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Mostrando postagens de julho 13, 2026

Diante da manta do soldado, de Lídia Jorge

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Por Gabriella Kelmer Lídia Jorge. Foto: Ana Baião Nas primeiras páginas de Diante da manta do soldado , romance de Lídia Jorge republicado pela Autêntica Contemporânea no ano que passou, os passos dos moradores da família Dias, na altura ainda desconhecida, rumorejam casa afora, “caminhando sem cessar desde a madrugada” (Jorge, 2025, p. 7). São leves, pesados, hesitantes esses passos, e a variabilidade, a característica e a errância de cada um apontam para elementos do enredo ainda encobertos. Cada andar demarca, nesse primeiro ato, a dimensão, o espaço e a essência das presenças que flagra, manifestando o mistério e a fratura que dividem a casa de Valmares. Estou convencida de que apenas esse fragmento da obra é argumento suficiente para recomendar sua leitura. Em dois parágrafos, está presentificada, para o leitor, a humanidade dos seres ficcionais, assim como a imperfeição e a inefabilidade de quem são. A presença orgânica das personagens e as marcas que relembram sua existência pri...