Adriano Wintter e a poesia de Sobre a queda de uma pétala
Adriano Wintter. Foto: Arquivo do escritor A poesia de Andriano Wintter Por Benedito Costa Neto Tenho pesquisado a brevidade na poesia após ter lido Orides Fontela. A brevidade não é uma invenção da poeta ou da pós-modernidade (numa época em que a brevidade poderia ser entendida como uma resposta artística à noção de tempo no Antropoceno) e sim um recurso de longa e complexa história. Dos fragmentos que nos legaram pequenos trechos do período clássico (o que tenho chamado de “óstracons ”), em que a brevidade é involuntária, passando por certa poesia mística do fim do medievo, feita para que monges tenham acesso a uma mística complexa, até as recentes, historicamente falando, leituras e adaptações de textos poéticos extremo-orientais (em particular a poesia chinesa e a japonesa), a brevidade se faz presente como forma e como processo, como método e como discurso. Também ao contrário do que se imagina, a brevidade não é simples. No caso das línguas latinas, há a contagem de sílabas n...