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Ler a Odisseia (parte VI)

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Por Pedro Fernandes Ulisses na Corte de Alcínoo, de Francesco Hayez (1813-1815) Talvez o que haja de mais moderno no texto homérico seja a refundação da palavra no horizonte textual. Primeiro, como instância fundadora da realidade, depois, como intermédio entre a vida terrena e a eternidade. A própria Odisseia é um texto que não se sustenta apenas pela voz externa do aedo, mas pelas vozes internas que vão compondo ao leitor uma extensa camada de matérias que, não raras vezes se confundem e são o próprio itinerário pessoal de Ulisses.  Notemos que no princípio da grande empreitada que conduzirá o herói ao retorno para Ítaca, que Telêmeco, designado por Atena, se depara já com a odisseia sendo contada pela boca de Menelau, depois será o próprio Ulisses quem se encontrará com sua própria história, quando num banquete entre os feácios, Demódoco canta sobre suas peripécias. Mas, até então temos um narrador que se coloca à busca de um tom ideal para sua história, afinal, ...

Ação Leitura 2012

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O evento está sua 3ª edição. Desenvolvido pelo grupo de escritores que compõem a editora Jovens Escribas, a programação está bastante heterogênea a traz a Natal dois nomes consideráveis na cenário da literatura brasileira recente, Fabrício Carpinejar Marcelino Freire. A vantagem desse evento é que ele trabalha naqueles lugares onde mais se necessita um olhar para a questão da formação da competência leitora - as escolas. Sabemos que há muito o poder público virou-lhe as costas e, não é coisa rara um aluno sair do Ensino Médio sem nunca ter lido uma obra significativa da literatura, situação mais que alarmante.  O evento é descentralizado e contempla desde as escolas do ensino básico aos alunos do Ensino Superior. A programação se concentra entre os dias 21 e 25 de maio. O pernambucano Marcelino Freire estará na abertura das atividades pela tarde a partir das 15h na Escola do SESC e a noite a partir das 19h no curso de Letras da UnP acompanhado de Patrício Júnior. Já C...

Carlos Fuentes

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Jorge Luis Borges, Roberto Bolaño, Mario Vargas Llosa, Isabel Allende, Adolfo Bioy Casares, Gabriel García Márquez e muitos outros são nomes por demais significativos à literatura latino-americana. A essa lista indispensável é o nome do escritor mexicano Carlos Fuentes. Filho de pais diplomáticos, nascido em 1928, no Panamá, Fuentes morreu ontem, 15 de maio de 2012. É um dos mais proeminentes escritores do México. A condição e o meio em que nasceu deram-lhe oportunidades que contribuíram à sua formação: Fuentes estudou na Suiça e nos Estados Unidos. E foi filho dos muitos lugares onde viveu – Quito, Montividéu, Washington, Santigo, Buenos Aires, Rio de Janeiro... Mas, foi o tempo que passou no México, onde se radicou desde 1965, o que mais lhe serviu de matéria na composição de uma obra imersa no debate intelectual sobre a filosofia do mexicano. Seu primeiro livro, Los días enmascarados , ainda sem tradução para o Brasil, publicado em 1954, já apontava para essa questão ide...

Todo Machado de Assis online

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Semana passada falei aqui sobre a disponibilização eletrônica por parte da Biblioteca Nacional da 1ª edição de Dom Casmurro , de Machado de Assis. As 404 páginas então editadas pelo livreiro Garnier é um achado eletrônico. Sim, mas um projeto que disponibilize toda a obra do autor em edição eletrônica é também outro achado.  É verdade que Machado de Assis deve ser o escritor brasileiro que, apesar de não ter vivido e nem pensado nessa viagem literária por um suporte eletrônico, mais tem arquivos espalhados pela web . E mesmo desde o ano 2000 que suas obras já haviam sido colocadas por esse terreno sem quaisquer ônus, à disposição de qualquer leitor ao redor do mundo.  Mas, convenhamos, vários trabalhos, por mais que representem um esforço hercúleo por parte de quem os empreendeu, tem suas lacunas. Além do que, os arquivos estão como disse de início, espalhados pela web . Quer dizer, estavam. Porque, foi seguindo esse raciocínio lógico de juntar arquivos que uma equ...

Paraísos artificiais, de Marcos Prado

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A arte não é livre de propósitos para com o meio do qual ela emerge. E dentre todas as possibilidades deve zelar por uma: fazer ver o que somos, no que nos tornamos e no que poderemos ser. Todas essas três possibilidades faz dela elemento essencial para a manutenção da própria existência humana tal como conhecemos.  Pode ser que Paraísos artificiais , de Marcos Prado não seja nenhum grande filme de revolução estética, cobrança cara, aliás, para quem já produziu fenômenos de público como Tropa de Elite . Mas, a reflexão que este filme pode levar o telespectador é única e começa por uma pergunta: no que vimos nos tornando ou o que temos nos tornado depois que alcançamos a ideia de liberdade plena?  A resposta a essas perguntas é o que se vê na tela. Usando do movimento não linear da narrativa, o filme acompanha em primeiro lance duas importantes ações: uma, demarcando o fim de uma trajetória de uma das personagens, outra, o seu contrário. A primeira dá contas da ...

Ler a Odisseia (Parte V)

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Por Pedro Fernandes Ulisses cega o Ciclope Polifemo Se fosse o caso de chamar aqui o que faz da Odisseia o grande texto da Literatura me guiaria novamente, como já fiz para outras ocasiões, pela ideia já convencional entre todos os que têm no trato com a escrita seu trabalho e diria que é a linguagem. Nos dois planos: no modo como o enredo desse longo poema é montado, seja pela posição assumida pelo Ulisses no correr da narrativa seja pelas digressões aí operadas com o intuito de suspender a ação e provocar no leitor aquele sentimento do suspense típico da narrativa contemporânea seja pela perfeita conjugação entre dois métodos narrativos – a descrição e a narração; e acresceria ainda o entrelaçamento de narrativas que compõem o enredo maior, que como é sabido, além do regresso de Ulisses para casa, também está aí no mínimo outros três veios narrativos, como o movimento e decisões dos deuses, a viagem da procura de Telêmaco pelo pai e as tramitações em casa de Ulisses pela ...