Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Aldous Huxley

A recusa das utopias

Imagem
Por Davi Lopes Villaça Joan Miró. Mulher e cachorro diante da lua (1936). Aldous Huxley e George Orwell escreveram os mais célebres romances distópicos do século passado, buscando expor, na imagem de sociedades futuras, as tendências de seu próprio presente. Em 1984 , Orwell apresentou uma realidade miserável, administrada por um regime totalitário no qual o leitor de 1949 podia reconhecer traços dos recém-derrotados regimes fascistas e do stalinismo ainda vigente; vale lembrar: para Orwell, seu livro refletia também algumas inclinações de potências ditas liberais e democráticas, como Estados Unidos, França e Inglaterra, com seu nacionalismo e autoritarismo crescentes. No romance, as pessoas passam fome, trabalham como escravas e são continuamente vigiadas, mesmo durante o sono. A liberdade é quase nula e   qualquer atitude suspeita ou desviante daquela esperada pelo Partido é punida com a morte. Já em Admirável mundo novo (1932) Huxley imaginou um futuro dourado, verd...

Aldous Huxley, o psiconauta que revolucionou o futuro

Imagem
Por Samantta Hernández Escobar Sua curiosidade e rigor intelectual converteram o escritor britânico Aldous Huxley na mente perfeita para que Humphry Osmond, psiquiatra britânico conhecido por utilizar drogas psicodélicas, pudesse realizar seus primeiros ensaios terapêuticos com mescalina. O polêmico psiquiatra via naquela substância ancestral do peiote uma via para tratar a esquizofrenia. Ele estava convencido que seria mais sensível penetrar na mente de seus pacientes se estavam expostos aos efeitos dos alucinógenos. Essa premissa encantou o escritor britânico que em seus escritos sustentava que a mente do ser humano estava composta por estratos e, portanto, necessitava do auxílio de substâncias externas para que alcançasse seu verdadeiro potencial. Em 1952, apegado a essas conjeturas, o escritor, quem nesse momento tinha 58 anos, se ofereceu para ser tratado pelos métodos de Humphry Osmond. No processo, Huxley encontrou a chave que o permitiu abrir a porta a realida...

O macaco e a essência, de Aldous Huxley

Imagem
Por Pedro Fernandes Diferentemente do livro de Pierre Boulle, em que os macacos descobrem a selvageria do homem e inicia uma revolução que os obrigará a repensar sua condição, não há neste livro de Aldous Huxley nenhum macaco revolucionário. O título da obra, aliás, não chega a ser um atributo próprio do seu autor; O macaco e a essência é o roteiro de um filme concebido por uma certa figura interessada pelas narrativas cinematográficas e abandonado por Hollywood entre toneladas de textos enviadas ao berçário do cinema estadunidense. A única notícia dada pela narrativa que abarca este datiloscrito encontrado casualmente pelo roteirista Bob Briggs, quando o caminhão de descartes deixa voar pela rua umas quantas brochuras das que serão incineradas, é que William Tallis está morto. Assim, o livro de Huxley se apresenta como uma transcrição do texto de William Tallis; a importância que o roteirista atribui a essa brochura, logo, se evidencia pela escolha do escritor inglê...

A ilha, de Aldous Huxley

Imagem
Por Pedro Fernandes O romance de tese é costumeiramente descrito como produto do naturalismo. Trata-se de uma prosa narrativa a serviço da demonstração de um determinado ponto de vista assumido pelo escritor. Mas, atenção! Em menor ou maior grau, toda obra literária, porque construída na e pela linguagem, está interessada em apresentar ou defender certa maneira de compreensão do mundo. Isto é, toda obra literária não está apartada de uma esfera ideológica como foi possível passar acreditar ingenuamente a partir de certo momento da história da literatura. O que, entretanto, favorece o conceito do romance-tese, é que, neste os pontos de vistas são muito transparentes e participam no enforme das personagens, situações e mesmo da atmosfera da narrativa; ou seja, não se trata meramente de uma incursão dispersa através da qual se materializa direta ou indiretamente uma dissertação sobre um tema ou uma questão qualquer. Outra observação pertinente: não se trata de uma forma presa...

A situação humana, de Aldous Huxley

Imagem
Por Pedro Fernandes O livro mais conhecido de Aldous Huxley é, sem dúvidas, Admirável mundo novo , considerado nas listas das melhores narrativas distópicas de sempre. Mas, o inglês é autor de uma extensa e variada obra que inclui, entre outros textos, ensaios intervencionistas como os que estão reunidos em A situação humana . Os textos serviram a um conjunto de conferências oferecidas nos Estados Unidos entre fevereiro e dezembro de 1959 e são de extrema valia por vários aspectos: uma compreensão sobre o pensamento de Huxley sobre o homem e a sociedade; a revelação de uma consciência à frente de seu tempo ao se referir a temas que ainda são muito caros nas pautas políticas contemporâneas; um legado para as gerações futuras sobre novas maneiras de pensar o homem e a sociedade perfazendo o perfil necessário aos novos tempos do intelectual engajado, capaz de responder determinadas questões embaraçosas cujas respostas tratadas pelos especialistas parecem não alcançar um li...

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley

Imagem
Por Pedro Fernandes A lista de títulos de Aldous Huxley publicados pela Biblioteca Azul – Selo da Globo Livros – é bastante considerável: Admirável mundo novo , Contos escolhidos , Contraponto , Os demônios de Loudun , Folhas inúteis , O gênio e a deusa , A ilha , O macaco e a essência , Moksha , As portas da percepção , Céu e inferno , Sem olhos em Gaza , A situação humana , O tempo deve parar e Também o cisne morre ; apresentados aqui não por ordem de publicação, mas por ordem alfabética. É bastante considerável se pensarmos que há importantes nomes estrangeiros com pouca ou nenhuma circulação por aqui. Do Aldous, quem dera podermos alcançar aqui a leitura de, pelo menos, todos esses títulos. Sim, porque, a obra do escritor inglês permanece espantosamente tão ou mais atual de quando sua aparição a partir da década de 1920, quando o mundo ainda vivia com certo encantamento o prodígio das máquinas. E ainda vive, talvez até mais. Não é isso que justifica o encantamento das p...