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Boletim Letras 360º #509

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    DO EDITOR   1. Caro leitor, abrimos as inscrições para o clube de apoios ao Letras no mês de dezembro. Disponibilizamos quatro livros e queremos sortear quatro leitores. Para saber como se inscrever para os sorteios, visite aqui .   2. Reiteramos, por fim, que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim garante a você desconto e ajuda ao blog sem pagar nada mais por isso .   3. Um abraço e bom final de semana com boas leituras! Albert Camus. Foto: Keystone-France.   LANÇAMENTOS Livro investiga A prosa do Transiberiano e a pequena Jehanne de France , de Blaise Cendrars e Sonia Delaunay .   Um livro que ao ser desdobrado revela uma longa página com poesia e campos coloridos. É essa a proposta do trabalho de Blaise Cedrars e Sonia Delaunay em A prosa do Transiberiano e a pequena Jehanne da França (La prose du Transsibérien et de la Petite Jehanne de France). Lançado em 1913, é considerado um livro-objeto emblemá...

Naqueles dias havia sempre amigas em casa

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Por Pilar del Río José Saramago à janela de sua casa em Lanzarote.   Não combinaram, mas iam chegando a Lanzarote amigas que nunca tinham passado pela ilha, ou que havia tempo não apareciam, ou que, sem grandes explicações, encontravam uma desculpa para estar ali e dividir com José Saramago os momentos que o trabalho ou o avanço da doença permitiam.   Chegaram da Argentina ou do México, de Portugal, da Alemanha, da Itália, da Espanha. Eram escritoras como Ángeles Mastretta, uma das últimas a passar pel’ A Casa , ou Nicole Witt, sua agente literária, Annie Morvan, sua editora francesa, ou Pilar Reys, sua última editora em espanhol; ou Patricia Kolesnicov, sempre tão próxima apesar de viver em Buenos Aires, ou Lola Cintado, Mamen Otero ou Marta Carrasco, amigas de toda a vida. Também de Portugal chegaram Carmélia Âmbar, Antonietta Tessaro ou Teresa Beleza, que irromperam em grupo, ruidosas quase todas, imprescindíveis na hora de ouvir um concerto, tomar o café no jardim ou simpl...

José Saramago e a trajetória do romance

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Por Pedro Fernandes José Saramago em seu escritório Desde cedo José Saramago foi um homem feito de palavras. Mas isso, de alguma maneira, todos nós somos. Quando pensamos o mundo como uma matéria derivada da relação que com ele mantemos mediada pela consciência, sabemos que nada existe, nem a própria consciência, sem a palavra. Ainda assim, a afirmativa se reveste de uma dimensão particular quando seu referente é um escritor. É que nesse caso a palavra é também seu ofício e especificamente em Saramago a escrita não é somente seu produto, mas via de interrogação sobre o mundo. Evidentemente que não foi ele inaugurador dessa singularidade — herdada, claro está, do modelo do intelectual engajado do qual Jean-Paul Sartre foi seu conceituador e um típico representante e das motivações de corte social-marxista —, mas é quem a resgata numa ocasião quando constatamos o assoreamento do lugar social do intelectual e ainda quando os valores da escrita literária se tornam ora presos a um fechamen...

José Saramago — português e universal

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Por José Vieira José Saramago. Foto: Fernando Peres Rodrigues.   Era uma vez um homem nascido na Azinhaga e que lá voltou para nascer outra vez. Era uma vez o neto de Josefa Caixinha, a menina de 90 anos que tinha pena de morrer porque o mundo era tão bonito. Era uma vez o neto de Jerónimo Melrinho, o velho que sentindo a morte chegar foi despedir-se de todas as árvores do quintal. Era uma vez José de Sousa, o homem que se fez Saramago e ganhou o Prémio Nobel da Literatura. Era uma vez o centenário desse escritor, feito a pensar nos próximos cem anos. Era uma vez um escritor, um autor, um narrador, um cidadão. Era uma vez.   O homem que não nasceu “para isto” é o mais universal de todos os escritores de língua portuguesa. Se é certo que o Nobel pode ser visto como mais um prémio, havendo interesses políticos e ideológicos à mistura, a verdade é que, no caso do escritor português, este é um prémio mais do que justo e merecido. Um galardão que reconhece o percurso de um homem qu...

Tempo ao tempo. Itinerário poético de José Saramago

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Por José María Muñoz Quirós José Saramago. Foto: Gonçalo Rosa da Silva   Os poemas possíveis   1. Até ao sabugo   A trajetória poética do escritor português José Saramago se inicia tardiamente, numa idade pouco habitual para escrever poesia, para se abrir caminho na linguagem literária exigida pelo poema.   Com quarenta e quatro anos aparece a primeira edição de Os poemas possíveis e este livro se inicia com uma citação que esclarece o sentido do labor poético de Saramago: tempo ao tempo para encher o vaso da palavra, para fazer-se poeta, para exercer a alta missão da escrita.   Neste livro, cuja primeira parte se intitula “Até ao sabugo”, é o ponto de partida que favorecerá diferentes campos e territórios nos quais o escritor se moverá; se desenvolverão ideias e conceitos que já aparecem no primeiro poema cujo título é o mesmo que a primeira do livro.   Para escrever poesia é preciso ter algo a dizer, é preciso sentir a urgência e a razão última dessa pr...