Literatura e psicanálise e as narrativas constitutivas
Por Herasmo Braga Xenia Gray Costuma-se mencionar, mesmo quando não se tem contato com as suas realizações literárias, que Charles Baudelaire foi um dos primeiros grandes artistas a perceber a degradação do homem contemporâneo diante das ações entusiasmadas da modernidade. Essa observação evidencia a capacidade dos textos ficcionais, quando dotados de valores significativos, de verem longe: tanto os processos históricos quanto os caminhos degenerativos das subjetividades dos indivíduos. Interessante observar quando Arthur Schopenhauer, em O mundo como vontade e representação , ao fazer referência ao véu de Maya, aponta para a dificuldade humana de examinar a realidade com nitidez. Aquilo que se vê não se apresenta com segurança suficiente para afirmações categóricas. Assim, mesmo em um gesto de busca da compreensão, dotado de repertório, reflexões e experiências, tais elementos não se mostram suficientes para afirmações peremptórias, o que dizer quando se está desprovido de tudo i...