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Crônica de um leitor de "O jogo da amarelinha" (5)

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Por Juan Cruz Ruíz Primeiro li Três tristes tigres , de Guillermo Cabrera Infante. Foi depois de uma prova de História da Filosofia, na Universidade de La Laguna. O professor Emilio Lhedó, que então tinha 39 anos, era para nós Don Emilio, e assim seguiu sendo para muitos, entre outros para mim. Já então era um homem com uma enorme autoridade moral entre nós; ensinava Filosofia e História, e não apenas História da Filosofia, e nos despertou um enorme interesse pela leitura. Tudo podia estar nos livros, e ele falava desde os livros para explicar tudo; ou melhor, desde as palavras. A palavra era a essência e na palavra estava o ritmo, a alma das coisas, dos acontecimentos e das pessoas. Naquele momento ele acabava de ponderar um atrevimento, pois não pedido um ensaio, qualquer ensaio, que tivesse com sustentação nosso conhecimento das palavras, e eu lhe havia feito um trabalho sobre o movimento pânico que então agitava (essa é uma boa palavra, agitava) Fernando Arrabal em Paris...

O conselho de John Updike para os jovens escritores

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John Updike (ainda falaremos desse sujeito muito por aqui) disse certa vez que sua tarefa e “única obrigação” era “descrever a realidade como ela tinha chegado a mim – dar ao mundo sua beleza devida.” Termos que parecem ir na esteira do que disse Stendhal ainda muito antes do boom da literatura naturalista, “Um romance é um espelho que passeia pelo real”. Nas duas afirmações não está em questão a ideia de reprodução ou cópia da realidade, mas de criação a partir dela. Descrever a realidade tal qual ela vem até a mim é oferecer uma possibilidade dentre tantas de leitura do mundo; do mesmo jeito aquilo que reflete o espelho não é uma mera cópia do refletido, mas uma recriação do que se reflete. A crítica tem lido toda obra de Updike por essa ótica defendida pelo escritor e atesta que, sim, ele alcançou essa qualidade. Com um olho afiado e um intelecto criativo, o autor de Coelho cresce buscou reconstituir os detalhes da vida cotidiana alinhavando possibilidades por um tênu...

As ilustrações de Jean-Michel Folon para A metamorfose, de Kafka

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Franz Kafka, verão de 1906, quando se formou em Direito. Arquivo Klaus Wagenbach. Em 2010, as livrarias brasileiras receberam uma edição feita pela Martins Fontes com textos de Franz Kafka em grande parte ainda desconhecidos do grande público. Além de organizar a edição, Nikolaus Heidebach compôs as ilustrações para o material (leia mais sobre aqui ). Bem, também não é de conhecimento de todo mundo, mas o próprio Kafka se aventurou em compor alguma coisa na arte do desenho ( aqui ), no entanto, tinha suas próprias ressalvas sobre a relação literatura e imagem, principalmente, em se tratando do seu romance  A metamorfose . É conhecido, por exemplo, o pedido que o escritor faz ao seu editor para que a capa desse livro não fosse ilustrada com a figura metamorfoseada de Gregor Samsa, assim que soube que Ottomar Starke iria desenhar a capa para o romance: “O senhor escreveu anteriormente que Ottomar Starke vai desenhar a capa para a Metamorfose. Então eu senti um peque...
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Por   Pedro Belo Clara Recordar-se-á o leitor, por certo, das duas obras deste talentosíssimo poeta que neste mesmo espaço trouxe a discussão, meses atrás (veja o texto aqui ). Porquê, então, retomar a temática de Eugénio? A verdade é que todo o poeta que consegue, através de sua obra, atingir níveis de profundidade e magnificência é necessariamente um poeta do sublime. Um mestre, em suma. E os trabalhos de tais autores, não sendo necessariamente exclusivos, são quase sempre detentores de uma notável diversidade. Poder-se-á cantar o amor; mas que seja, então, no auge do mais excelso dos líricos cantos! Poder-se-á cantar a dor, apenas; mas será com a mais pungente voz que a alma do poeta a cantará. Outros, apenas, de tão abrangentes, lançam os braços em redor do mundo e abraçam-no na sua máxima plenitude. Eugénio é um desses casos. Embora a maior parte da sua obra se paute pela temática lírica, oscilando entre a melancolia e a plena alegria, polvilhando como ninguém, por...

Boletim Letras 360º #33

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Marcamos a chegada de Vida , de Paulo Leminski com duas promoções: por um mês tivemos apelando leitores e não leitores do blog a participarem do sorteio de um exemplar; no último sábado num lance relâmpago com uma brincadeira armada num boletim com este demos o segundo exemplar. E pode ser que pinte um terceiro. Não queremos é entrar em detalhes, por enquanto.  Por enquanto mesmo queremos lembrar a nova promoção colocada on-line na terça-feira, dia 1º: pela passagem do aniversário de 100 anos de Vinicius de Moraes daremos um exemplar de Nova Antologia Poética  aos amigos do blog no Facebook e aos que nos acompanham simultaneamente via Twitter. Interessou-se em participar? Então, dá uma olhada no boletim a seguir. Tela precursora da Monalisa  de Leonardo da Vinci é encontrada mais de 500 anos depois de ser dada como perdida. Saiba mais no Boletim. Segunda-feira, 30/09 >>> Brasil: Obra revisita a poesia de W. H. Auden A Companhia das Letra...

A poesia completa, de Lúcio Cardoso

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Por Pedro Fernandes Antes da entrada deste texto – ou estando à entrada dele – permita alguns esclarecimentos para que no andamento da leitura integral do que se segue não surjam dúvidas escabrosas. O primeiro deles diz respeito ao título: não é a força da obra poética integral de Lúcio o tema, mas uma pequena e mínima parte que tive contato a partir da antologia Poesia Completa organizada muito recentemente por Ésio Macedo Ribeiro enquanto eu preparava a 7ª edição do caderno-revista 7faces . Entende-se, logo, que o título está em diálogo com o título dessa coletânea. Depois, o que aqui digo são impressões que reúnem num mesmo lugar o que me serviu para a escrita de outro texto, o editorial para a referida revista  publicada em agosto deste ano, texto que traçava algumas linhas com bastante grau de reservas sobre o fazer poético tomando como escopo a pequena e mínima parte da obra de Lúcio sobre a qual me referi acima. Somam-se a elas outras, as que eu não fiz proveito ...