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Big Brother Brasil

Por Pedro Fernandes


Anda pelas caixas de e-mails, pelo menos na minha chegou, um cordel produzido (pelo menos assim está atribuída a autoria) por Antonio Barreto acerca do programa Big Brother Brasil. Bem, houve uma edição do programa, a primeira, que consegui acompanhar de cabo a rabo; da segunda em diante criei uma aversão ao programa; agora na décima edição, revejo alguns pontos dessa minha aversão que em muitos se assemelham ao grito de Antonio Barreto.

Não quero defender o programa. Ele é nocivo, disso não tenho dúvidas. Mas também não tenho dúvidas de que o tal zoológico humano que o cordelista fala ("um zoológico humano / Onde impera a esperteza/ A malandragem, a baixeza:/ Um cenário sub-humano") é o retrato cada vez mais fiel a que estamos reduzidos: tirando toda mutreta que rola entre participantes e diretor do programa a fim de fabricar situações para audiência, o Big Brother é o que somos, a malandragem, a baixeza, a esperteza.

Não que sejamos somente isso; nem estou tão descontente com a figura humana a ponto de total descrédito nela, mas é que, bater de frente com uma realidade que é cada vez mais bestial, fincada no nonsense como essa em que vivemos me parece tarefa fadada ao fracasso. Cedo demais para entregar meus pontos e não crer que demos um salto para coisa melhor? Também não. Parece que se formos olhar de perto, a nossa história é feita mais de erros que de acertos; e mesmo depois de descobrirmos a possibilidade de superar determinadas questões, ousamos em repetir, da mesma maneira, os erros ao invés de perdurar com os acertos. Isso é ad eternum.

Também não estou com isso, repito, escrevendo um discurso de defesa, mas creio que, antes de bater de frente com isso, o caminho é sempre o de nos perguntar (por mais que a resposta pareça óbvia) o que nos levou a isso. Programas como Big Brother, entre outros besteiróis oferecidos de bandeja a nós, devem ser tomados como matéria de investigação de nossas condições; bater de frente parece querer esconder o lixo para debaixo do tapete, criar um outro mundo de fantasia de que isso é errado e, portanto, deve ser evitado a todo custo. No fundo aqueles que assim resistem não deixam de dar sua espiadinha, ainda que num zapping mais longo que o normal pela TV. 

Ligações a esta post:
Uma das primeiras falas minhas acerca do tema, pode ser lida aqui.
Depois, motivado pelo tema, voltei a ele em outro texto, aqui.

Comentários

Pedra do Sertão disse…
Passando para conhecer o blog. Bem comentado...Há um filme que gosto de trabalhar com meus alunos que aborda da temática dos "zoológicos humanos" e que faz relação com o que vc diz: Man to Man (2005), no Brasil o filme leva o título de "Elo Perdido". Muito bom mesmo! abraço

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