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Mostrando postagens com o rótulo Domenico Starnone

Via Gemito, de Domenico Starnone

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Por Sérgio Linard  Domenico Starnone. Foto: Isabella De Maddalena “Não sei bem o que aconteceu depois, só me lembro perfeitamente daquela frase. O resto é poeira, fragmentos de sons, palavras como aparas sob a plaina do tempo e outras fórmulas enfáticas que aqui servem substancialmente para dizer isto: uma narrativa é uma narrativa; até quando narra apenas a verdade, usa e abusa da fantasia.” (p. 332) Como um livro que conta a história de um pai egoísta e que está concentrado em relatar as experiências de um filho na busca por compreender a complexa figura paterna pode ser dedicado à mãe ? Se, assim como este que aqui escreve, o leitor intentar encontrar respostas para esta pergunta enquanto lê Via Gemito , precisará ter em mente que as possíveis saídas para esta indagação só aparecerão nas últimas dez páginas das quase quinhentas deste romance (ao menos na primeira tradução e edição brasileiras). Algo que parece contraditório, mas que além de ter sentido do ponto de vista do cont...

Línguas ou Vita mortale e immortale dela bambina di Milano, de Domenico Starnone

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Por Sérgio Linard Domenico Starnone. Foto: Isabella De Maddalena   A escolha pela tradução do título original da recente novela de Domenico Starnone a chegar no Brasil, no primeiro momento, antes da leitura da obra, soa estranha ou arriscada. Como Vita mortale e immortale dela bambina di Milano foi vertido para Línguas ? Haveria, na obra, justificativa suficiente para tão radical mudança? Seria esta uma escolha de motivação mercadológica, para estabelecer relação de continuidade com o livro anterior do autor, Dentes ?¹ Após a leitura, vê-se que o tradutor Maurício Santana Dias fez uma escolha melhor do que a do próprio Starnone ao intitular sua obra. Para essa confirmação, porém, a leitura integral do texto é indispensável. E, por isso, aqui, meu único comentário acerca dessa tradução é o elogio. Sigamos ao texto.   É bem provável que Línguas seja o primeiro livro do autor, em terras brasileiras, a comportar-se como um divisor mais firme de opiniões. Este parece ser um caso ...

Dentes, de Domenico Starnone

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Por Sérgio Linard Domenico Starnone. Foto: Leonardo Cendamo .   Ao lado da misteriosa Elena Ferrante, Domenico Starnone é um nome da literatura italiana contemporânea que merece nossa atenção. Não é, porém, somente a nacionalidade que aproxima estes escritores, pois ao passo que aquela parece ter como foco de sua obra a exploração das figuras desempenhadas pelas mulheres na sociedade, esse — em um simétrico contraponto — foca nas figuras masculinas, convidadas a encararem seus próprios erros para que percebam o quão frágeis e fingidas são as bases que sustentam a própria ideia de masculinidade. Não seria de grande espanto a notícia de que estes escritores mantêm contato entre si. Mas tais biografismos não são nosso foco; voltemos.   Starnone, nas obras por aqui publicadas, parece fundar seus personagens em uma risível situação de constrangimento constante que rega as páginas com o que popularmente chamamos de vergonha alheia e/ou de riso melancólico, sentimentos gerados exata...

Segredos, de Domenico Starnone

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  Por Pedro Fernandes   Mas se tornar adulto ― disse para mim ― é de fato renunciar a sermos perfeitos. Em Segredos , de Domenico Starnone Em certa altura da vida será possível nos confrontar com uma pergunta de matriz existencial: o que é a maturidade? A ela poderíamos agregar outra variedade de interrogações, como, quando sabemos que a alcançamos, existirá um instante que se afirma acima de tudo o que vivemos e a partir disso podemos ver o começo da maturidade, ser adulto pode se descrever como um traço essencial do maturo, ou ainda, que elementos nascidos na tenra infância carregamos, explicitamente ou à surdina de nós mesmos, por toda a vida ao ponto de baldear nossa compreensão sobre o antes e um depois da maturidade? Embora esses questionamentos se constituam a partir de demandas subjetivas, podem ― e isso demonstra uma plena assunção de uma era dos subjetivismos ― inquirir importância também a nível coletivo, sobretudo, no interior das crises em processo do fim século X...

Assombrações, de Domenico Starnone

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Por Pedro Fernandes Laços foi o romance que deu abriu ao leitor brasileiro as portas para o universo ficcional de Domenico Starnone. Nele, descobrimos, pelo vigor e precisão da narrativa, uma renovação das possibilidades vitais desta forma narrativa em perscrutar os elementos constitutivos de nossas individualidades a partir daquilo que sobra, ou a rusga na aparência que se constitui numa aspereza entre o eu e o outro e, logo, o desgastar de seus vínculos. Quer dizer, o romance estabelece com o leitor um pacto em falso , pois, mesmo que os laços se constituam em elemento principal no desenvolvimento da narração, o que vigora é o que nele se esconde. A importância de ressaltar essa observação se dá por dois motivos: o primeiro é o conceito de rusga e o segundo é porque em Assombrações , qual sugere o título – e agora o romancista não trapaceia seu leitor –, Domenico Starnone mergulha ainda mais profundamente no aparente para encontrar sob a rusga aquilo que a determi...

Laços, de Domenico Starnone

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Por Pedro Fernandes A que ponto somos determinados pelo outro? Qual a força dos laços que casualmente se formam entre nós e os outros? Ao que nos submetemos para manutenção de uma ordem de dominação cujas linhas são apenas aparentemente inofensivas aos rumos de nossas vidas? Como seria nossas vidas se as relações que agora mantemos não fossem essas mas outras? Estas são perguntas que se formam ao longo da leitura de Laços , um romance que se filia a uma tradição em formação na prosa romanesca contemporânea, que poderíamos designar como literatura sobre os afetos. Numa época quando a condição do amor foi institucionalizada pela mecânica da jurisprudência e seus desenlaces explicados de maneira diversa pela psicanálise este sentimento de natureza romântica que dominou vigorosamente a cena literária desde há muito, parece desvanecer. Claro que é o amor o elemento mobilizador dos imbróglios entre pessoas dentro e fora da ficção, mas este ganha agora outros tons que o dista...