Percorrendo outras paragens da nação pelo Rio Negro em Um rio sem fim, de Verenilde S. Pereira
Por Douglas Sacramento Verenilde S. Pereira. Foto: Gabriela Biló. I Quando o literário serve de insumo para corroborar ou rasurar determinados discursos dados como verdades universais ganha estatuto de documento de uma memória coletiva, seja de grupos sociais e étnicos, seja do próprio país em que o escritor está inserido. Atento a esse movimento, o teórico indiano Homi K. Bhabha, em O local da cultura , discorre que o discurso de nação sempre emprega em seus atos cívicos e na história oficial a ideia de que “somos todos um”, produzindo um sentimento de pertença coletivo. Contudo, um país de modo unívoco é uma falácia, pois aqueles que ocupam as margens sociais experimentam a nação de modo outro. É nesse contexto que Bhabha propõe o conceito de contranarrativa . Para o teórico, essas são narrativas de rasura, que confrontam o discurso totalizante da nação; ao colocar a ideia de nação num campo de disputas, produzem “deslocamento contínuo da ansiedade do espaço moderno irremediave...