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Mostrando postagens com o rótulo Arthur Miller 100 anos

No teatro de Arthur Miller, as mulheres em segundo plano

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Por Lourdes Ventura Cena de uma das adaptações de As bruxas de Salém para o teatro. Aqui, em 2003, pelo grupo CCM. Em certos dramas de Arthur Miller as mulheres parecem destinadas a gravitar como satélites ao redor dos protagonistas masculinos, heróis fracassados que carregam o peso do mundo. Se a família é o núcleo centro para evocar as pressões sociais sobre os indivíduos, a figura da esposa-ama da casa contribui para a projeção de uma sombra, um sujeito em segundo plano. O professor Jeffrey Mason considera que nas obras iniciais de Miller os papéis femininos pertencem a dois estereótipos: o da esposa e o amante. As primeiras são complacentes e sacrificadas e as segundas tentadoras e sensuais; em ambos casos, com personalidades passivas, sem individualidade própria e só definidas em relação com os homens. Martin Gottfried chega a dizer que “as obras de Miller são essencialmente histórias de homens”, mas um olhar mais atento sobre Linda Loman, a mulher-esposa em A morte...

Miller, Ibsen e o teatro da consciência

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Por Ignacio García May Em 1950, quando Arthur Miller começava a converter-se no dramaturgo de prestígio que mais tarde seria, estreou no Broadhust Theatre de Nova York uma adaptação de Um inimigo do povo , de Henrik Ibsen, com o grande Fredric March como protagonista. É este um dado relevante, porque se algum teatro parece haver exercido influência no autor estadunidense é precisamente o do norueguês. Sem dúvidas que há diferenças claras entre ambos: Ibsen, apesar de sua aparência de funcionário espalhafatoso era um poeta com uma veia selvagem, enquanto Miller respondia pelo arquétipo do intelectual judeu nova-iorquino, muito mais cerebral que apaixonado. No texto original, Stockmann, super-homem nietzschiano, clama: “A maioria está sempre equivocada!”, enquanto na versão de Miller a frase é: “A maioria nunca tem razão até que faça coisas boas!” Marcos Ordoñez chamou Miller uma vez de Miss Consciência Social 1940, o que fato é sua tendência ao permite que o conselho sup...

À esquerda de si mesmo

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Por Manuel Hidalgo Arthur Miller (1935-2005) se fez pelo paradigma do intelectual estadunidense de esquerda. Seu êxito como criador, seu compromisso político e sua relação com Marilyn Monroe o dotaram de uma grande projeção pública. Alto, esbelto, atraente, de ampla fronte, com óculos de pensador e, frequentemente, cachimbo entre os lábios, ele forjou uma imagem midiática que o tempo atenuou, mas não conseguiu dissolver. Nova-iorquino, com infância entre Manhattan e Brooklyn, estudou jornalismo na universidade de Michigan. Filho de imigrantes judeus e poloneses, manteve certa militância no judaísmo laico, apoiando a criação do estado de Israel e denunciando o antissemitismo, notoriamente em seu romance Foco (1945). Todos eram meus filhos (1947) foi, entre as várias criações, seu primeiro triunfo como dramaturgo na Broadway. De Ibsen a O’Neill, a obra transparecia suas influências realistas e a herança do Group Theatre, que Miller caracterizaria substancialment...

Um bando de selvagens desajustados

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Por Carlos Reviriego Arthur Miller e Marilyn Monroe. No auge da inserção do dramaturgo no cinema. A relação de Arthur Miller com a indústria e a arte do cinema foi esquiva, tangencial, anedótica, frustrada e, em termos pessoais, catastrófica. São muitas as traduções para a tela de seus textos teatrais, embora poucas memoráveis, enquanto seu vínculo direto com o cinema está obviamente marcado pelo seu curto casamento com a estrela mais deslumbrante da sétima arte, Marilyn Monroe. Na verdade, foi na tela onde ambos deixaram a consequência de sua devastadora ruptura. No selvagem e crepuscular Os desajustados (The Misfits, 1960) filmado por John Huston está a autópsia de um amor que já era cadáver, o amargo fim de uma relação e o último filme de dois ícones do século XX: Clarck Gable e a própria Marilyn. De fato é praticamente a única produção do gênero, hoje de ressonâncias míticas, que contou com a participação direta e a supervisão constante de Miller – escreveu o roteiro a ...