Boletim Letras 360º #691
DO EDITOR
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| Paulo Hecker Filho. |
LANÇAMENTOS
Redescoberta após mais de seis décadas, uma das novelas mais divertidas, inusitadas e originais da literatura brasileira.
Um dos livros cult mais bem-guardados da literatura brasileira, O digno do homem (1957) retorna em formato de bolso pela Editora Ercolano e confirma Paulo Hecker Filho como um escritor capaz de provocar, divertir e desestabilizar com a mesma intensidade. A novela acompanha Justino, um homem convicto de que possuir o maior do mundo é condição para se tornar verdadeiramente digno de ser homem. A partir dessa premissa desconcertante, a narrativa mergulha numa masculinidade delirante e hilária, misturando estrelas de cinema, milionárias excêntricas, bispos ambíguos e sociedades secretas dedicadas ao culto fálico. Com referências que vão de Sartre e Nietzsche a Freud e Camus, Paulo Hecker Filho transforma obsessão sexual e crítica social em uma sátira inusitada e original, irreverente e estranhamente contemporânea. No posfácio, o escritor e psicanalista Celso Gutfreind aponta a novela como uma antecipação de Philip Roth e seu complexo de Portnoy, ao retratar uma sociedade obcecada por desempenho e virilidade. Nascido no Rio Grande do Sul em 1926, Paulo Hecker Filho era conhecido como o Terrível Hecker pela sua atividade como crítico literário, por isso, ganhou respeito de Drummond, Bandeira, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. O livro sai pela editora Ercolano. Você pode comprar o livro aqui.
Os escritos de M. A. S., um compulsivo anotador de tudo.
M.A.S. nasceu em 1946 no Rio de Janeiro, filho de imigrantes judeus alemães. Órfão de pai desde os 3 anos, passou a vida toda em Copacabana, morando sempre com a mãe. Afligido por transtornos neurológicos e psiquiátricos desde cedo, seu escape voltou-se para o papel. Lia muito, principalmente História e enciclopédias. Após ganhar uma máquina de escrever na adolescência, redigiu compulsivamente ao longo de décadas milhares de páginas datilografadas e de anotações em recortes de papel e folhas soltas cujo conteúdo só foi descoberto após sua morte, em 2015. Vida de papel publicado pela 7Letras é um breve apanhado de seus escritos. Você pode comprar o livro aqui.
Cavalo selvagem, o segundo volume da tetralogia Mar da fertilidade, do autor japonês Yukio Mishima em nova edição e tradução direta do japonês.
Cavalo selvagem, o segundo volume da tetralogia Mar da fertilidade, do autor japonês Yukio Mishima em nova edição e tradução direta do japonês.
O romance se passa pouco após o Incidente de 15 de maio, uma tentativa de golpe de estado ocorrida em 1932, e acompanha, sobretudo, o jovem Isao Iinuma, filho do antigo criado de Kiyoaki Matsugae, protagonista do primeiro volume. Reativo ao contexto histórico que pairava sobre um Japão cada vez mais ocidentalizado, Isao se vê inspirado pela Liga do Vento Divino, grupo de samurais que incitou rebelião contrária à nova política imperial no início da era Meiji. Projetado por Mishima como símbolo de pureza, o jovem entende a integridade como o modo de viver e o sacrifício como a razão de ser, e busca se cercar de pares cuja concepção idealizada de Japão vai ao encontro da sua. Por outro lado, continuamos com a perspectiva, 19 anos depois dos eventos de Neve de primavera, do agora juiz auxiliar Shigekuni Honda, amigo de Kiyoaki, que enxerga no direito e no processo legal os meios pelos quais a ordem de uma nação se consolida. Ao encontrar-se com Isao, Honda nota nele semelhanças um tanto improváveis com o velho amigo, o que o leva a crer que ambos estão conectados de alguma forma. Dicotomias — jovialidade e maturidade, tradição e “progresso”, nativo e estrangeiro, razão e emoção —, sejam colocadas em embates diretos ou não, ressaltam a percepção do autor sobre a pluralidade de visões de mundo e suas consequências. Regado de elementos característicos da cultura japonesa, da vestimenta aos costumes, Cavalo selvagem serve como palco aberto à pureza, ao ideal, ao romântico. A linguagem rebuscada, complexa e, de fato, selvagem de Mishima revela nuances de uma mente que compreende o mundo pelo viés das cores quentes, mesmo que pintada em um sol de inverno visto por dentro de uma cela escura. O livro é publicado pela editora Estação Liberdade com tradução de Eunice Suenaga. Você pode comprar o livro aqui.
Em novo livro Paloma Vidal investiga desejo e desigualdade.
