Seis poemas de Wendell Berry
Por Pedro Belo Clara (Seleção e versões)* Wendell Berry. Foto: Guy Mendes PLANOS ( The Broken Ground , 1964) O meu velho amigo, dono dum barco novo, aparece com um convite para pescar, e eu digo que sim — ambos sabendo que talvez nunca nos aprontemos a tal, é possível que passem anos até estarmos de novo livres no mesmo dia. Mas fazemos planos, em todo o caso, em honra da amizade e do bom tempo primaveril e do barco novo e da súbita imagem partilhada de água cintilando sob o nevoeiro matinal. A PAZ DAS COISAS SELVAGENS ( Openings , 1968) Quando o desespero pelo mundo toma conta de mim e de noite ao mínimo som desperto, temendo no que a minha vida e a de meus filhos se poderá tornar, saio e deito-me onde o pato-carolino repousa em sua beleza sobre a água, e a garça-real se alimenta. Venho para a paz das coisas selvagens, que não taxam as suas vidas com previsões de tristeza. Venho até à presença das águas serenas. E...