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Um poema recortado do jornal Trabuco

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Por Pedro Fernandes O jornal Trabuco  fez parte do meu início nessa aventura da editoração. O periódico impresso tratou de reunir as atividades do universo literário do curso de Letras na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Dentre as colunas que formam as publicações uma que se chamava  Sarau era dedicada à produção poética. Em sua primeira edição lançada no início do mês de julho de 2008, incluímos dois exercícios literários meus: os poemas "Salvação" ( publicado aqui em 2007 ) e este outro, uma amostra dos textos incluídos no livro Sertanices.  Alberto Burri Previsões Minha avó costumava em certos meses do ano Pôr sobre a casa numa tabua morros de sal, Doze ao todo, os doze meses do ano: Janeiro. Fevereiro. Março. Abril. Maio. São João. Santana. Agosto. Setembro. Outubro. Novembro. Dezembro. No dia seguinte contava a quantidade do derreter E dessa quantidade via os meses chuvosos, Os menos e os mais, Também os meses secos – Estes, de...

Dez filmes mais um que contam sobre a vida de escritores

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Cena de A última estação Este ano os cinemas trouxeram para as telas A última estação , filme de Michael Hoffman sobre os últimos anos da vida de Liev Tolstói. Estamos no ano de 1910 em Yasnaia Poliana, a propriedade rural onde o escritor de  Guerra e paz  viveu boa parte de sua vida. O título conta os período em que Tolstói esteve envolvido em levar adiante organizar seus direitos e seus ideias trabalhados em Poliana. O filme traz ainda a relação desenvolvida entre Tolstói e Bulgákov, quem trabalhou como seu secretário particular nesse período e, claro, toca em pontos conturbados do casamento com Sofía que temia uma retaliação do companheiro em não lhe deixar sequer os direitos sobre a obra. Mas, depois de amarmos esse filme, fomos catar outros cujo tema é também a vida de escritores e deixamos essa listinha aos amigos leitores. Claro, há outros títulos que estarão a serviço de outra lista do gênero, se esta tiver a atenção merecida. Anti-herói americano , 2003. Di...

Uma francesa trabalhadora

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Por Alberto Manguel Em 23 de fevereiro de 1937, Virginia Woolf anota em seu diário que, no dia anterior, a tradutora para o francês de seu romance As ondas havia vindo consultá-la: “Não tenho nem tempo nem espaço para descrever a tradutora, salvo para dizer que levava umas lindas folhas de ouro em seu vestido negro; é uma mulher que suponho ocultar algo em seu passado; dada ao amor, intelectual; vive a metade do ano em Atenas; é parte do grupo de Jaloux [o influente crítico francês]; de lábios vermelhos; tenaz; uma francesa trabalhadora; amiga dos Margerie; prosaica”. Trata-se, acrescenta Woolf apressadamente, de uma “senhora ou senhorita Youniac (?) Não é esse seu nome”. Seu nome (ou o nome que havia elegido) era Yourcenar. Por razões econômicas havia aceitado traduzir o romance de Woolf; o encargo lhe brindava com o privilégio de conhecê-la. Anos mais tarde, Yourcenar descreveria aquele encontro “na escuridão de um salão iluminado apenas pelo fulgor da casa”, onde as duas ...

Novo projeto editorial para as obras Jorge Amado

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Desde março de 2008 a editora Companhia das Letras tem iniciado a empreitada de reunir numa coleção a obra completa de Jorge Amado. Trata-se de um vigoroso e belo projeto que traz novamente às rodas das discussões literárias a obra do escritor; não que esta alguma vez tenha deixado de ser uma constante entre os leitores, porque o baiano é um dos mais valiosos nomes da nossa literatura e um dos que obtiveram, desde sempre, uma presença constante em diversos universos dentro e fora do Brasil. Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, na Bahia. Aos dois anos, a família mudou-se para Ilhéus, onde o menino passou a infância e viveu várias experiências que marcariam sua literatura: a vida no mar, o universo da cultura do cacau e as disputas por terra estão entre elas. Começou a escrever profissionalmente como repórter aos catorze anos, em veículos como  Diário da Bahia ,  O Imparcial  e  O Jornal . Na década de 1930 foi para o Rio de Janeiro, onde...

Dois rios que cortam o sertão nordestino

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1. João Cabral de Melo Neto e Graciliano Ramos dispensam apresentação; são dois dos mais importantes nomes de sempre da Literatura Brasileira. E, apesar de autores de duas obras distintas há possibilidade de estabelecer conversas entre as duas. 2.  Principalmente se o leitor lembrar de Morte e vida severina , um poema de verve épica que narra a trajetória do habitante do interior do Sertão nordestino rumo ao centro urbano, e Vidas secas , um romance cuja narrativa se constrói pela retirada não de uma personagem, um Severino, mas de uma família também para o centro urbano. Duas migrações motivadas pela vida escassa nessa região do Brasil; duas migrações perpassadas de uma crítica social muito às claras acerca dos desmandos do poder com os do Nordeste ou uma entrada num dos fossos sociais desse país.  3. Estes e outros aspectos são retomados em duas falas que acontecem amanhã, dia 28 de novembro, a partir das 8h da manhã, no Auditório Central do Campus Avançado Pr...

Os desafios de escrever um blogue

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Por Pedro Fernandes Hoje faz exatos dois anos que abri esta página na internet. No fechamento do primeiro ano eu escrevi do interesse meu quando resolvi criar este blogue. Nasceu a ideia meio que por acaso, dizia; tinha o interesse apenas de divulgar um evento na Faculdade; evento em que eu iria ministrar um minicurso sobre a poeta potiguar Auta de Souza. Um blog me permitiria além de divulgar o tal minicurso expor o material produzido e/ou necessário no decorrer dele. Muita coisa publicada dessa ocasião foi deletada, porque como direi mais adiante, e como o leitor tem acompanhado, o blog ganhou outros rumos.  É que permaneci conduzindo seduzido ou viciado pela ideia e achei que este deveria ser o espaço para que eu organizasse minhas leituras que fizesse na web ; então comentaria publicamente por aqui ou traria o texto para cá, claro com as devidas referências. E o propósito durou até certo ponto, quando comecei a postar matérias também minhas: poesia, ensaios, art...