Numa mansão de veraneio em Punta del Este, uma menina uruguaia vive nos fundos da casa onde a tia trabalha como empregada doméstica. Enquanto observa de longe o luxo dos proprietários brasileiros, ela passa os dias ao lado da piscina escura e hipnótica, sonhando com o Brasil das novelas e das praias infinitas. Seu único companheiro é um cachorro, testemunha e participante dos acontecimentos que se desenrolam na casa: visitantes abastados, rituais de verão e corpos bronzeados compõem um universo suspenso. A chegada de novos convidados rompe o delicado equilíbrio deste mundo, desencadeando uma espiral de tensão e violência. Com humor sombrio e escrita precisa, Paloma Vidal constrói um romance sobre infância, desejo e desigualdade na fronteira ambígua entre Brasil e Uruguai. Sob a luz excessiva do verão e a escuridão da piscina, O lado de lá expõe a violência escondida nas fantasias tropicais contemporâneas. Publicação da Bazar do Tempo. Você pode comprar o livro aqui.
Um retrato honesto e inabalável da complexidade do relacionamento entre Arundhati Roy e sua mãe e dos caminhos inesperados da vida.
Um retrato honesto e inabalável da complexidade do relacionamento entre Arundhati Roy e sua mãe e dos caminhos inesperados da vida.
Meu abrigo, minha tormenta, o livro de memórias de Arundhati Roy, é um relato fascinante, ao mesmo tempo íntimo e inspirador, de como a autora indiana se tornou não apenas a escritora, mas a pessoa que é, moldada pelas circunstâncias e, acima de tudo, pela relação complexa com a extraordinária mãe. “Com o coração em pedaços” pela morte da mãe, Mary Roy, em setembro de 2022, a autora ainda se sentia confusa e “um tanto envergonhada” com a intensidade de suas emoções. Arundhati Roy começou a escrever para dar sentido aos sentimentos que nutria pela Sra. Roy – como a chamava –, de quem fugiu aos 18 anos “não por não amá-la, mas para poder continuar a amá-la”. E assim começa este livro de memórias sempre surpreendente e às vezes perturbador e até mesmo engraçado, que acompanha a jornada da autora desde a infância em Kerala, na Índia, onde sua mãe fundou uma escola, perpassa pela escrita de seus romances e ensaios premiados, para, enfim, chegar ao presente. Com a escala, o alcance e a profundidade de seus romances — o vencedor do Booker Prize O Deus das Pequenas Coisas e O ministério da felicidade absoluta — e a paixão, a clareza política e o calor humano de seus ensaios, Meu abrigo, minha tormenta é uma ode à liberdade, uma homenagem a um amor espinhoso e a uma graciosidade brutal — um livro de memórias como nenhum outro. Publicação da Record; tradução de Fernanda Abreu. Você pode comprar o livro aqui.
Um retrato sensível de toda uma geração de antilhanos que se reinventa na fronteira entre dois mundos.
Na sua família, é Antoine quem dá as cartas. Com seu nome escolhido para confundir os maus espíritos, suas crenças insólitas e seu senso de independência, é ela a mais indomável de três irmãos — Lucinde e o caçula nunca ousaram enfrentá-la. Sua memória é como uma fonte inesgotável de histórias. É a ela que recorre sua sobrinha, jovem nascida na periferia de Paris, às voltas com sua identidade mestiça, para conhecer um pouco mais do seu passado. Percorrendo cenas de infância no longínquo vilarejo de Morne-Galant, na ilha de Guadalupe, passando pelos encantos e adversidades da vida em Pointe-à-Pitre, pelo comércio no mar do Caribe e pelo inevitável exílio na metrópole francesa, Antoine recompõe, ao longo de conversas instigantes, a história de sua família e a do próprio país caribenho nos séculos XX e XXI. Com prosa fluida e intensamente romanesca, mesclando francês clássico a expressões crioulas, Onde o vento faz a curva, que chega ao Brasil na saborosa tradução de Letícia Mei, esboça um retrato sensível de toda uma geração de antilhanos que se reinventa na fronteira entre dois mundos. Estelle-Sarah Bulle nasceu em Créteil, na França, filha de pai guadalupense e mãe franco-belga. Onde o vento faz a curva (Là où les chiens aboient par la queue, prêmios Stanislas, Carbet e Eugène Dabit em 2018) é seu romance de estreia, ao qual se seguiram dois outros romances e o ensaio autobiográfico História afetiva dos meus cabelos (2025). O livro sai pela Editora 34. Você pode comprar o livro aqui.
