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O Livro de Cesário Verde – Cesário Verde (Parte II)

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Por Pedro Belo Clara Se o caro leitor bem se recorda, na primeira parte deste artigo ( leia aqui ) foram abordadas as principais características da temática de Cesário Verde, o mais proeminente poeta parnasiano português. De entre elas, foi sublinhada a constante dicotomia entre o campo e a cidade, o principal aspecto antagónico da obra deste autor. Mas será ele caso único? De todo. Curiosamente, o génio criativo do poeta aplica essa mesma dualidade aos alvos de suas paixões. Desenterrando os antigos conceitos de “ Mulher-Anjo ” e de “ Mulher-Demónio ”, tão presentes na poesia medieval europeia, adapta-os às diferentes realidades circundantes, fazendo nascer três distintos tipos de mulher: a campestre , a citadina e a do povo . Assim, facilmente se depreende que a mulher do campo é, por aquilo que os bucólicos cenários representavam para o poeta, a mulher tipicamente angelical, tímida, singela, dona de uma beleza bem peculiar e natural. É também frequente adaptar, à sua ...

O Livro de Cesário Verde – Cesário Verde (Parte I)

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Por Pedro Belo Clara Cesário Verde (detalhe) Biblioteca Nacional de Portugal. Nascido em Lisboa, a 25 de Fevereiro de 1855, José Joaquim Cesário Verde é hoje por muitos considerado o percursor da poesia portuguesa do século XX, onde se edificaram nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Eugénio de Andrade, José Régio ou Miguel Torga. Filho de um lavrador e comerciante, Cesário chegou a frequentar o Curso Superior de Letras na cidade onde nasceu; mas apenas por breves meses, antes de assumir as actividades profissionais do pai. Contudo, mesmo que exíguo tenha sido o tempo em que convivera nas esferas das letras académicas, o poeta viria aí a conhecer Silva Pinto, um amigo para toda a vida e ao qual todos de nós, leitores ou meros curiosos, devemos uma sentida gratidão. Passo a explicar: Cesário Verde nunca publicou um livro durante a sua curta vida, e tudo o que nos chegou foi fruto dos louváveis esforços desse seu fiel e dedicado amigo. O Livro de Cesário Ver...

A obra definitiva. Cesário Verde por Ricardo Daunt

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Para os leitores de poesia portuguesa ou os amantes da poesia de Cesário Verde e para a produção literária esta é, sim, uma grande notícia. O trabalho extenso de Ricardo Daunt sai agora em livro e revela o poeta português por inteiro. Na certeza de que talvez não haja mais o que se descobrir em termos de materiais alguma coisa que seja capaz de por em xeque o que já se foi pesquisado sobre Cesário, o livro traz com subtítulo “Texto definitivo”; aí estão reunidos toda poesia verdiana, cartas – que não são tantas – e detalhes biográficos agrupados numa minuciosa tábua cronológica. A primeira antologia de Cesário Verde que reúne a poesia escrita entre 1873 e 1886 foi organizada por Silva Pinto e publicada em 1887 num tiragem íntima, apenas para amigos do escritor; a edição pública só veio sair cinco anos depois. Os 22 poemas que se apresentam em O livro de Cesário Verde foram agrupados em duas seções, “Crise romanesca” e “Naturais” – divisão que obedeceu indicações do próprio au...

Cesário Verde

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A mim o que me rodeia é o que me preocupa. Cesário Verde em carta ao amigo Silva Pinto. Cesário Verde. Columbano Bordalo Pinheiro. Arquivo BNPT. O pensamento que epigrafa esta postagem é marcado pelo laivo do pensamento realista. O escritor é aquele que examina o que lhe cerca — sobretudo o estágio social porque passa o espaço e o tempo em que se insere; como um cientista no seu laboratório, executa movimentos precisos no exame sobre determinadas questões. Assim, é que nos deparamos, por exemplo, com a ficção de alcova. Se o casamento, artefato da sociedade burguesa, dava seus primeiros suspiros de decadência, muitos dos escritores da época — e citemos dois mais conhecidos do grande público, Machado de Assis, da nossa parte, e Eça de Queirós, da parte de Portugal — se deram ao verdadeiro trabalho de retratar essa decadência, bem como de rever outras questões sociais.  Cesário Verde é dessa leva, embora, é importante que se ressalve, não tratamos aqui do a...