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Leonard Cohen, o apaziguador sussurro

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Por Fernando Navarro Figura capital da música contemporânea, Cohen demonstrou durante toda sua carreira que não havia mentira em sua obra. Cantava a verdade. E, de maneira mais assombrosa e dolorida possível, o fez pela última vez em You Want It Darker , seu último álbum, publicado há apenas um mês. Um álbum que soava despedida, que, com sua crueza instrumental e sua voz íntima e sombria, ficou esculpido como um barqueiro do Hades, servindo de trânsito até o outro lado da margem infinita. Como cantava na obscura composição que dá título ao trabalho, o músico confessava com seu tom grave que estava “fora de cena”, “velho” e “coxo”. “Estou preparado, meu senhor”, dizia num estribilho que agora já se sabe era premonitório. “Imagino que sou alguém que simplesmente renunciou a mim e a ti”, destacava em Traveling Light . Era uma obra em que planejava a morte do início ao fim. Esta que agora chegou. Nascido em Montreal, Canadá, em 1934, Cohen, que cresceu no meio de uma família...

Tempestades de aço, de Ernst Jünger

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Por Pedro Fernandes Tempestades de aço , de Ernst Jünger, está marcado pelo espírito de seu tempo: aquele que, saído do romantismo, mas ainda preso a ele, acreditou de forma – se irracional aos nossos olhos de hoje – coerente e absoluta na necessidade da guerra para refundação da civilização humana. Que acreditou na ruína como base para uma diversa quantidade de impasses, inclusive espirituais de indivíduo para indivíduo. Se este é um ponto de partida e justifica a maneira louvável como o escritor constrói seus modos de ver o dia-a-dia no front , não deve ser o ponto definitivo para uma compreensão sobre a obra dentro e fora desse contexto. Isto é, o leitor não pode, de maneira alguma, passados tantos anos do conflito de 1914, e cuja expressão, ainda mais danosa, se repetiu poucos anos depois como se numa ressurreição do espírito não expurgado do conflito anterior se deixar levar por essa única perspectiva. O relato do escritor alemão está tomado pela ambivalência – e ...

Canadá, de Richard Ford

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Por Javier Úbeda O romance começa de maneira espetacular e arriscada que nos deixa já boquiabertos desde as primeiras linhas, contando-nos um feito tão chamativo, significativo e melodramático que marcará todas as situações posteriores. “Para começar, vou contar o assalto que meus pais cometeram. Em seguida, os assassinatos que aconteceram mais tarde”. A partir daí, o leitor não fará outra coisa que ir dando nós como possa, um após outro, no ritmo marcado por Ford, quem tão sabiamente o guiará e deixará aqui e ali pequenas antecipações que atuarão como anzóis que antecipam algo desta fascinante história, mas não em sua totalidade, já que a trama, que está perfeitamente urdida, manterá em suspense até o final. O narrador é o já sexagenário Dell, mas no início nos contará sua história com o frescor do adolescente que um dia foi quando sucedeu o assalto produzido por seus pais, sua posterior fuga para refugiar-se no Canadá, atendendo o desejo expresso de sua mãe quem deci...

Albert Camus jornalista

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Provavelmente esta é uma novidade conhecida apenas dos admiradores mais próximos à obra de Albert Camus – porque sabe-se de sua faceta como escritor, ensaísta, romancista e dramaturgo – mas não de jornalista. Mas seu trabalho nesse meio é de extrema valia para compreender algumas nuances de sua obra artística e as posições pessoais do escritor que, se hoje fosse vivo, seria com certeza um militante em nome da liberdade de expressão e crítico ferrenho do atual modelo de se fazer jornalismo – ora atendendo interesses escusos das grandes empresas que o patrocina ora posicionando-se de maneira tendenciosa em favor de determinadas pautas cujos valores repousa apenas no retorno financeiro e nos interesses dos grupos dominantes. Sua trajetória, inclusive, ensina muito sobre a escassa ética aos jornalistas de hoje. “Jornalismo  clandestino  é  honrável  porque  é  uma  prova  de  independência,  porque  envolve um risco...

Homens imprudentemente poéticos, de Valter Hugo Mãe

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Por Pedro Belo Clara O novo trabalho do autor de A desumanização  tece a cada leitor seu um tenro convite ao mergulho na intimidade profunda de um Japão perdido na memória de séculos passados, um território de gentes supersticiosas e ainda sujeitas ao peso dos singulares pressupostos da sua mitologia: bosques onde espíritos sombrios vagueiam sem descanso, lagos de peixes falantes, canaviais onde o vento desfia madrigais de melancolia. Será através de tais directrizes que o autor nos levará a conhecer as personagens-base em torno das quais toda a narrativa se irá desenrolar, tomando assim o primeiro contacto com o singelo tecido com que se apresenta a dócil fímbria de mais um romance de Valter Hugo Mãe. A história centra-se essencialmente em Saburo, um humilde oleiro que tem em sua delicada e diligente esposa, Fuyo, o amor de toda a vida, e em seu vizinho Itaro, um talentoso artesão que vive com a sua cega irmã, Matsu, e a criada da família, a senhora Kame. Vistas as ...

Boletim Letras 360º #194

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Poema inédito de Anne Frank vai a leilão. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Toda semana editamos notícias sobre o universo de interesse do Letras em nossa página no Facebook, local virtual que alcançou mais uma marca: somos 48 mil amigos! Por este e por outros números - o blog chega aos 10 anos online neste mês, convidamos para participar de uma promoção com livros muito bacanas. Saiba mais  aqui . Segunda-feira, 31/10 >>> Brasil: Novo título da Editora Carambaia é um clássico de Herman Melville de antes de Moby Dick Jaqueta branca ou o mundo em um navio de guerra  é um dos relatos de Melville de seus dias na Marinha dos Estados Unidos, entre 1843 e 1844. Nos 14 meses retratados na obra - que sai pela primeira vez em dezembro - o “moço dos convés” Melville passou por diversos países a bordo da fragata estadunidense - inclusive algumas semanas no Rio de Janeiro. A cidade é apresentada como detentora de “uma das baías mais magnífica...