Proeminente autora da literatura alemã contemporânea, Jenny Erpenbeck entrelaça a história de um relacionamento abusivo entre um homem de meia-idade e uma jovem de dezenove anos com a convulsão da sociedade alemã à época da queda do muro de Berlim num romance complexo e profundo.
Kairós é o deus grego do momento oportuno, do instante certo, da ocasião ideal. Na Berlim Oriental, em 11 de julho de 1986, Katharina e Hans se encontram por acaso e, a partir daí, se envolvem e passam os próximos anos juntos. Ela tem dezenove anos e vive com os pais. Ele, cinquenta e três, é casado e pai. Na presença de Hans, Katharina pede café sem açúcar para parecer mais séria. Entre outros medos e travas de um homem de meia-idade, Hans tem receio de parecer um velho aos olhos da jovem amante. Sua relação com Katharina será marcada pelo abuso: ciúme, manipulação, violência, obsessão e ódio. E então o muro que divide a cidade cai e o mundo não será mais o mesmo. Nesse livro extraordinário, Jenny Erpenbeck constrói uma combinação engenhosa de situações que nos levam às profundezas inóspitas de uma relação amorosa abusiva e as entrelaça e elabora de modo a nos conduzir também às profundezas de uma sociedade — a da Alemanha Oriental — em vias de se desintegrar. Com a elegância estilística e a sofisticação conceitual que a tornaram uma das principais vozes da literatura alemã, escreve uma verdadeira obra-prima do romance contemporâneo. Kairós sai pela Companhia das Letras; tradução de Sergio Tellaroli. Você pode comprar o livro aqui.
Nos contos de Andreia C. Faria, as mulheres vivem no limite do repulsivo.
Enquanto uma mulher que perdeu parte do corpo durante uma explosão na guerra sente vertigens ao olhar para o céu, outra mulher abre a barriga de um peixe-lua com uma faca e enfia sua mão nas entranhas viscosas do bicho. Em outro lugar – não sabemos se perto ou longe – existe uma terceira mulher. Ela limpa os quartos de uma pensão caindo aos pedaços, enquanto outra mulher se pergunta sobre o que significa escrever e observa as pontas dos seus dedos cheias de verrugas, verrugas que, de repente, se transformam em pequenas estrelas mortas, mesmo mortas seguem irradiando luz. A presença ou o fantasma das mãos, mas, também, do sexo, do passado e de pequenas violências cotidianas assombram as personagens das sete histórias que compõem Clavicórdio, de Andreia C. Faria. Essas mulheres vivem no limite entre a sujeira, o mau cheiro, as coisas que apodrecem e uma beleza estranha e erótica que emerge do contato, sem anteparos, da vida com aquilo que a contém de modo mais concreto: o corpo, a carne, os odores, a pele rugosa e repulsiva, mas, também, a linguagem. Andreia C. Faria nasceu no Porto, em 1984, publica desde 2008 e sua obra – ela escreve, sobretudo, poemas – vem recebendo inúmeros prêmios no seu país. Clavicórdio é uma pequena obra-prima de gênero indefinido, ou melhor, de gênero fugidio, como se o poema fosse um animal faminto que, assim como as cracas que devoram o casco dos navios, corrói a linearidade das frases, a racionalidade do enredo, e instauram a intensidade do verso nessas vagas linhas longas que a autora estica como uma corda, para depois, como num estranho instrumento musical, suave e metálico, fazer ressoar. (Flávia Péret) Publicação das Edições Jabuticaba. Você pode comprar o livro aqui.
Nesta narrativa hipnótica sobre os limites entre a realidade e a encenação nas relações mais íntimas, a premiada autora Katie Kitamura nos envolve em um jogo de espelhos que culmina num convite à desconstrução dos papéis sociais que todos nós desempenhamos.
