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Mostrando postagens com o rótulo A solidão imortal do vampiro

A solidão imortal do vampiro (IV)

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Por Márcio de Lima Dantas Lua nova: Louis, o encontro consigo mesmo ou as sóbrias alvíssaras do zen Sempre reclamando da vida me ferindo, me queimando Rita Lee Não esquecer que Louis de Point Du Lac (Brad Pitt), vampiro com 200 anos de idade, cedo compreendeu que para se desvencilhar da solidão, quer dizer, aplacá-la, teria que de alguma maneira desumanizar-se, sendo que o espelho dessa coisificação é o seu companheiro Lestat, resumo de tudo o que ele julga como odioso, cínico e contrário a si. Companheiro-inimigo capaz de mangar o tempo inteiro dos seus conflitos íntimos, sem a mínima compreensão ou piedade, não perde uma oportunidade de passar na cara as fragilidades do amigo, proclamando frases ácidas com o intuito de ferir o outro: “Vampiro lamurioso e covarde”; “Meu filósofo, meu mártir”. Esse comportamento destrutivo para com quem se ama, nos leva a supor o quão sacana é Lestat, pois se vale de uma ética perversa, contempladora do amor como sentimento dúbio:...

A solidão imortal do vampiro (III)

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Por Márcio de Lima Dantas Cláudia (Kirsten Dunst) no filme Entrevista com um vampiro .  a vampira-menina "Cláudia arrasta consigo o étimo do seu antropônimo. Falo da sua maldita condição de nunca poder ser a completude do outro. O étimo da palavra Cláudia quer dizer “coxa, manca, incompleta” – pessoa que não servirá de cara metade para ninguém.  Lua quarto minguante: Cláudia, a mulher como eterno joguete dos homens (o irremediável mal da “condição feminina” face ao âmbito do masculino) Como sabemos, o vampiro permanece durante toda a eternidade com o corpo igual ao que estava no dia em que foi transformado em imortal pela mordida e pelo sugar daquele que lhe bebeu o sangue. Daí o fato de a personagem Cláudia (Kirsten Dunst) permanecer com o corpo de menina, mesmo tendo a alma de uma mulher extremamente intuitiva e maliciosa, sendo capaz de fazer uso de qualquer expediente para conseguir o que deseja. O engraçado é que a vampira-menina Cláudia arrasta c...

A solidão imortal do vampiro (II)

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Por Márcio de Lima Dantas Lua cheia: falando do filme No filme Entrevista com o vampiro , de Neil Jordan (1994) tudo pontifica a beleza e o requinte. As cenas sugerem um caráter expressionista. Há uma certa tendência em se acentuar os elementos constituidores do cenário enquanto fato semiótico: o mobiliário, as indumentárias, a música; requinte com certo toque de barroco. Outra coisa é o propósito consciente de vestir as personagens de determinadas cores. Lestat, por exemplo, sempre aparece em matizes de azul, enquanto no personagem Louis preponderam o verde e suas nuanças. Cláudia oscila entre as duas cores. O misterioso Armand está sempre de negro. A belíssima música “Madeleine’s lament” é uma homenagem à esposa de Louis, quando este vai ao cemitério prantear a morte da amada, embriagando-se de álcool, num gesto de profundo desespero de quem lhe escapou o maior bem – fatalidade capaz de destruir abruptamente uma relação de amor e completude. Seu semblante pesaroso ...

A solidão imortal do vampiro (I)

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Por Márcio de Lima Dantas Cena  Nosferatu , de F. W. Murnau (1922). Lua: ergue-se ao crepúsculo            O mito do vampiro encontrou no final do séc. XX e início do XXI um substrato socioantropológico que o fez não apenas se revigorar, mas, sobretudo, engendrar novos arranjos e adquirir uma feição com contornos extremamente marcados, integrando, em definitivo, o conjunto dos principais mitos que constelam o patrimônio imagético do ocidente. Com efeito, o onirismo do mito do vampiro foi bastante tonificado nos últimos cem anos. Revigorado e modalizado de diversas maneiras e em vários meios, permaneceu preso à aura simbólica da lenda codificada na Transilvânia (em torno do séc. XV) e recriada literariamente na obra de Bram Stocker (séc. XIX). Sem dúvida, o vampiro e suas imagens encontram-se impressos na geografia física e inconsciente, fincando-se como um dos mais populares dentre a inumerável plêiade de seres imaginários que “at...