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Onde a palavra erra: leitura do “Livro de erros”, de Maria Lúcia Dal Farra

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Por Eliane Santa Brígida Maria Lúcia Dal Farra. Foto: Portal da UFS “A marca suja da vida”¹, não o arrumado, o produzido, filtrado, o milimetricamente, racionalmente editado, manipulado, mas o que escapa. E escapa porque é potente em si e está alheio ao controle, é vivo, extrapola. E por escapar ao pretenso controle o chamamos erro, não reconhecendo que essa força, que resiste aos nossos cálculos, é a própria vida pulsando para além do humano, e dando a este a sua medida, confrontando-o com sua falência, e convocando-lhe a um novo pensar; renovando, no próprio humano, a sua capacidade inventiva, sua potência vital. O erro é motor de mudança, é potencial inventivo, convoca a uma nova perspectiva, nos impulsiona, quando nos tira do lugar confortável — como a poesia de Maria Lúcia Dal Farra².  A poetisa inicia seu Livro de erros  erigindo um pórtico, onde se coloca avisando aos seus leitores: o que o espera do outro lado é essa poesia maldita, desinquietante, que cai sobre o...