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O cupom falso, de Lev Tolstói

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Por Joaquim Serra   O jovem Mítia precisa urgentemente saldar uma dívida com um amigo da escola, de quem pediu dinheiro emprestado. O pai, um burocrata mal-humorado, não quer aumentar o valor da mesada, tampouco adiantar o dinheiro do próximo mês. Mítia então recorre ao amigo Mákhin, um tipo esperto, conhecedor dos jogos de cartas e das mulheres. A solução, para Mákhin, poderia ser uma: falsificar um cupom que, àquela época, fazia as vezes do dinheiro. Assim inicia a saga da personagem principal da novela O cupom falso , isto é, o próprio cupom. Tolstói faz do cupom um motivo de corrupção ou destruição independe das mãos que o segura.   O motivo do dinheiro funciona como um moto-contínuo na narrativa; retroalimenta a história de todos os personagens — transformando-se em acerto de contas, necessidade e desejo. E, por culpa dele, vários destinos se entrelaçam — mas vamos tratar de apenas uma das muitas histórias. Depois de receber o falso cupom, coube ao comerciante se desfazer...

O cinema experimental e suas articulações

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Por Adriana Bellamy Michael Snow. Foto: John Mahler Ao longo de qualquer história do cinema, o surgimento e desenvolvimento dessa estranha criatura chamada Cinema Experimental (com letras maiúsculas) sempre foi problemático. Embora possamos traçar suas origens cronológicas com o aparecimento das vanguardas cinematográficas durante 1920, foi na segunda metade do século XX o momento de sua segunda eclosão grandiosa com eixos criativos como Nova York, San Francisco ou Londres.   Esses movimentos de jovens artistas durante os anos 1960 e 1970, entre os quais encontramos figuras como Stan Brakhage, Jonas Mekas, Ernie Gehr, Shirley Clarke, Kenneth Anger, Marie Menken, Michael Snow, Andy Warhol, Robert Beer e muitos mais, foram caracterizados por rebaixar a ideia tradicional do cinematográfico e transformar tanto os modos de prática fílmica como as suas estruturas de distribuição e exibição através da criação de novos espaços, revistas, mecanismos institucionais alternativos e outro...

Os abismos, de Pilar Quintana

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Por Gabriella Kelmer Pilar Quintana. Foto: Victoria Iglesias   Em Os abismos , de Pilar Quintana, os infelizes núcleos familiares, ao contrário dos que ocuparam as páginas de Tolstói, têm muito em comum. Em meados dos anos oitenta, na cidade de Cáli, localizada em um úmido vale no sudoeste da Colômbia, as angústias e dilemas experienciados em primeira pessoa pela menina Claudia reproduzem-se nas vidas que a rodeiam. A repetição de temas, executada ao longo de toda a narrativa, parece ser elaborada com vistas a evidenciar problemas geracionais e de época, vinculados à frieza das relações familiares em um excerto da classe alta colombiana, cujas mulheres se esvaem nos matrimônios, nas gravidezes indesejadas e no eterno tédio doméstico.   Claudia, fruto de um casamento arranjado e da herança de mortos impassíveis, a quem conhece apenas por porta-retratos, tem oito anos e muitas histórias sem final feliz. Ela sabe, pelo que ouve da família, que a avó materna afirmava abertamente n...

Três importantes escritores ucranianos de agora (1)

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Por Mercedes Monmany   Serhiy Zhadan. Foto: Hanna Hrabarska  Diz-se que cada guerra encontra o melhor ou os melhores cronistas literários para contar essa experiência atroz e bárbara que quebra todos os parâmetros conhecidos da vida normal, civilizada, em comunidades que até então não eram obrigadas a viver em um inferno dantesco cotidiano e inimaginável. Se grandes obras como Nada de novo no front , de Remarque, Por quem os sinos dobram , de Hemingway, ou Vida e destino , de Vassili Grossman, contaram os horrores da guerra, vividos em simultâneo, pode-se dizer que, no caso da atual guerra na Ucrânia, um magnífico e avassalador romance como Orfanato , do poeta, músico e escritor Serhiy Zhadan, será lembrado como uma obra insubstituível. 1   Reconhecido como um dos importantes poetas ucranianos da atualidade, além de filólogo que se doutorou com uma tese sobre os futuristas ucranianos dos anos 1920, músico que se define como um “punk proletário”, além de tradutor de Bukows...

Boletim Letras 360º #534

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    DO EDITOR   1. Olá, leitores, como vão? Eis a 531.ª edição do Boletim Letras 360.º com parte das novidades que circularam durante a semana nas redes do Letras e outros acréscimos sempre exclusivos nesta publicação.   2. Na aquisição de livros ofertados pelos links neste Boletim você pode garantir um bom desconto nas suas compras, ganhar frete grátis e sem pagar nada mais por isso. Para o frete grátis você precisa ser cliente do Amazon Prime. Para assinar ou comprar qualquer outro produto que não os apresentados nesta publicação, vá por aqui . 3. Para conhecer mais sobre todas as formas de ajuda a este projeto no custeio do domínio e hospedagem online, visite aqui. Desejamos um excelente final de semana! Thomas Bernhard. Foto: Alexander Beck   LANÇAMENTOS   Publicado pela primeira vez em 1978, Sim é o relato exasperado e convulsivo de um cientista sem perspectivas e seu encontro com uma mulher tão sombria quanto ele .   O narrador desta novela ti...

O cronista em você

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Por Bruno Botto Luis Fernando Verissimo. Uma das esculturas de Ricardo Leite.   Lembro que fui introduzido em idade bem tenra às crônicas de Luis Fernando Verissimo por minha vó. Os livros tinham capas coloridas e a caricatura de um homem pequeno e gordinho; era o suficiente para eu achar que aquilo poderia ser parecido com os desenhos que eu assistia. Não sei qual foi o critério utilizado por ela, mas achava que as leituras curtas e humoradas de Verissimo poderiam ser um bom remédio para inquietude juvenil ou queria, lá no fundo, me ver um leitor de crônicas e quem sabe em um futuro não muito distante, um cronista.     Li inúmeras vezes na casa da minha avó os mesmos dois livros, Comédias para se ler na escola e A mesa voadora . Para quem não conhece as crônicas que Verissimo já escreveu para os maiores jornais e revistas de todo o país, aí vai uma breve introdução de suas principais características: texto curto, humor sempre presente, linguagem coloquial mas ao mesmo ...