Tudo começa em um restaurante, com um misterioso encontro entre uma atriz consagrada e um jovem chamado Xavier. Sob a névoa de um segredo, a personagem-narradora interage com o rapaz numa mistura de estranhamento e fascínio. A semelhança física entre os dois é perturbadora, e ela tem a sensação de reconhecer nele os próprios gestos, “tirados dos meus filmes, das minhas atuações no palco, e copiado sem vergonha nenhuma. Um pedaço meu, no corpo de um estranho”. Acredita que Xavier a estudou e agora a representa para si mesma. Mas outra possibilidade se anuncia. Audição é um romance de duas metades espelhadas. Na primeira, o jovem conta à narradora que acredita ser seu filho abandonado — algo que ela deixa claro ser impossível. Na segunda, a trama muda radicalmente, e os personagens passam a encarnar outros papéis. Não se trata tanto de qual é a realidade; este é um livro sobre a suspensão e a descrença necessárias para que a vida seja minimamente tolerável. Tendo a performance que atravessa cada página como fio condutor, Kitamura explora os papéis de esposa, marido e filho não apenas enquanto estados de ser, mas também como atuações que devem ser executadas com precisão técnica. A narradora percebe que a vida compartilhada com o marido é mantida por rituais que, embora banais, sustentam o casamento numa trama que se confunde com um roteiro teatral. Audição é um thriller psicológico sobre a invisibilidade e o desejo de ser visto. Com sua prosa cirúrgica, Kitamura demonstra que, assim como a ilusão de um personagem surge da meticulosidade dos gestos de um ator, da falsa coerência do eu surge a miragem daquilo que chamamos de mundo. O resultado é um romance magistral que esmiúça a construção de nossas identidades e o custo de manter as máscaras que escolhemos usar diante daqueles que mais amamos. Publicação da editora Fósforo; tradução de Érika Nogueira Vieira. Você pode comprar o livro aqui.
Romance acompanha as ondas de choque de uma catástrofe que ninguém compreende.
Certa noite, Louisa e seu pai dão um passeio na praia. Seu pai carrega uma lanterna. Ele não sabe nadar. Mais tarde, ela é encontrada quase sem vida, ele desapareceu. Alternando o foco de um membro da família de Louisa para outro e as perspectivas ao longo do tempo, voltando repetidamente àquela noite à beira-mar, Lanterna acompanha as ondas de choque de uma catástrofe que ninguém compreende. Louisa é filha única de pais que se afastaram do passado. Serk, coreano criado no Japão, rompeu com a família e emigrou para os Estados Unidos. Sua esposa americana, Anne, distanciou-se de sua própria família após uma aventura sexual imprudente na juventude. E há também Tobias, o filho ilegítimo de Anne, cujo reaparecimento na vida deles terá consequências surpreendentes para Louisa. O que realmente aconteceu com Serk? Por que ele levou a filha e a esposa para o Japão, pouco antes de desaparecer? Como é possível amar, ou dar sentido à vida, quando há tanta coisa que não conseguimos ver? Finalista do Women’s Prize for Fiction 2026, do Booker Prize 2025 e semifinalista do National Book Award 2025, o livro sai pela editora Instante. Tradução de Julia Bussius. Você pode comprar o livro aqui.
Os escritos de Wenceslau Braz.
A família de Wenceslau Braz, que governou o país entre 1914 e 1918, sempre soube que ele deixara um manuscrito narrando diversas passagens de sua vida pública. Provavelmente iniciadas e concluídas na década de 1940, essas memórias, inéditas até agora, estão contidas em um caderno de capa dura e foram escritas, em grande parte, na Vila Maria, situada em Minas Gerais, na serra da Mantiqueira, onde Wenceslau mantinha uma casa de campo em área de sua antiga Fazenda Três Barras. O texto começa com estas palavras: “Quero aqui lançar um rápido esboço de minha vida política, bem como alguns episódios, que julgo interessantes, para conhecimento de meus descendentes. Só para esse efeito, nada mais”. Em sua narrativa, Wenceslau eclipsa muitas das grandes questões históricas e disputas políticas do período, mas descreve, certamente sem se dar conta, o passo a passo da política de compadrio, favorecimento e concentração de poder que marcou todo o período da Primeira República. Por outro lado, sua prosa discreta deixa entrever o caráter “surpreendentemente moderno” (expressão de Carlos Guilherme Mota) de sua visão social cristã, que atinava para “a veemente aspiração da população operária para um maior bem-estar, aspiração que concorda com a orientação dos dirigentes de todos os países cultos, voltados para a solidariedade humana”. O tom dessas memórias — fragmentadas, claramente interrompidas e retomadas ao longo dos anos — não é nem o vingativo nem o de prestação de contas. O narrador não quer desenhar ou redesenhar sua figura para a História. Não há motivos para crer que ele tenha arquitetado a publicação póstuma desses escritos. As páginas são dedicadas e destinadas à sua família, aos que vieram depois dele. Nelas, percebemos um tocante desejo de confissão. Um desejo de ser entendido, amado ou perdoado pelos seus. Esse estado confessional diz muito sobre o que não sabíamos de Wenceslau Braz. Esboço de minha vida política: memórias sai pela Chão Editora. Você pode comprar o livro aqui.
REEDIÇÕES
Mais uma peça na reedição da obra completa de Dalton Trevisan.
