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A prosa de Fernando Pessoa no Brasil e uma arca que são duas

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Por Pedro Fernandes O poeta com Augusto Ferreira Gomes descendo o Chiado. Fonte:  Multipessoa net Lembra que falamos aqui de dois novos livros vindos a lume em Portugal com contos de Fernando Pessoa? Pois bem, trabalha no silêncio que dele nasce as boas surpresas. É que agora, a Língua Geral deu a conhecer uma edição intitulada Um grande português, contos, fábulas & outras histórias , organizada, prefaciada e anotada por Zetho Cunha Gonçalves, um dos especialistas na obra do poeta português. O livro que já fora editado em 2008 pela Bonecos Rebeldes (ou pelo menos é protobibliografia do que agora se publica) reúne toda a produção no gênero prosa curta escrita pelo poeta do desassossego, além de traduções que ele fez de contos do escritor estadunidense O. Henry. Sim, Fernando Pessoa ele mesmo também se multiplicou em várias frentes. Anotaram? Poeta, prosador e tradutor. E, certamente, outras mais ainda existirá. O livro é um achado na bibliografia brasileira que tem se...

Fernando Pessoa desfigurado

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Por Pedro Fernandes Julio Pomar. Triplo retrato de Fernando Pessoa com corvo. Todo e qualquer estudo – grande ou pequeno – está suscetível a erros. Ainda mais se o pesquisador for um tanto ganancioso e confiar plenamente nas suas suposições. É sabido que suposições e mentiras quando lapidadas ao extremo passam a atuar como verdade e, pronto, o desastre, depois disso, estará feito. Quando saiu por aqui o catatau Fernando Pessoa – uma quase autobiografia , de José Paulo Cavalcanti Filho (Editora Record, 2012), ainda o peguei em mãos com afoito interesse em comprá-lo. O preço, entretanto, me fez recuar. Depois, estive lendo algumas críticas que destacavam que o próprio autor proclamava não sei quantos heterônimos além dos três conhecidos (Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro), a revelação de que Fernando Pessoa havia sido homossexual, pelo menos até certo tempo de sua vida e depois havia desistido da ideia; nunca praticou sexo com outros homens, mas algumas atitud...

Ernest Hemingway

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Quem não terá lido o clássico O velho e o mar ? Para mim, foi um dos primeiros livros com esse epíteto que tive privilégio de ensaiar leitura. Ainda criança, quando a escola que eu estudava criou e deu chance aos seus alunos a ideia de biblioteca, num tempo em que escola do nível básico de ensino ainda era coisa de certa valia. Na época não cheguei a findar a leitura: pareceu-me um texto longo demais e eu tinha a vã ilusão não-leitora de que me perderia ao longo do caminho. Mas, nessa mesma biblioteca dei com Por quem os sinos dobram numa versão ilustrada e infanto-juvenil, a qual nunca mais tive oportunidade de encontrar, mesmo vasculhando esse território inóspito da web que diz nos oferecer não só os encontros mais fortuitos como qualquer possibilidade de resposta às nossas dúvidas, inclusive quando elas se referem a perdas recentes de memória. Ernest Hemingway é o autor desses dois textos considerados uns dos principais de sua vasta obra. Nascido em julho de 1899, nos E...

Os desenhos de Salvador Dalí para "A Divina Comédia", de Dante

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Dante Alighieri nasceu em Florença, Itália, em 1265. Inicialmente, sua poesia tinha o amor como tema central. Seu primeiro grande trabalho foi  Vita Nuova . Numa estadia em Paris, Dante escreveu Convivio , espécie de súmula poética da filosofia medieval, bem como o tratado político  Monarchia . Entre 1304 e 1308, depois de estar na França, mas não livre do desterro de Florença que jamais expiraria, começou a escrever a  Commedia , que no século XVI ganharia de Boccaccio o adjetivo  Divina . A obra, contudo, só seria publicada na íntegra depois da morte do autor, em 1321. Tido como texto fundador da língua italiana, em parte porque seu autor adota a língua não-literária como modelo, isto é, deixa de usar o latim para escrever em florentino, algo próximo do moderno idioma vigente, A divina comédia pode ser lida súmula da cosmovisão de toda uma época, monumento poético de rigor e beleza, obra magna da literatura universal, um clássico, e como bom clássic...

Sombras da noite, de Tim Burton

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Por Pedro Fernandes O filme valerá por duas razões que enumero logo no princípio deste texto: 1. Tim Burton continua insubstituível em fazer do cinema a arte da paródia; 2. Johnny Depp continua insuperável na sua capacidade de travestir-se nas personagens que lhes designam ser. Sombras da noite  judia de várias coisas, mas duas hão de chamar logo a atenção do espectador. Uma, o anacronismo temporal. Somos situados numa espécie de prólogo narrado em primeira pessoa a fim de que entendamos a rixa secular e semieterna entre o vampiro Barnabas e a bruxa má de porcelana Angelique (Percebem o trocadilho? Anjo / bruxa). Aqui, é o início da própria nação estadunidense construída pela tradição inglesa lá pelos idos 1700.  Antes de ser Barnabas, era ele um moço rico, filho de uma tradicional família que se mudara para o novo mundo e fizera fortuna com a pesca. Angelique, a empregada na mansão que nutre uma paixão maior que tudo por ele, que vê nela somente aquilo que é,...

Rock e Literatura

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Por Pedro Fernandes The Doors. O nome da banda foi revelado a partir de As portas da percepção , de Aldous Huxley. Dias desses estive por aqui organizando uma curta playlist de algumas músicas que foram inspiradas em alguns dos mais famosos clássicos da literatura. Hoje, Dia Mundial do Rock, voltei a ela para ver uma coisa: quantas das músicas ali indicadas são de grupos do gênero.  Antes de responder a observação, que seja feito um curto parêntese aqui para justificar que as duas coisas têm, na gênese um princípio em comum. Afinal, a grande característica que define o literário é sua capacidade de transgressão. Logo, cá, eu pergunto, que outro gênero musical mais se define pela ideia que não o rock?  Até quando algumas bandas se baseiam numa hermenêutica da música, isto é, quando algumas bandas se deixam guiar apenas pela fúria adolescente e propõe revoluções no plano estético do gênero a que pertencem, até nesses casos, rock liga-se à literatura. Logo, não dá para redu...