulta em uma gravidez indesejada — e um aborto ilegal. Esse é apenas o primeiro de vários episódios que a farão perceber, das formas mais dolorosas possíveis, as injustiças que sofre por causa de seu gênero e sua origem. Uma das vozes mais instigantes da segunda metade do século XX, Torborg Nedreaas imprimiu sua consciência política em toda a sua obra, investigando como a classe social molda os personagens. Nada nasce ao luar põe o desejo das mulheres no centro de sua trama. Com tradução de Kristin Garrubo, livro sai pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Um romance que marca a estreia do escritor esloveno Avgust Demšar. Um dos destaques do gênero policial, aqui se narra um crime misterioso na Riviera de Opatija.
Na elegante Riviera de Opatija, o tradicional Hotel Abbazia resiste ao tempo. Administrado há décadas por Marina e Slavko Ajdov, o pequeno estabelecimento é discreto, familiar e um tanto quanto antiquado, mais sustentado por memória e apego do que por lucro. Fora do circuito luxuoso da orla, parece imune às turbulências do mundo exterior. Até a manhã de 9 de junho. Marina é encontrada morta atrás do balcão da recepção, atingida por dois disparos à queima-roupa. Poucas horas depois, Slavko é encontrado dentro do próprio carro, estacionado em uma área arborizada, com uma arma em sua mão. A perícia confirma que foi a mesma utilizada no hotel. A conclusão parece inevitável: assassinato seguido de suicídio. Mas, para o detetive inspetor-chefe Martin Vrenko, algo não soa correto... O hotel Abbazia é publicado pela editora Rua do Sabão com tradução de Isabela Figueira. Você pode comprar o livro aqui.
Quando os franceses quiseram as terras do Brasil.
Os navios e navegadores franceses foram, ao lado dos ingleses, os que mais frequentaram a costa brasileira entre os séculos XVII e XVIII. Navegantes franceses no Brasil Colônia: relatos de viagem, 1615-1767, organizado por Jean Marcel Carvalho França, reúne catorze impressões de viagem, nenhuma delas, até agora, editada em língua portuguesa — e a maioria nem mesmo na sua língua original, o francês. Uma delas, a de Thomas de Lastre, pertence ao século XVII; três, à segunda metade do século XVIII, em torno da renomada viagem de circum-navegação capitaneada por Louis Antoine de Bougainville em 1767, que contou com uma ancoragem no Rio de Janeiro. A maioria, no entanto, foi redigida entre 1698 e 1720, período em que a Marinha francesa se esforçava para levar o comércio e o corso — a pirataria autorizada pela Coroa — aos ricos portos espanhóis do Mar do Sul, no Pacífico, percorrendo uma rota que previa ao menos uma passagem pela costa brasileira para reabastecer — no Rio de Janeiro ou na Ilha Grande —, antes de seguirem viagem para o cabo Horn e daí para os cobiçados portos chilenos e peruanos. Alguns desses textos são extensos e descrevem com riqueza de detalhes as gentes e os lugares vistos na costa brasileira; outros dedicam-se a narrar a pirataria aí praticada, sobretudo na Ilha Grande, que então padeceu com os ataques corsários; parte considerável dá atenção especial aos fortes e às fortalezas que guardavam os portos visitados; e há ainda os que dedicam muitas linhas a reclamar dos governantes locais e da recepção pouco amável que as embarcações em que viajavam tiveram nos portos brasileiros. Os relatos reunidos neste livro dão a conhecer duas histórias: a da Marinha francesa e suas incursões pelos mares da América Austral e, principalmente, a das imagens do Brasil e dos brasileiros de outrora traçadas pelos estrangeiros em suas narrativas de viagem. Publicação da Chão Editora. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
Mo Yan no Brasil 1. O escritor Prêmio Nobel de Literatura participa de um ciclo de conferências no âmbito da 8ª Feira do Livro da Unesp, entre 13 e 15 de maio que marca os 50 anos da universidade paulista.
Mo Yan no Brasil 2. Pela ocasião, as Edições Cosac anunciam a reedição de Mudança, considerado o livro mais intimista do escritor; já a Editora da Unesp publica um texto de Yan na antologia A nova literatura chinesa: lume.
Mo Yan no Brasil 3. Alguns dos escritores da nova geração da literatura chinesa reunidos na antologia também participam do evento em São Paulo. É o caso de Yang Zhihan e Suonan Cairang.
Fiat Lux. É o título do livro da escritora e tradutora mexicana Paula Abramo que chega aos leitores brasileiros em edição bilíngue pela Editora 34 no mês de maio com tradução de Gustavo Pacheco.
Mais poesia. A mesma casa editorial prepara uma edição com a poesia reunida de Francisco Alvim, abrangendo desde o livro de estreia, Sol dos cegos (1968), ao mais recente, O metro nenhum (2011).
Independentes de quê? É o título em português do livro Hernán López Winne e Víctor Malumián considerado seminal para se pensar a noção de ser independente no mercado editorial. A publicação sai pela Editora Moinhos com tradução de Fernando Miranda.
DICAS DE LEITURA
1. Tardes brancas, de Afonso Borges (Autêntica, 90p.) O autor revisita os contos do seu livro Olhos de carvão e acrescenta cinco poemas neste livro ousado para um tempo em que pouco se ousa e muito se repete. Os contos estão entre o vivido e o inventado com a forte cor do acaso e inusitado e os poemas tocam um dos temas caros à literatura: o tempo e sua marca indelével. Você pode comprar o livro aqui.
2. Meu passado nazista, de André de Leones (Record, 364p.) Três figuras no epicentro de uma complexa trama situada entre os anos 1990 e 2020 à volta do passado de Konrad Helfferich, o avô de um dos protagonistas. Você pode comprar o livro aqui.
3. América: relatos de viagens, de Alberto Moravia (Trad. Adriana Marcolini, Edições Cosac, 368p.) São reunidos neste livro quatro dezenas de textos em que o escritor italiano perscruta as três Américas a partir de suas visitas aos Estados Unidos, México, Brasil, Cuba, Guatemala e Bolívia. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
Nesta seção da edição 372 do Boletim Letras 360º destacamos alguns poemas de Manuel Bandeira ditos pelo próprio poeta. Sublinhamos os 140 anos do poeta pernambucano retomando essas recomendações:
a) a leitura de “Pneumotórax” pode ser vista aqui;
b) o poeta na bela leitura de “Vou-me embora pra Pasárgada”;
c) neste outro recorte, recita “Testamento”;
d) e podem ver o filme de Fernando Sabino e David Neves aqui.
BAÚ DE LETRAS
De Manuel Bandeira, podemos puxar do nosso baú três publicações: este breve perfil; uma resenha de Andorinha, andorinha, escrita por Pedro Fernandes e apresentada aqui em fevereiro de 2016; e esta matéria que sublinha reencontros entre o poeta de Libertinagem e seus colegas de ofício Mario Quintana e Cecília Meireles.
DUAS PALAVRINHAS
Escrevendo me acalmo porque vivo a vida das minhas personagens que não fazem parte da minha vida real — ou fazem?
— Lygia Fagundes Telles
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