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Gabriel García Márquez e o cinema: um amor não correspondido

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Por Alejandra Rodríguez Gabriel García Márquez em entrevista nos estúdios da RTI TV, em Bogotá, 1997. Arquivo: Fundación Palavreria. Geralmente se aceita a ideia de que não há filme que iguale, e muito menos supere, o livro que lhe antecede. A História da Literatura está cheia de autores descontentes sobre como suas histórias foram tratadas na grande tela. Gabriel García Márquez não podia ser uma exceção; com dois agravantes. Por um lado, Gabo é um dos escritores que mais interesse tem despertado entre os cineastas. E, conta com um grande número de filmes entre adaptados a partir de seus romances e contos. Por outro lado, o colombiano manifestou um claro interesse pela sétima arte. “No início quis ser diretor e a única coisa que realmente estudei foi o cinema [em 1955 se matriculou no Centro Experimental de Cinematografia de Roma]. Agora nem sequer vou mais ao cinema porque chego à sala e termino dando autógrafos. Só vejo sessões privadas. Na televisão não g...

Por amor à arte

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Por Javier Aparicio Maydeu Dois novos livros do mestre Julian Barnes. Sobre o amor e sobre arte. Sobre o amor à arte e sobre a arte do amor. A única história de amor é de amor, mas não é a única, mas a última história de amor do autor. No Em tom de conversa explorava as infidelidades da geometria emocional de um triângulo amoroso. Amor Etc. leva ao limite o conceito entendido como um problema irresolúvel. Em “Higiene”, da inesquecível antologia Um toque de limão , Jackson viaja frequentemente a Londres para comprar coisas à sua santa Elizabeth Arden e encher de outras coisas Babs, sua prostituta preferida; e outros três contos versam sobre o amor: “O reviver”, que recria a última paixão de Turguêniev; “A história de Mats Israelson”, em que Barnes se ocupa do amor constante até além da morte da mão da velha senhora Lindwall, que viveu dividida entre não-amar um homem que merecia e amar outro que não merecia; e “O cercado das frutas” com seu octogenário protagonista a...

Um romance sobre horror nazista recuperado depois de oito décadas

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Por Juan Carlos Galindo Ulrich Alexander Boschwitz (SIXTH FLOOR) Por volta das onze horas da noite do dia 29 de outubro de 1942, Ulrich Alexander Boschwitz morre junto com outros 361 refugiados, a maioria judeus, a bordo do Abosso, naufragado a 700 milhas náuticas dos Açores pelo submarino alemão U-575. Tem 26 anos. Finda assim uma odisseia iniciada com as leis raciais de Nuremberg em 1935 e que havia levado este escritor nascido em Berlim de um lugar a outro, perseguido e odiado pelos que foram seus compatriotas e repudiado pelos europeus aos quais pedia acolhida. Mas, sem saber, Boschwitz havia lançado uma mensagem que teria grande repercussão em seu país oito décadas depois. Quando morreu carregava consigo a nova versão manuscrita de seu livro O passageiro [tradução livre a partir do título em espanhol, El pasajero ], publicado na Suécia, Reino Unido e Estados Unidos entre 1938 e 1940 e totalmente ignorado na Alemanha. Dois meses antes havia escrito para s...

Boletim Letras 360º #318

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Só na sexta-feira, 22 de março de 2019, conseguimos finalizar o sorteio de um exemplar de A queda de Gondolin , de J. R. R. Tolkien, em parceria com a HarperCollins Brasil, editora que tem trabalhado na reedição integral da obra do escritor britânico. Sobre promoções, aproveitamos a ocasião para dizer que, não tarda e faremos outro sorteio com a nova edição de Grande sertão: veredas , de Guimarães Rosa. Esta segunda promoção será em nossa unidade no Instagram, já que a outra foi realizada no Facebook durante o período de pré-venda do livro. Segue as notícias apresentadas durante a semana em nossa página no Facebook, as dicas de leitura e outras recomendações. Gonçalo M. Tavares. Dois livros do escritor português ganham primeira edição no Brasil. Segunda-feira, 18 mar. Às vésperas , de Ivan Turguêniev Elena Stákhova é filha de uma mãe hipocondríaca e um pai ocioso e supérfluo, uma típica família aristocrata da Rússia do século XIX. No auge da juventude, ...

Outra volta do cânone

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Por Elena Medel Ilustração: Hao Xiaohao Olhe sua biblioteca – não importa se é apenas uma estante, uma prateleira, se várias paredes de um quarto – e concentre-se nos livros que decidiu ter consigo. Se tem algum tempo e interesse, desarrume tudo volume a volume e amontoe de um lado aqueles escritos por homens, e do outro os escritos por mulheres. Depois conte: doze aqui, trinta ali, ou mesmo nenhum. Repita o exercício tendo em conta a origem da autora ou do autor: África, América – e aqui distinga entre os países da América Latina e os do norte do continente –, Ásia, Europa, Oceania. Outra vez, esforce-se em revisitar suas leituras segundo a raça de quem as escreveu, o idioma em que pensaram. Existem outras classificações possíveis para sua biblioteca baseadas em dados menos evidentes, que poderá extrair de uma leitura atenta da obra, ou aprofundando-se em biografias, que talvez nunca conhecerá: orientação sexual, classe social, ideologia política etc. Se a desordem n...

Anatomia do ócio, de R. Leontino Filho

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Por Pedro Fernandes As discussões sobre o texto poético quase sempre partem de um jogo de relações que dissociam, às vezes por oposição e exclusão, os elementos que distinguem a prosa narrativa. O que podemos chamar de submissão do poema a tais limites deve-se a um ponto impossível de deixá-lo de fora quando tocamos no assunto: o amplo lugar alcançado pela prosa e sua penetração no cotidiano comum faz este gênero ocupar a posição de partida ou grade de leitura para a compreensão da poesia. Esta, por sua vez, ampliou, no tempo dos exageros, sua condição de à margem. Dizemos isso, evidentemente, porque se considerarmos, no âmbito da história da literatura (e mesmo de sua teoria), sempre encontramos a poesia como a mais insubmissa das formas e consequente a que deve, por sua condição, prevalecer no lugar-qualquer; na Poética , Aristóteles não lhe dedica interesse e elege a tragédia como o gênero mais significativo no âmbito das criações com a palavra, enquanto na República...