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Carlos Emílio Corrêa Lima, pedaços da história mais longe

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Por Pedro Fernandes   O ego de todo escritor sempre se acomoda penosamente no seu corpo e não importa qual sua estatura. Alguns poucos disfarçam isso na modéstia outros estendem-no para o domínio do gênio, outra matéria indissociável de um grupo de criadores em contínua extinção (ou sempre foram raros?). Ora, quem conheceu alguma vez Carlos Emílio Corrêa Lima encontrou nele esses elementos que oferecem apenas duas possibilidades de convívio: a sedução ou o distanciamento. Para os tempos que correm, é mais comum a iniciativa segunda, mesmo porque, é esta uma era de falsos escritores e de gente falsa, se pensarmos no esforço de muitos em figurar na calçada da fama ou desses ou outro tanto que se magoa com um dedo de sinceridade a mais levantado pela crítica, para citar dois fenômenos dos recorrentes na nossa confraria.   Sempre se diz que os escritores do nosso tempo estão mais livres porque não submetidos ao estatuto dos agrupamentos, o que não é verdade. Os medíocres, por exem...

Maria do Monte: o romance inédito de Jorge Amado, de Carlos Emílio Corrêa Lima

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Por Pedro Fernandes Escrever é multiplicar o sentido das coisas. Desestabilizar fronteiras: fazer o real aparente e o aparente real enquanto o mundo manifestado pela linguagem não é mais nem real nem aparente mas outro mundo, o reino da palavra. Esse é o sentido primordial da poética; a premissa não subvertida da mimesis aristotélica. O criador de formas tem entre o mundo por ele habitado e o mundo sempre selvagem da imaginação seu lugar de périplo. E, mede-se sempre o valor de sua criação pela maneira ciente com que desconstrói aquilo que foi condicionado como algo estabelecido e única forma de ser. É evidente que essas considerações não se referem à maior parte das criações literárias, sobretudo, as designadas como prosa. A necessidade da verdade do narrado impôs ao romancista, por exemplo, um afastamento do tom às vezes fantasioso ou fantástico, para uma aproximação com a realidade vivida de maneira que o romance terá se convertido quase na sua fotografia, por ve...