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A palavra despida: O caderno rosa de Lori Lamby

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Por Leonardo Prudêncio Hilda Hilst. Foto: Pio Figueiroa   Este trabalho pretende analisar a simbiose que a autora Hilda Hilst provoca em seus leitores ao mesclar textos de diversas formatações e tipos mais o artifício das ilustrações, no romance O caderno rosa de Lori Lamby (1990). Embora as ilustrações tenham ficado a cargo de Millôr Fernandes, e eles não tenham trocado informações entre si sobre como deveria ser feito o trabalho, percebe-se que na edição original, onde a totalidade desse trabalho gráfico foi apresentada, há não apenas um diálogo entre imagem e texto, mas uma simbiose de signos linguísticos que começam no texto e perduram nas ilustrações.   O livro em questão foi elaborado dentro de um projeto de literatura obscena denominado, por alguns, como “Tetralogia obscena”. A reunião desses quatro trabalhos ( O caderno rosa de Lori Lamby ; Contos de escárnio — textos grotescos ; Cartas de um sedutor e Bufólicas ) se deu em um volume chamado Pornô chic (2014). Nessa...

Mishima ou a queda do herói (parte 2)

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Por Julio Tovar Yukio Mishima. Foto: The Asahi Shimbun.   エロース Eros   Este empréstimo aos japoneses da palavra grega ἔρως, pronuncia-se “erosu”, é em Mishima o caminho desfeito que o desejo sexual percorre até atingir o absoluto. Barthes lembra que o corpo, inclusive, é no Japão um sistema de significados às vezes incompreensível para o ocidental e “existe, atua, se mostra, se doa, sem histeria, sem narcisismo, e de acordo com um projeto puramente erótico, embora sutilmente descontínuo…”   Em Mishima, a ideia de perfeição física está melhor relacionada à ideia de tabu e violação dos mais belos personagens: suas figuras desejadas são transcrições de projeções infinitas no físico. Ele até associa “a personalidade robusta” com “músculos fortes, barriga definida e pele dura” em seu ensaio. O escritor e mais tarde político Shintarō Ishihara chegou a recebee um telefonema de Mishima rindo de sua “barriga” em uma foto de férias e oferecendo-lhe “um bom personal trainer”. E...

Boletim Letras 360º #460

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    DO EDITOR   1. Caro leitor, divulgamos quais os três títulos da Pontoedita estão disponíveis para o sorteio no segundo bimestre do nosso clube de apoios: Ida Um romance , de Gertrude Stein; Faça-se você mesmo , de Enzo Maqueira (anunciado por aqui na edição anterior deste Boletim); e Desvio , de Juan Francisco Moretti.   2. Você pode se inscrever para sorteio que acontece em janeiro aqui . E caso busque algo mais sobre esses títulos pode consultar o site da editora ou visitar uma das publicações nas nossas redes sobre o clube: aqui , no Facebook, ou no Instagram .   3. Obrigado pela leitura e pelo apoio ao nosso trabalho! James Joyce visto por Robert Motherwell para uma edição de Ulysses  de 1988. Para marcar o centenário do romance, a Companhia das Letras publica nova edição do clássico com as ilustrações de Motherwell.   LANÇAMENTOS   E, por falar na editora Pontoedita, a casa disponibilizou a pré-venda do sexto livro no seu catál...

Tennessee Williams: a propósito de nada

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Por Verónica Bujeiro Tennessee Williams. Foto: Irving Penn   Uma das histórias de fundação do mito chamado Tennessee Williams conta que antes de embarcar em sua carreira de sucesso como dramaturgo, viu apenas algumas peças, dispensando sua aparente falta de cultura para compreender a dinâmica da representação teatral com a certeza de ter testemunhado cenas dramáticas o suficiente no interior da família. Um mito que, como todo o universo do autor, esbate as fronteiras entre realidade e ficção e funda nessa característica a sua marca inconfundível, reconhecida como uma das mais importantes dramaturgias do teatro estadunidense do século XX, mas também o condena a acusações críticas e perseguições que afetaram gravemente o homem por trás da máscara.   Jornalista de formação e poeta, é a intuição que o chama ao palco porque “o tumultuoso alvoroço dos meus nervos exigia algo mais vivo do que a linguagem escrita me podia oferecer”. Conforme suas anotações dizem, Williams imagina...