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O lado bom da vida, de David O. Russel

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Já foi comentário por aqui da grande gafe cometida nesta última edição do Oscar ao dar o prêmio a Jennifer Lawrence pela sua atuação neste filme. Não é que atriz não esteja bem. É que a atuação é simplória se formos ver o trabalho de Emmanuelle Riva, por exemplo, em Amor – comentávamos. Se a atuação é um caso à parte e houve injustiça, é caso de se perguntar se o filme não atende à expectativa do telespectador. Não, não atende. Tem um enredo bem construído, uma narrativa sem arestas, mas não atende a expectativa do telespectador. Talvez os arsenais que nos preparam para ver o filme, o trailer, boa parte das resenhas e aquela badalação feita em torno da produção de David O. Russel sejam os reais responsáveis pelo dissabor enfrentado por quem se senta quase duas horas para vê-lo. Agora, não é caso de dizer que seja este O lado bom da vida um péssimo filme. Também não. O diretor já cometeu coisas piores, mas não é este nada que decole do chão. Tudo é muito previsível e o dra...

Os 50 anos de O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar

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Julio Cortázar em 1963, mesmo ano em que publicou O jogo  da amarelinha . Foto: Arquivo do Jornal Clarín . Há uma parcela considerável da crítica literária que não tem em Julio Cortázar a imagem de um grande escritor no sentido extremo da palavra tal como é Jorge Luís Borges, Macedonio Fernández ou outro nome de igual envergadura da literatura produzida na América Latina. Natural, no mesmo nível em que se faz considerações do tipo ao escritor argentino também se faz a nomes como José Saramago, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade. Tenho lido. Duas linhas nascem aqui: uma sobre o entendimento do termo ‘grandiosidade’ e que considera a necessidade de renovação plena e constante de um escritor; assim, se um escritor constrói um estilo e não opera grandes alterações nele ao longo de sua produção literária, não se pode ‘taxá-lo’ de importante nome da literatura de um país; e a outra linha é ingênua, tem a ver com gosto pessoal e, assim, se determinado escritor não lhe ‘...

Os desenhos de Aldemir Martins para “Vidas secas”, de Graciliano Ramos

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Ilustração de Aldemir Martins inserida no capítulo “ Fabiano ” , de Vias secas . (clique sobre a imagem para ampliar) O nome de Aldemir Martins já está entre os da galeria de artistas plásticos do Brasil. Como terá definido os escritores Nilson Moulin e Rubens Matuck em Aldemir Martins – no lápis da vida não tem borracha , “Aldemir Martins é um homem cultíssimo. Como dizem em certas regiões do interior do Brasil: é um poço de sabedoria.” O trabalho que compôs para Vidas secas , de Graciliano Ramos, data de 1963 e foi publicado na 9.ª edição do romance. E tem uma particularidade: Martins incorpora o traço agudo, simples, seco do estilo literário que consagrou o escritor brasileiro; dessa intersecção  nascem os seus desenhos que tornam visíveis a geografia e as figuras do romance. Ilustração de Aldemir Martins inserida no capítulo “ O menino mais velho”, de Vidas secas . A ilustração também serviu de capa para algumas das edições do romance. (clique sobre a imagem pa...

Júlio Verne

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Júlio Verne por Félix Nadar (detalhe) Poderão acusar Júlio Verne por muita coisa, menos por ser um escritor desprovido de imaginação. Talvez seja este aspecto – o da imaginação – o convite inconsciente para entrada numa obra das mais lidas no mundo. Ainda por esse caráter imaginativo a literatura de Verne, quase sempre associada ao plano infanto-juvenil, foi e é porta de entrada ao universo da leitura de muita gente. Se do lado francês, autores como Proust que registra em Em busca do tempo perdido um dos romances do autor de Viagem ao centro da terra , do lado brasileiro Machado de Assis, entre outros, terão dado seus palpites favoráveis sobre a literatura verniana e sua influência na formação leitora. Precursor da ficção científica, Verne ainda ‘previu’ a partir dos avanços científicos de seu tempo muitas das invenções humanas, como o helicóptero, as armas de destruição em massa, as naves espaciais, o submarino, os grandes transatlânticos... E os grandes acontecimentos hist...

Boletim Letras 360º #5

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Mal findamos uma, principiamos outra: está valendo desde que recebemos por aqui dois exemplares do livro de Fred Spada autografados pelo poeta mais um sorteio na página de leitores do Letras in.verso e re.verso no Facebook. O sorteio é daqui a sete dias e, portanto, dá tempo ainda de correr (sem desespero) para  ver o regulamento e participar . Enquanto não se vai mais uma promoção, queremos relembrar por aqui o que de bom se passou na dita página e que os leitores por razão diversa não puderam nos acompanhar. Então, vamos lá? Maquete para a Biblioteca Nacional do Qatar Segunda-feira, 18/03 >>> Qatar: A biblioteca Coisa de cinema. Vê a imagem que abre esta postagem? É uma maquete para a Biblioteca Nacional do Qatar. A construção vai adiantada e a equipe de engenharia divulga que sua inauguração será em 2014. O prédio foi desenhado pelo renomado arquiteto Rem Koolhaas. O espaço quer ser um novo conceito de biblioteca; projetado para ser uma ponte entre ...

Os Lusíadas, de Camões

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Detalhe do frontispício de Os lusíadas , edição de 1572. Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal. Como todo clássico é uma experiência única, encontrar-se pelo caminho das leituras com este texto de Camões não será diferente. Afinal, Os lusíadas é a obra que mais repercute nas literaturas de língua portuguesa. Basta pensar aqui alguns títulos de alguns dos mais conceituados escritores para ter uma clara noção e logo atribuir razão a esse entendimento. Do lado de lá do Atlântico, a epopeia de Camões é eco forte na obra de Fernando Pessoa, que repetiu a proeza de canto ao povo português no seu Mensagem ; José Saramago terá feito o mesmo com A jangada de pedra ou com a intertextualização de episódios e citações diretas do clássico camoniano em boa parte de seus romances.  Do lado cá, ecoa Camões por Carlos Drummond de Andrade se formos reparar o episódico poema “A máquina do mundo”, do livro Claro enigma . E se formos sair à cata, daremos, com certeza, com novos e...