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Mostrando postagens com o rótulo Oscar Wilde

Oscar Wilde, a verdade de máscara

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Por Juan Arnau Oscar Wilde, Nova York, 1882. Foto: Estúdio Napoleon Sarony.   A origem está sempre presente. A origem não faz parte do tempo, nem das máscaras, e, no entanto, está lá, à espreita, à espera de reconhecimento. A origem é o que está por trás da máscara. Há pessoas desesperadas por outro tipo de reconhecimento, social, teatral, que é basicamente o mesmo. Oscar Wilde foi uma delas. Toda a sua vida foi rebocada por essa necessidade. Ele sabe que o teatro purifica e espiritualiza, que inicia sentimentos nobres. É sua droga e seu veneno. E a literatura, porque as palavras também são máscaras, disfarce, cor, música que anuncia o invisível. Ele mesmo disse isso várias vezes. A emoção por si mesma é o fim da arte, enquanto a emoção pela ação é o fim da vida e dessa organização prática da vida que chamamos de sociedade. A sociedade pode perdoar o criminoso, mas não o sonhador. “As belas emoções estéreis que a arte provoca em nós são abomináveis ​​aos olhos da sociedade.” A cont...

Oscar Wilde contra a parede

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Por Mercedes Alvarez Oscar Wilde e Alfred Douglas, 1893. Arquivo: British Library   Em 1895, sob a Lei de Sodomia que vigorava na Inglaterra desde os tempos de Henrique VIII e no auge da popularidade de sua carreira, Oscar Wilde foi julgado por conduta indecente. Não há necessidade de se deter em reflexões sobre o puritanismo hipócrita que a rainha Vitória converteu em marca registrada de sua monarquia. Em 1885, a mulher que reinou sessenta e três anos havia ajustado os cravos sobre o comportamento impudico. Nesse ano, não só a sodomia, mas qualquer ato de afeição entre homens era passível de condenação. As penas continuaram de pé após sua morte, e alcançaram o discípulo mais brilhante de Wittgenstein: Alan Turing escolheu o suicídio aos 41 anos, após ser submetido à castração química.   Décadas antes, em 1891, um já renomado Oscar Wilde conheceu Lord Alfred Douglas, e começou o que mais tarde e da prisão, em um texto de inusual beleza intitulado De Profundis , o escritor cham...

O túmulo de Oscar Wilde

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Por Márcio de Lima Dantas Estudo de Epstein para o túmulo de Oscar Wilde, 1909 O escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900) está sepultado no cemitério de Père Lachaise, a maior necrópole de Paris. Seu túmulo é um dos mais visitados: sempre se encontram pessoas prestando homenagens ao poeta que morreu exilado na cidade. Seu monumento funerário foi realizado pelo escultor Jacob Epstein. O túmulo é composto por três grandes blocos maciços de granito justapostos e paralelos, formando um paralelepípedo retângulo, os quais, por sua vez, repousam sobre uma grande base da mesma pedra. No bloco da frente, encontra-se esculpido um personagem representando uma esfinge alada, de forma que esta, concebida com o predomínio de linhas curvas, acomoda-se nos limites do grande paralelepípedo. Junto com os outros dois, conformam um só bloco maciço. Essa figura encontra-se de perfil para quem se encontra na frente. E parece dormir profundamente. Quando a encaramos de frente, constatamos...

Oscar Wilde, narrador

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Por José Carlos Llop Oscar Wilde em Paris Se Oscar Wilde é autor de um só romance, O retrato de Dorian Gray , também é verdade que há outro romance seu oculto em sua própria personagem. Não me refiro a Teley , essa novela homoerótica, nem a De profundis – que traria certas chaves sobre sua autobiografia ou não e logo seria um dos novos arranjos da narrativa moderna – nem tampouco aos contos, dos quais poderia citar O crime de Lorde Arthur , O fantasma de Canterville ou ainda O retrato de Mr. W.H. Neles não poderíamos rastrear gestos disso que os franceses chamam nouvelle e nós aprendemos a chamar como novela . Refiro-me à narrativa de uma vida, novela (ao invés de romance) da vida, novela escrita pelo próprio Wilde com tintas de sua vida e que foi ficcionada em tantas ocasiões, seja por outros romancistas, seja pelo cinema. A vida de Wilde há aparecido nessa literatura geralmente marcada pelo mistério estético e o drama novelesco de sua personagem principal, dotado ...

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

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Por Élida Karla Alves de Brito Considerado como o nome do século XIX, vivenciando uma época em que a Inglaterra é marcada pelo desenvolvimento econômico e industrial, um momento de conquistas para o país, acarretadas principalmente pela segunda revolução industrial, atrelando-se a isso um período de expansão e conquistas coloniais, nesse contexto, o escritor Irlandês Oscar Wilde experimenta os dilemas e os conflitos próprios do homem de seu tempo ao se deparar com os costumes, a cultura, as crenças, a repressão e a rigidez dos valores morais típicos da chamada “Era Vitoriana”. Essa conjuntura de transformações e desenvolvimento econômico também se reflete nas artes como um período de expansão em todos os seus campos, sobretudo, na literatura, destacando-se nesse setor, a obra do escritor como um dos marcos da época. Tal reconhecimento é atribuído, sobretudo pela visão que o escritor tinha de seu tempo, sendo possível dizer que “[...] De diversas formas foi ele quem melhor o ...

Oscar Wilde e um certo rapazinho de olhos escuros

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As mãos são imundas e o colarinho da camisa um desastre, irregular, composto só por alguns fios, sujo – mas os olhos do prisioneiro 1122, um colega de cela do prisioneiro mais famoso da prisão, ainda estão brilhando com a vida e as travessuras. Não há nenhuma prova de que Harry Bushnell tenha sido o rapazinho de olhos escuros sobre quem Oscar Wilde, ao cumprir pena de dois anos por atos de atentado violento ao pudor com outro homem, escreveu carinhosamente numa de suas cartas e com quem pode ter tido um affair. No entanto, Bushnell, de quem se descobriu fotografias presentes nos arquivos da antiga prisão de Reading, foi certamente um dos companheiros do escritor inglês em 1895: era moreno e bonito de um modo travesso. Não há nenhuma evidência de um interesse erótico, e Bushnell certamente também não foi o último grande amor da vida de Oscar Wilde, mas houve, da parte do escritor para com o preso, um interesse amigável. Wilde chegou a lhe enviar algum dinheiro qua...

Três animações a partir de contos de Oscar Wilde

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Muito antes de Oscar Wilde se tornar uma celebridade literária por sua obra mais conhecida, O retrato de Dorian Gray e contos como “Salomé” e “The importance of Being Earnest”, o escritor esteve envolvido noutras coisas "fora da realidade" de escritor. Viajou pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos como representante de um movimento urbano estético populista  do século XIX que tinha entre outros interesses ser contrário ao puritanismo de Era Vitoriana e o caráter moralista e utilitário da indústria cultural. Em relação a estes interesses, o movimento de que fazia parte anunciava que o bom gosto e a busca pelo belo deveriam ser os únicos princípios pelos quais deviam se guiar a arte e a vida. Wilde expressa essas ideias em vários epigramas bem conhecidos, com certa ironia – “In all unimportant matters, style, not sincerity, is the essential. In all important matters, style, not sincerity, is the essential.” Pelas mesmas razões com que foi homenageado mais tarde...