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William Faulkner e o cinema

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Para William Faulkner a visão sobre o mundo do cinema foi dolorosa, chata e, finalmente, acabou cansada. Ele até tentou usar o cinema como uma forma de ganhar seu sustento (afinal no começo nunca logrou muitos louros como escritor), mas a sétima arte quase o devorou entre os anos 1930 e 1940. E desde então, sempre lutou contra sua maquinaria. É lendária a história sobre o encontro do escritor com um executivo da 20th Century Fox. O escritor passeava pelos arredores do escritório dos diretores no campus central quando o executivo se cruzou em seu caminho e lhe perguntou o que fazia. Nada. Não tens ideias? “Sim”, respondeu o escritor, “mas as escreveria melhor em mina casa que num escritório de direção”. O executivo contentou-se com a resposta e o permitiu ir... sem suspeitar que Faulkner não se referia à sua casa em Hollywood, mas ao seu lugar em Oxford, Mississípi. Outra anedota que contam é a do encontro entre o escritor e o ator Clark Gable, indiscutivelmente o galã da...

Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago

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Está aí o título de meu primeiro livro já anunciado noutras ocasiões. Há outros inéditos, esperando a boa vontade dos editores. Por enquanto é este. O que teve a sorte de ser escolhido por uma equipe editorial competente que, aos trancos e barrancos (por culpa minha, é claro, que tenho mania de perfeições) conduziu as coisas tudo nos conformes. O livro está em pré-venda. Quem adquiri-lo levará para casa o produto sem o frete, apenas pelo seu valor de comercialização. O que o leitor terá em mãos é o resultado de meu trabalho de dissertação de mestrado. Sempre tive decidido, desde que me pus a elaborar o texto que este seria transformado em livro. Por uma razão: tanto esforço e tempo de pesquisa não servem para ser engavetado ou posto numa estante de uma biblioteca setorial para consulta aleatória. Não. Se mofar e tomar poeira será nas estantes das livrarias, dos sebos, das estantes dos que levarem o resultado do esforço e tempo para casa. É resultado de minha dissert...

Os 100 anos de Nelson Rodrigues

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Fecha-se hoje o primeiro centenário de Nelson Rodrigues. Autor de uma leitura das mais coerentes do Brasil contemporâneo, também foi ele, segundo a professora Bárbara Heliodora, uma das maiores autoridades no país na do dramaturgo inglês William Shakespeare, o inventor do teatro moderno brasileiro. Nelson foi ao centro nervoso da nação, descreveu como ninguém a família brasileira e soube ver todos os colapsos não como uma patologia, mas como uma macabra necessidade humana ou ainda como aquilo que nos define enquanto humanos.  Pela passagem da data recuperamos aqui dois vídeos que melhor dizem de Nelson. O primeiro, que está dividido em três partes, é a clássica entrevista concedida a Otto Lara Resende para a TV Globo em 1977. Embora seja uma das entrevistas mais citadas nas conversas de blog, é justo recuperá-la por duas razões: antes, Otto é um gentleman  das perguntas. Não se perde nas deambulações dos entrevistadores de hoje que querem mais chamar atenção com seus ques...

Goethe e a psicologia das cores

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prisma de cores desenhado por Goethe. “Colour itself is a degree of darkness”, setença de Goethe, que traduzida diz mais ou menos “A cor em si é um grau de escuridão” Todos talvez não tenham reparado, mas a cor é uma parte essencial de como sentimos o mundo tanto biologicamente quanto culturalmente. Já imaginaram ver o mundo totalmente sem ela? Um dos primeiros pesquisadores que levaram adiante a ideia de formular uma teoria da cor vem, e isso quase ninguém sabe, pela cabeça de um poeta alemão, que chegou ainda a figurar no espaço da política, Johann Wolfgang Von Goethe. Isso mesmo.  O autor do Fausto , em 1810 publicou um tratado sobre a natureza, função e psicologia das cores. Sob o título de A teoria das cores , o trabalho foi rejeitado por grande parte da comunidade científica; não para outra parte de filósofos e físicos, como Schopenhauer, Gödel e Wittgenstein. O tratado, que terá levado, trinta anos para ser elaborado tinha por ponto central ...

Um evento feliz, de Rémi Benzançon

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Por Pedro Fernandes “Ele me estimulou, me fez ultrapassar meus limites, me confrontou ao absoluto: do amor, do sacrifício, da ternura, do abandono. Ela me deslocou, me transformou. Por que ninguém me disse nada? Por que não se fala nisso?” A fala é da personagem principal de Um evento feliz , uma aproximação masculina porque o filme é dirigido por um homem de um evento eminentemente feminino: a maternidade. Não que o homem esteja ausente da experiência. Pelo menos no filme não, ele está muito presente. Mas que, disso já sabíamos, ter um filho é um dos fenômenos naturais mais completos e complexos. Ainda mais quando se incorporam às transformações corporais da mulher um lastro de outras questões, externas, mas que contribuem para aquela ideia de independência tão almejada, nos dias de hoje, por todos. Além de acompanhar de perto a chegada de Léa num casal principiante no mundo da maternidade, Rémi Benzançon quer pensar os novos parâmetros para esse lugar chamado fam...

A arte de ilustrar Jorge Amado (Parte II)

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Quem disse que só se fala de um escritor em datas importantes? Se assim acontece com alguns, bem, há alguma coisa errada. Fala-se sempre. E, hoje, já uma semana depois do centenário do brasileiro Jorge Amado, certamente o fato literário mais comentado dentro e fora do país, vamos finalizar a mostra com ilustrações e ilustradores da sua obra. Na primeira parte dispomos 11 nomes ( aqui ), agora vamos conhecer outro tanto dando ênfase a duas frentes de trabalhos: os feitos por artistas plásticos de renome, como Carybé e Floriano Teixeira, os que aliás, mais ilustraram trabalhos de Jorge Amado, e os nomes contemporâneos que foram para o texto amadiano e ilustraram para as edições recentes. 1. Carybé: ilustrou obras como Jubiabá , O compadre Ogum , O sumiço da Santa , O gato malhado e a andorinha Sinhá  e A morte e a morte de Quincas Berro d'água . Carybé. Ilustração para Jubiabá Carybé. Ilustração para O gato malhado e andorinha sinhá 2. Clóvis Graciano: ilustrou...