O (des)dobrar do tempo-serpente em Macala, de Luciany Aparecida
Por Monique Vitória Santos Rodrigues Luciany Aparecida. Foto: Arquivo do Estado de Minas “Mulher negra da Bahia” é o título de uma fotografia registrada por Marc Ferrez, em 1885. Apesar de se conhecer o fotógrafo, não se tem conhecimento da identidade da mulher ali retratada. É a partir dessa lacuna histórica, tomando a figura da fotografada, que Luciany Aparecida constrói seu livro Macala (2022), e debruça-se na fabulação de quem seria essa mulher e qual sua história. Ainda que seja sua primeira obra poética, usar a literatura como forma de resgatar memórias ou questionar o passado não é um lugar incomum para Aparecida, afinal já publicou diversas narrativas que carregam tais dilemas, como o romance Mata doce (2023), Contos ordinários de melancolia (2017) e Florim (2020) — os dois últimos com seu pseudônimo Ruth Ducaso. Ademais, a autora é doutora, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária da Pontifícia Universidade Ca...