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Privadas de Henry Miller

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Por Álvaro Corazón Rural Henry Miller.   Cuide do seu ânus. Cuide do seu ânus! De todo o conhecimento universal, este é o único conselho que vale a pena dar a uma criança. Pode-se quebrar o quadril, sofrer de estômago, não enxergar bem, ter dores nos ossos: muitas dores aguardam o envelhecimento, mas todas as decisões tomadas na vida devem ter como objetivo garantir que o sofrimento nunca venha da flor sagrada.   Durante o século XX, milhões de homens se jogaram nos braços da enfermidade retal, ignorando os riscos que corriam. Não importava se eram carecas com bigodes franquistas ou liberais barbudos de óculos; ambos os universos irreconciliáveis ​​se trancavam da mesma forma no banheiro para esvaziar suas necessidades sem sair até que não tivessem completado as palavras cruzadas. Sim, as palavras cruzadas ou as autodefinidas, esse arcano indecifrável para um rapaz da atualidade doutorado em qualquer licenciatura em Humanidades.   Na literatura científica, quem além de di...

Os oito odiados, de Quentin Tarantino

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Por Pedro Fernandes Tornou-se lugar comum a exaltação da genialidade: basta que alguém faça alguma coisa que se distinga das formas triviais e ganhe com isso alguma visibilidade. Fazer alguma coisa que se distinga das formas triviais, entretanto, nem sempre é um signo de genialidade, logo, não é possível chamar alguém, por esse motivo, de gênio. Essa questão é trazida para o início de um texto que aparentemente se configura como um conjunto de notas sobre o mais recente trabalho de Quentin Tarantino por uma causa – a febre que tomou alguns expectadores mais exaltados, fãs do diretor, a partir de Os oito odiados .  Se esta é uma das produções melhor realizadas – é meu ponto de vista, de alguém que descobriu o diretor em Pulp fiction (o título que certamente o tornou querido entre todos), deixou de ver alguns outros trabalhos seus e, a partir de Kill Bill não perdeu nenhum dos seus filmes – isto não o faz de um todo genial. Mesmo porque o adjetivo talvez nunca sirva ...