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Mostrando postagens com o rótulo Cartas

Carlos Drummond de Andrade e a arte de escrever cartas

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“Nas cartas que escrevo costuma insinuar-se o rascunho da grande carta (grande? ou conterá só duas linhas?), mas bem sei que não adianta rascunhar o que não pode ser previsto e menos ainda planejado. Ou a carta se faz espontaneamente na brancura da folha, tão imperativa que só me resta assiná-la, ou todo o meu empenho literário de reunir as expressões mais adequadas resultará na caricatura de um documento que independe de estilização e mesmo a repele. A correspondência da vida inteira torna-se o esboço inútil de uma única peça postal que não tenho aptidão para compor, e não me é ditada, mas que exige ser escrita.   Estamos nisto, eu e a minha carta, já concreta, palpável, legível de tão imaginada: em sua plenitude branca.”  Carlos Drummond de Andrade, “Projeto de carta”,  Os dias lindos    Bilhete que Carlos Drummond de Andrade escreveu a Clarice Lispector após ler De corpo inteiro . Foto: Acervo da família. Arquivo Museu de Literatura da Fundação ...

Correspondência na Barca: cartas trocadas entre Monteiro Lobato e Lima Barreto

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Por Antonella Flavia Catinari Lima, Está escrito no livro do destino que não nos veremos nunca. (...) Espero, porém, que os fados afrouxarão suas leis férreas, e um belo dia, quando menos esperarmos, – Lima! – Lobato! e ferraremos esse abraço encruado. Lobato. (Bilhete enviado por Monteiro Lobato a Lima Barreto, em outubro de 1920, por ocasião da visita de Lobato ao Rio de Janeiro e recolhido por Edgard Cavalheiro em  A correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto , publicada pelo Ministério da Educação e Cultura, em 1955) Analisar a obra e a vida de Monteiro Lobato é um prazer e um desafio constantes, por trazer em cada nova mirada um ângulo ainda não revelado. Ao me debruçar na janela que permite vislumbrar sua trajetória, é sempre uma nova paisagem que se configura ante meus olhos. Como afirma Regina Zilberman em O correspondente fiel e a pesquisadora incansável , “Lobato sempre será capaz de apresentar uma faceta original ao indivíduo curio...

De Virginia Woolf para Katherine Mansfield

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Virginia Woolf em Garsington, 1923. Nesta longa carta para Katherine Mansfield, Virginia Woolf fala sobre como é importante a dedicação da escritora neozelandesa à arte de escrita e a necessidade de as mulheres aprenderem a escrever: “Qual é o seu último desejo, o que faria você aspirar apaixonadamente para escrever livros, histórias e poemas?” As duas escritoras intimamente comprometidas com a literatura, mantiveram uma breve e vigiada amizade; isso porque sabe-se do jogo de sin ceridade que se abriu entre as duas desde quando se conheceram. Tudo começou quando a autora de Mrs. Dalloway iniciou as publicações pela Hogarth Press, primeiro uma editora de fundo de quintal montada com seu companheiro Leonard Woolf. O livro impresso de Mansfield pela nova casa editorial foi Prelude ; o casal Woolf levou aproximadamente nove meses entre a impressão e a encadernação à mão de trezentas cópias. Na carta, escrita depois de terminada a edição, Woolf tece opiniões de outras figuras do...