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Martin Walser: o escritor e o polemista

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Por Judith Kunze Martin Walser. Foto: Felix Kaestle   “Pode-se dizer que é a compulsão constante de não deixar que a dor incessante da existência tenha a última palavra.” Esta frase de um dos mais importantes romancistas alemães do pós-guerra, Martin Walser — nascido em 1927 em Wasserburg e falecido no final de julho de 2023 em Überlingen — é talvez o que ilustra mais claramente a estrutura das suas personagens literárias, anti-heróis que lutam com conflitos internos, vivenciam decepções, enganam-se, fogem e fracassam.   No entanto, a maioria das pessoas associará Martin Walser a uma figura altamente controversa que defendia veementemente as suas opiniões em público. Assim, muitos se lembrarão da grande disputa mediática com Marcel Reich-Ranicki, desencadeada pelo seu romance de 2002, Morte de um crítico , ou pelo seu discurso em Frankfurt, em 1998.   O comprometimento político de Walser foi mais do que a “percepção de um tema obrigatório”, como chamava o próprio autor, s...

O autor como personagem: o Goethe de Martin Walser

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Por Alfredo Monte   OS SOFRIMENTOS DE WERTHER ENVELHECIDO   “Que ora devo esperar de algum rever, Da flor ainda fechada deste dia? Com Paraíso e Inferno a te envolver, Na indecisão tua alma se angustia! – Adeus, ó dúvidas! No umbral dos Céus Ela te leva a alçar nos braços seus. … No Paraíso então foste acolhido, Como se jus fazendo à vida eterna; Finda a esperança, e o desejo contido, Cá estava pois a meta mais interna, E ao contemplar da singular beleza Secava a fonte ansiosa da tristeza. (…)   A um seu olhar, como ao vigor solar, E a um sopro seu, como aos da primavera, Derrete-se o egoísmo a degelar Toda a crosta invernal em que estivera; Finda o interesse, acaba a teimosia, Quando ela chega e os põe em letargia. … É como se dissesse; `De hora em hora A vida se oferece amigamente. Do passado o registro é incerto agora. Do amanhã é vedado estar ciente. E se com a noite eu já me amedrontei, Com o pôr do sol, que brilha, me alegrei. … Faça pois como eu: sensato e rindo, O...