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O sertão da memória em Depois do trovão

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Por Vinicius de Silva e Souza Micheliny Verunschk. Foto: Renato Parada. Depois de construir uma das obras mais consistentes na literatura brasileira contemporânea com os romances O som do rugido da onça e Caminhando com os mortos , Micheliny Verunschk retorna ao Brasil colonial para iluminar um episódio pouco conhecido — a chamada Guerra dos Bárbaros — e investigar a violência constitutiva da formação nacional. O resultado é um romance de extraordinária densidade estética e histórica, que reafirma o lugar de destaque da autora.  O ponto de partida e de chegada da narrativa de Depois do trovão é Auati. Filho de uma mulher indígena e de um frei jesuíta, é levado ainda jovem para integrar expedições militares financiadas pela Coroa portuguesa. Ao longo da narrativa, torna-se Joaquim Sertão, personagem cuja própria identidade condensa as ambiguidades da colonização: indígena e colonizador, vítima e agente da violência, memória viva de um mundo que desaparece enquanto participa de sua...