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Além de Haruki Murakami. Onze romances da literatura japonesa que você precisa conhecer

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"Dois amantes lendo uma carta", de Eisen Ikeda Em 2019 Haruki Murakami completou 70 anos; o aniversário coincide com a publicação no Brasil de O assassinato do comendador . Cada novo romance do escritor japonês é um acontecimento e seu nome se repete, todo ano, como favorito ao Prêmio Nobel de Literatura. É claro que não é uma figura integralmente amada por todos; há os que a odeiam. Mas, assume-se como um escritor sem meios gostos. E é verdade que a presença do escritor tem contribuído para eclipsar muitos outros escritores japoneses. Por isso, esta lista com um conjunto de obras imprescindíveis escritas por colegas e compatriotas de Murakami. Se o autor de Norwegian Wood sonha todo ano com o Nobel, o primeiro autor de seu país a alcançar o galardão da Academia Sueca foi Yasunari Kawabata, autor de obras como O país das neves , em 1968. Um discípulo de Kawabata ficou às portas do grande prêmio universal das letras – Yukio Mishima. Não alcançou a benção dos aca...

Molière, o desapiedado satírico sempre atual

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Por Alberto López Molière nunca sai de moda. Suas obras cômicas são mais interpretadas que as de qualquer dramaturgo atual porque soube estabelecer meio caminho entre a denúncia e a sátira, a ridicularização e a correção dos costumes exagerados da França de meados do século XVII. Não em vão, o autor francês passou para a história como um dos escritores mais universais e traduzido para todas as línguas. Ele próprio se encarregou de protagonizar muitas de suas obras e, fazendo seu o lema dos teatros italianos ambulantes que percorriam a França em princípios do século, conseguiu “corrigir os costumes rindo” à base de crítica e situações absurdas entre suas personagens, embora não sem atravessar misérias e desencantos ao longo de sua vida. Nasceu numa família sem recursos mas bem relacionada com a realeza pelo trabalho do pai como tapeceiro, mas desde pequeno, e por influência de seus tios, o teatro lhe chamou a atenção ao ponto de se dedicar a ele por inte...

Sándor Márai, o último senhor da Europa

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Por Francisco Goñi Hungria, 1918. Um jovem espera ansioso que se imprima seu primeiro livro de poemas. Encontra-se por detrás das máquinas de impressão. Neste lugar se produz também um dos jornais diários da cidade de Kaschau e falta nesse momento uma nota principal e o redator não acompanha o trabalho de impressão. Então se convida o rapaz para que escreva de maneira rápida um texto. Assim começou a paixão literária de Sándor Márai. Em Kaschau, cidade multicultural e poliglota da Alta Hungria, hoje parte da Eslováquia, nasceu, em 1900, Sándor Márai. De uma família tradicional foi educado sob o espírito dos ideais burgueses do século XIX. Sua cidade natal sempre significou um orgulho, já que por mediação alemã, foi uma das mais importantes da cultura burguesa e do urbanismo da Hungria. No romance Kassai örjárat (Patrulha a Kaschau, em tradução livre) comenta: “As épocas heroicas da burguesia criaram na Europa essa obra de arte que chamamos cultura ocidental”. Sándor...

Boletim Letras 360º #312

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Estas foram as notícias que circularam durante a semana no Facebook do Letras. Nossa página nesta rede social alcança agora 73 mil pessoas, um universo que se duplicado daria uma constelação. E só podemos agradecer o interesse por nosso trabalho, este é o único retorno concreto que temos para uma atividade que é pura dedicação espiritual.   O terceiro livro de Roberto Bolaño e o que primeiro chamou atenção da crítica ganha edição no Brasil. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Foto: Daniel Mordzinski Segunda-feira, 04/02 >>> Brasil: A poesia de Álvaro de Campos por Teresa Rita Lopes Álvaro de Campos não é apenas um heterônimo de Pessoa como Alberto Caeiro e Ricardo Reis – os três únicos que receberam esse estatuto. Além de ter tido, como os outros, uma vida e um estilo próprios, e, por isso, uma inteira independência face ao seu criador, Campos saltava do palco da ficção em que fora idealizado para o rés-do-chão da realidade e int...

Rapnik: "ou eu ganhava as batalhas ou não andava mais"

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Por Wagner Silva Gomes Jean-Michel Basquiat Considero aqui poesia periférica como toda aquela que os poetas do gueto vêm produzindo em termos de prosa e verso desde 1970, tendo como referência discursiva o movimento Hip-Hop, que surgiu nos guetos norte-americanos e se espalhou pelo mundo. Partindo deste recorte, tem-se a droga primeiramente algo comum, já que o seu consumo era usual como recurso anestesiante para os males do trabalho, para os males da guerra (Vietnã de 1955 a 1975), usada também para se ter uma percepção sonhadora ao ver a realidade, pois com a opressão, a falta de recursos, pouco é permitido sonhar no gueto. Além de muitos imigrantes jamaicanos, alguns deles responsáveis pelo surgimento do movimento (Kool Herc, Afrika Bambaataa) virem de uma cultura onde a maconha tem um uso religioso de encontro com Jah.  A paranoia que se segue ao escrever ou ler é também comparável ao uso de droga, já que se persegue uma ideia, a de que aquele mundo d...