Publicado em 1994, nove anos após seu único romance, Dinorá é um dos livros mais incomuns de Dalton Trevisan, e marca uma importante virada em sua obra e um retorno subversivo ao conto. Aqui temos um livro ímpar, que mistura contos, um ensaio, haicais e textos autobiográficos, desafiando os limites dos gêneros literários. Enquanto os contos são inovadores nos pontos de vista narrativos, os haicais que aparecem em Dinorá antecedem os minicontos, que definiriam a fase seguinte de sua obra. E a cidade de Curitiba, personagem tão presente na obra de Dalton, aqui, é vista com ainda mais melancolia. Publicação da editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
O romance mais controverso e famoso de Vladimir Nabokov está de volta.
Lolita, um dos romances mais discutidos do século XX, é polêmico, irônico, tocante, e narra a obsessão de Humbert Humbert, um obscuro intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, uma garota que desperta seus desejos mais profundos. Mas a obra-prima de Nabokov não é apenas uma assombrosa história de paixão e ruína. É também uma viagem de redescoberta pela América; é a exploração da linguagem e de seus matizes; é uma mostra da arte narrativa em seu auge. Nabokov compôs a maior parte do manuscrito entre 1950 e 1953. Nos dois anos seguintes, ouviu recusas de cinco editoras norte-americanas, até ser finalmente aceito em 1955 por uma obscura editora francesa, a Olympia Press. Mas o livro não foi bem recebido; uma revista cogitou publicar trechos e foi desaconselhada por seus advogados. No início de 1956, porém, sua sorte mudou. Graham Greene havia colocado Lolita entre os melhores livros de 1955 numa edição do Sunday Times. A repercussão cresceu; em agosto de 1958, foi finalmente publicado nos Estados Unidos, e em setembro já alcançava o primeiro lugar na lista de mais vendidos. Reedição da Alfaguara Brasil. Tradução de Sergio Flaksman. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
Maria Reva. A escritora nascida na Ucrânia chega aos leitores brasileiros pela DBA. O romance Endling, ambientado no país de origem de Reva acompanha uma excêntrica cientista que cria caracóis raros. O livro foi vencedor do National Book Award.
Talvez o mais conhecido Freud. Lembram da edição da Cosac Naify para o ensaio Luto e melancolia que passou ao mercado livreiro com preço a peso de ouro? Então, a Ubu reedita a tradução de Marilene Carone. A nova edição inclui textos de Maria Rita Kehl, Modesto Carone, Urania Tourinho Peres e da própria tradutora.
OBITUÁRIO
Morreu Conceição Lima.
Conceição Lima nasceu no dia 8 de dezembro de 1961, na ilha de São Tomé, de São Tomé e Príncipe. Estudou em jornalismo e trabalhou em vários meios de sua área, como rádio, televisão e jornal; fundou e dirigiu o semanário independente O país hoje. Também licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King's College de Londres, escreveu estudos sobre a obra de Luandino Vieira (Dupla tradução do outro cultural, 2010) e especificamente sobre a tradução (Manual de teoria da tradução, 2010). Estreou na literatura com o livro O útero da casa (poesia, 2004). Publicou ainda A dolorosa raiz do micondó (poesia, 2006), O país de Akendenguê (poesia, 2011) e Quando florirem salambás no tecto do pico (poesia, 2015). Conceição Lima morreu em São Tomé, no dia 15 de março.
DICAS DE LEITURA
1. Os imortais, de Paulliny Tort (Fósforo, 2324p.) A trajetória de um clã de neandertais é a frincha para se pensar o instante inaugural da mente humana e as primeiras formações a partir de então. Você pode comprar o livro aqui.
2. O forno, de Evguéni Kharitónov (Trad. Yuri Martins de Oliveira, Ercolano, 104p.) No encerrado tempo de criminalização dos gays na União Soviética, um homem desenvolve por outro um complexo jogo de amor em que desejo e dissimulação são apenas alguns dos seus códigos. Você pode comprar o livro aqui.
3. As mutações, de Jorge Comensal (Trad. Silvia Massimini Felix, Moinhos, 152p.) A vida comum e bem-sucedida de um advogado e as transformações implicadas no âmbito familiar quando ele se submete a uma cirurgia e perde a língua. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
Neste endereço, no blog da revista 7faces, você pode ler dois poemas de Conceição Lima.
BAÚ DE LETRAS
Agora que Lolita finalmente regressa às livrarias, mesmo sob a censura que as redes da Meta fazem à expressão do seu título, cabe recordar esses materiais à volta de um dos romances centrais na obra de Vladimir Nabokov.
DUAS PALAVRINHAS
em sentido escrever, sempre que você não engane a si mesmo, o que me parece requisito indispensável para não enganar os demais.
— Mario Benedetti
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