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O rico trabalho de Pilar em torno de José Saramago

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Por Pedro Fernandes Pilar del Río fotografada na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago Foto: Campiso Rocha para Revista Caras Já em José e Pilar ficamos sabendo de que, ao lado do escritor português José Saramago, esteve uma pulsante mulher de sangue espanhol chamada pelo forte e sugestivo nome de Pilar del Río. Era ela quem cuidava de toda organização da vida pública do escritor: recebendo cartas, acertando viagens, cumprindo protocolos.  Mais tarde, a jornalista fez-se tradutora da obra do companheiro para o espanhol e desde então tem sido a principal ponte da literatura saramaguiana com os leitores não somente em Espanha e os falantes do espanhol, mas no restante do mundo. Pilar, talvez já tenham dito, é a memória viva de uma figura que, justamente por sua presença marcante, deixou um grande vazio depois de 2010.  Incontáveis são os percursos realizados por Pilar del Río por tantos países a levar a obra do Prêmio Nobel, que continua a se multiplica...

E ele nunca sai de moda

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Há pouco mais de um ano quando a editora portuguesa Babel aportou em terras brasileiras trouxe algumas novidades; além de uma caprichada edição de Indice das cousas mais notáveis , de Padre António Vieira, também trouxe-nos uma não menos caprichada edição do único livro publicado em vida por Fernando Pessoa, Mensagem : uma edição símile da editada em 1934, um ano antes da morte do poeta. A prova recebida pela gráfica com assinatura do Pessoa e marcação nas 102 páginas do volume e o risco no título original que deveria ser "Portugal" com a substituição por Mensagem foi integralmente fotografada e publicada com a devida pompa pela Babel brasileira. Depois seguiram-se as publicações de alguns contos também do Pessoa editados em formato de bolso: O banqueiro e o anarquista , O marinheiro e A essência do comércio , as que tive acesso. Todos são trabalhos que não haviam tido até então, pelo que sei, uma ampla estadia em terras tupiniquim. Tudo isso, para dizer que, agor...

Carlos Drummond de Andrade inédito

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Uma obra que talvez nunca deixe de ser inédita é a de qualquer grande escritor porque a cada época pode ela ser lida com uma disposição totalmente nova. Mas, a novidade que me veio pela imagem da capa da próxima edição da Revista BRAVO! foi, de imediato, a que me chamou atenção e logo compartilhei na minha página pessoal no Facebook . Depois, dei com uma matéria posta numa edição ainda de 2009, pela revista Veja sobre o achado anunciado pela anterior: os inéditos de Drummond, achados e em poder do professor e poeta Antonio Carlos Secchin, virão a lume numa edição a ser lançada em julho próximo, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, que homenageia o poeta neste ano.  A primeira obra que Carlos Drummond de Andrade publicou foi Alguma poesia , em 1930, com uma modesta edição com tiragem de 500 exemplares autocusteada. É desta obra os clássicos "No meio do caminho", "Quadrilha" e "Poema de sete faces"; ou seja, nem é preciso dizer que...

Esquecer Saramago

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Por Pedro Fernandes Quando, no ano em que desenvolvi um largo contato com artistas plásticos para uma releitura da obra de José Saramago¹ a partir dessa arte tão mais complexa quanto à literária, não imaginava que em algures se dava a criação de um trabalho de tamanha riqueza visual como este que conheci por esses dias.  Enquanto apreciava o projeto, contava mentalmente a necessidade de apresentá-lo, dizer alguma coisa, por aqui. O dia chegou.  E vou dá mais crédito para algumas imagens do que às palavras, porque elas falam o que é necessário ouvir, sendo que o caminho percorrido até ao ouvido é outro, o da visão. Esquecer Saramago: doze partidas para uma homenagem  é o título de uma obra coletiva conduzida pela Palavrão  —  Associação Cultural.  Busca uma relação entre texto e imagem compondo um extenso mosaico para uma releitura da obra do escritor português. Compõe-se de doze projetos de artistas plásticos, que buscam no ritmo do texto sarama...

James Joyce, sim, ele está na moda

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No ano em que parte significativa do espólio de James Joyce foi disponibilizada na web , o autor parece que definitivamente entra na moda do meio literário brasileiro, o que não quer dizer que tenha o escritor de Ulisses caído no gosto dos leitores. Mas, ao menos até junho, mês de celebração do Bloomsday, a obra sua terá certo crédito por aqui. E tudo começa nesta semana quando se anuncia a chegada às livrarias da nova tradução de  Ulisses realizada por Caetano Galindo; o livro chega pelo selo Penguin Companhia, da Companhia das Letras. Depois, chegará pela editora Hedra, que prevê para a segunda quinzena de junho, Stephen Herói , livro inacabado de James Joyce e ainda inédito em terra tupiniquim. O romance  tem como personagem central o alter ego do escritor irlandês, Stephen Dedalus, que aparece em Um retrato do artista quando jovem e no próprio Ulisses .  A tradução do material de  Stephen Herói  foi encomenda a José Roberto O'Shea. Antes do ...

Ler a Odisseia (parte VI)

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Por Pedro Fernandes Ulisses na Corte de Alcínoo, de Francesco Hayez (1813-1815) Talvez o que haja de mais moderno no texto homérico seja a refundação da palavra no horizonte textual. Primeiro, como instância fundadora da realidade, depois, como intermédio entre a vida terrena e a eternidade. A própria Odisseia é um texto que não se sustenta apenas pela voz externa do aedo, mas pelas vozes internas que vão compondo ao leitor uma extensa camada de matérias que, não raras vezes se confundem e são o próprio itinerário pessoal de Ulisses.  Notemos que no princípio da grande empreitada que conduzirá o herói ao retorno para Ítaca, que Telêmeco, designado por Atena, se depara já com a odisseia sendo contada pela boca de Menelau, depois será o próprio Ulisses quem se encontrará com sua própria história, quando num banquete entre os feácios, Demódoco canta sobre suas peripécias. Mas, até então temos um narrador que se coloca à busca de um tom ideal para sua história, afinal, ...