Coriolano: de apátrida maldito à mártir radical
Por Juliano Pedro Siqueira Oh mãe! Salvastes a pátria, mas perdestes o filho. Franz Anton Maulbertsch. Coriolano nos portões de Roma . (c. 1795) A dramaturgia de William Shakespeare tem um lugar de destaque no cânone da literatura mundial. Seja por sua magnitude trágica ou por seu aspecto humanístico, cujo efeito atingiu esferas atemporais. A atualidade dos seus textos, combinada com seu estilo de escrita profícuo, é tão impressionante que pode levar alguns a questionar sua existência. Isso quando não creditam sua vasta obra a eruditos anônimos, dada a imensidão de sua produção literária. Coriolano está longe de ser a peça célebre de Shakespeare. Provavelmente é a menos conhecida do público geral. Mesmo concorrendo por fora entre Macbeth e Hamlet , essa tragédia aborda as consequências nefastas de um poder que transita entre orgulho e sacrifício. Mas não apenas! Também se destaca pelas relações estreitas entre poder político e plebe; como se desencadeava as traições nos bastidor...