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Cinco poemas de “O Falcão à Chuva”, de Ted Hughes

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Por Pedro Belo Clara Ted Hughes. Foto: Jane Brown   O FALCÃO À CHUVA   Afogo-me nas terras de cultivo, a chuva nelas martelando, Elevo os passos da terrena boca que me engole, Do barro que me prende até ao tornozelo Ao jeito dum túmulo obstinado, mas o falcão     Sem esforço nas alturas fixa o olhar sereno.   As suas asas amparam toda a criação numa quietude sem peso, Firme como alucinação no ar que voga. Enquanto o vento golpeante mata as sebes persistentes,   As rajadas como polegares contra os meus olhos, cortando a respiração, desordenando          [o coração, E a chuva macera a minha cabeça até ao osso, o falcão permanece, Uma força de vontade dura como diamante, qual estrela polar Guiando a resistência do náufrago: e eu,   Sangrando, puxado, atordoado, esperando os instantes finais, Um mero pedaço sobre esta boca terrena, persistindo na direcção do mestre, Fulcro da violência onde o falcão sereno permanece. Talvez, a...

Boletim Letras 360º #571

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DO EDITOR   Olá, leitores! O blog regressou sua programação normal nesta semana. E além das publicações diárias, este boletim volta com as seções já conhecidas.   Durante a semana, foi anunciada em nossas redes a chamada para novos colunistas.   O Letras procura bons leitores que escrevam sobre livros (ficção, poesia, teatro), filmes ou assuntos intrinsecamente ligados ao universo literário.   Se você possui este perfil e quer se juntar a este projeto, atenção para as informações a seguir:   - você precisa enviar através do e-mail blogletras@yahoo.com.br até o dia 16 de fevereiro de 2024, um resumo biográfico e três textos inéditos;   - para saber como organizar os seus textos e mesmo conhecer um pouco da linha editorial do Letras , é importante acessar e ler as informações disponíveis aqui ;   - se restar qualquer dúvida, basta escrever para o e-mail referido ou nos procurar na DM das nossas redes sociais: no Twitter, Facebook ou Instagram.  ...

De quanta terra precisa um homem?

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Por Guilherme França Iliá Répin. Tolstói em um campo arado, 1887   Que a literatura seja o método mais fidedigno de retratar — e quiçá compreender — a essência humana, não é novidade para mim e para tantos outros, embora a afirmação contenha, de fato, pequena margem de subjetividade. Além de retratar e problematizar aspectos cruciais de nosso agir enquanto indivíduos, não raro a literatura amplia o seu raio de incidência e faz o mesmo diante de questões sociais, políticas, religiosas etc. E escritores como Liev Tolstói fazem com que, por vezes, todos esses elementos estejam em uma mesma obra.   De outro lado, embora enredos como os de Guerra e Paz ou Anna Kariênina demonstrem com facilidade a lógica desse argumento, como disse em meu texto sobre Tchekhov, o bom escritor deve saber causar impacto em seu leitor mesmo com um texto curto. E o conto “De quanta terra precisa um homem?”, escrito por Tolstói e publicado pela primeira vez em 1886, nos mostra, mais uma vez, que ...

Visitas a Walt Whitman por Virginia Woolf

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    Virginia Woolf ficou reconhecida pelos seus romances e contos. Mas foi também uma exímia crítica literária, interessada pela leitura de obras variadas ou por personalidades marcantes. Entre 1908 e 1938 ela colaborou escrevendo textos críticos para The Times Literary Supplement . Nessas duas décadas o editor do suplemento Bruce Richmond enviou-lhe centenas de livros com interesse na opinião da escritora inglesa.   Entre esses livros, esteve Visits to Walt Whitman in 1890-1891 , de John Johnston e James William Wallace. Trata-se de um relato dos encontros entre dois membros da Bolton Whitman Fellowship com o poeta estadunidense de Folhas de relva . A resenha de Woolf foi publicada na revista em 3 de janeiro de 1918 e é um delicado retrato de Whitman ressaltando-se algumas das qualidades que, certamente, ela própria tinha como suas ou foram integradas à sua obra e ao seu pensamento — vale a leitura deste texto de Neal E. Buck “Whitman in The Waves ”, publicado em Liter...

Os rejeitados. Hollywood regressa aos clássicos de inverno

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Por Alonso Díaz de la Vega Pode parecer contraditório — ou de fato é — preferir uma nostalgia a outras, mas agarro-me a isso. Quando escrevi sobre Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo (2022) encontrei uma armadilha que representava as formas de consumo na pós-modernidade, ou seja, pareceu-me que evocava os filmes de ação de Hong Kong e o cinema romântico de Wong Kar-wai para criar uma identificação com os espectadores que o declarariam um manifesto cinéfilo, embora na realidade esteja mais relacionado ao cinema de multiversos. Por outro lado, quando escrevi sobre jovens cineastas, como James Vaughan ou Ted Fendt, foi muito gratificante vê-los regressar ao estilo de Éric Rohmer, que emergiu nos anos cinquenta para se tornar um dos grandes revolucionários da década seguinte e que produziu um número significativo de descendentes hoje. A diferença fundamental entre cada nostalgia é a intenção: comercial, no primeiro caso, e subversiva, no segundo.   No meio dessas duas tendências surge...

De Górki a Prokofiev, os criadores da “nova era” soviética

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Olga Rozanova. Vladimir Lênin pôs fim à Rússia Imperial, à família Romanov... e com uma forma de criar aquilo que a “nova era” chamava de “burguesa”. Do estado nascente, o dos sovietes, surgiram alguns sonhos que logo se tornariam pesadelos e, ao mesmo tempo, uma cultura revolucionária que se deixou levar pelos movimentos de vanguarda da época.   Nenhuma disciplina ficou de fora dos ventos renovados, carregados, pelo menos por alguns meses, de esperança e transgressão. Destacamos seis protagonistas, a maioria com finais trágicos, que viveram o período de forma criativa. Nomes, ao mesmo tempo, que deixaram suas marcas na cultura universal e que formularam uma nova ideia de Rússia.   Maksim Górki, autor de A mãe , deveria ter sido um ícone da revolta bolchevique, mas acabou por “suspeitar” como Lênin “manejava a alavanca da história”; Vladímir Maiakóvski emergiu como um poeta do sistema e um artista multifacetado essencial na sua explosão cultural; Kazimir Malévich, criador do s...