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Seis livros para entrar no universo de Pier Paolo Pasolini

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  Pier Paolo Pasolini. Foto: Marka.   Pela natureza da obra, Pier Paolo Pasolini é primeiro lembrado pela sua produção cinematográfica. Mas, o criador italiano começou sua vivência nas artes pela literatura e foi esse campo que se abriu para ele como o mais fértil, situando-o entre os mais importantes nomes do seu país no século XX.   Ele próprio relembra que começou a escrever poesia aos sete anos, no segundo ano do primeiro grau, experiência que passa por uma profunda modificação quando encontra numa aula de literatura a poesia de Rimbaud. Seria nesse gênero que publicaria seu primeiro livro, em 1942. Poesie a Casarsa foi escrito no dialeto friulano, a língua da mãe, nascida ao norte da Itália, em Casarsa della Delizia.   O interesse pela língua falada pelos camponeses, nascido do convívio com a gente de Friuli, onde chegou a morar com a mãe e o único irmão depois assassinado, se deve, como repara Maria Betânia Amoroso, ao reconhecimento da riqueza cultural aí e...

Boletim Letras 360º #474

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DO EDITOR   1. Caro leitor, eis a edição 471 do Boletim Letras 360.º com as notícias copiadas durante a semana em nossa página no Facebook e outras exclusivas neste canal.   2. Aproveito a ocasião para lembrar sobre o próximo sorteio entre os apoiadores do blog — está previsto para o próximo sábado, 26. São três livros oferecidos pela Editora Bandeirola. Você pode conhecer mais sobre o catálogo da casa por aqui . E, sobre como participar do sorteio ou de outras formas de ajudar o nosso projeto aqui . Cabe não esquecer que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e também ajuda a manter o Letras .     3. Em nome do Letras , obrigado pelo convívio e pelo apoio!  Louise Glück. Foto: DR.   LANÇAMENTOS   O primeiro livro de Louise Glück após ter sido laureada com o prêmio Nobel de literatura de 2020 ganha tradução e edição no Brasil . Nesta coletânea enxuta, de apenas quinze poemas, estão os temas que c...

Em torno das “Não-coisas”, de Byung-Chul Han

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Por Maria Vaz Ilustração: Peter Oumanski   O prólogo inicia-se com menção a Yoko Ogawa e ao seu romance A polícia da memória . Esta alusão não provém do acaso, mas de uma analogia que o autor sul coreano faz com o nosso presente, que descreve como uma época em que as coisas desaparecem incessantemente.   Não recorremos a ficções literárias, como aquela que em Harry Potter se encontra num manto de invisibilidade. Falamos da realidade científica e das inovações tecnológicas que nos dão vida digital. Falamos do imediatismo, da nanotecnologia, dos estímulos constantes do incorpóreo e do imaterial.   Vivemos a era da informação rápida, não monótona, alimentada pelo estímulo da surpresa e “tornamo-nos cegos perante coisas silenciosas, digamos coisas habituais, sem importância ou costumeiras, desprovidas de estímulos, mas que nos fixam ao ser.”   Byung-Chul Han recorre a Hannah Arendt para definir as “coisas do mundo” capazes de “estabilizar a vida humana”, coisas essas q...

Mães paralelas, de Pedro Almodóvar

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Por Solange Peirão Sobre duas mulheres à espera do parto, em uma maternidade qualquer de Madri. Em duas camas dispostas paralelamente, num quarto comum de hospital. Ali, começam a compartilhar suas vidas, suas histórias. Janis, a mais velha, feliz com o fruto bem-vindo de um amor fortuito, e Ana, a jovem angustiada, com a criança indesejada, gerada em violência. As duas aguardam a chegada das filhas Cecília e Ana.   E assim, somos introduzidos nesse filme recente de Pedro Almodóvar, no qual o feminino é a grande questão.   Pela linhagem familiar de Janis, seus ancestrais viveram a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Seu bisavô, e alguns companheiros do Pueblo onde habitavam, foi assassinado pelos falangistas nazifascistas, apoiadores de Francisco Franco. Enterrados em vala comum, a comunidade busca resgatá-los, para lhes dar uma sepultura digna. Janis lidera essa iniciativa que reúne sobretudo as mulheres, guardiãs da memória dos fatos.   Se as mulheres na família de Jani...

Jack Kerouac: encarnando a literatura universal

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Por José Homero But I ain’t going down That long and lonesome road All by myself.   — Floyd Jones, “On the Road Again” Jack Kerouac. Foto: Zuma Press. A literatura também é uma comédia de mal-entendidos. Autores que confeccionam uma obra com a noção de um leitor ideal, que passa a vida sem vislumbrar encarnações desse modelo; e autores que conquistam notoriedade entre um público tão estrangeiro que não entende nem percebe os valores de sua obra e, ao contrário, os perverte. Jack Kerouac é um exemplo trágico de ambos os casos. Primeiro sofreu o calvário editorial: seus manuscritos foram rejeitados ou sua publicação foi condicionada à submissão a esse tipo de terno e gravata burocrático que é a correção obrigatória que mina todo ímpeto original, toda insolência de estilo e pontuação e sintaxe uniformes. E quando, após quase uma década de frustração, uma editora aceitou suas condições, On the road só mereceu incompreensão e mal-entendidos. Primeiro, do estrato intelectual, que, ala...

Literatura através das águas: uma análise crítica da obra O som do rugido da onça

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Por Lucas Pinheiro Micheliny Verunschk. Foto: Renato Parada Desde suas características técnicas até sua incrível escolha estilística, Micheliny Verunschk, graduada em História pela AESA-PE, Mestre em Literatura e Crítica Literária e Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, guia-nos entre a história de dois jovens indígenas brasileiros raptados por Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptist von Spix no começo do século XIX.  São inúmeras as similaridades da obra de Micheliny em relação aos romances do século XX, especialmente sua relação próxima a Guimarães Rosa, já que há em ambos uma mistura de hábitos populares a uma narração erudita, fatores que oferecem ao leitor uma perspectiva de caráter antropológico justaposta ao que é fruto das escolhas cintilantes e nada superficiais que só existem enquanto mediadas pela imaginação febril e lírica dos escritores.  Todavia, ainda permeada de enormes singularidades, a obra traz uma trama por vezes bem interligada, de es...