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Boletim Letras 360º #121

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Findamos mais uma semana. E temos o privilégio de dizer que já enviamos mais dois livros aos nossos leitores; desta vez, dois exemplares da nova edição preparada pela Alfaguara Brasil para a Antologia poética  de Mário Quintana. E, deixamos dois convites aos leitores: (1) pense na pessoa amada, inspire-se e escreva a uma mensagem nos comentários de uma postagem que estará no topo do nosso mural no Facebook até domingo (dia 14/06) - a mensagem que tiver mais curtidas levará um Kit com livros. (2) ainda está aberto o desafio, 1000 seguidores no Twitter , uma edição de Alice no país das maravilhas  (Cosac Naify). Tá difícil, mas... Moacyr Scliar. Manuscritos e datiloscritos do escritor estão on-line. Mais informações ao longo deste boletim. Segunda-feira, 08/06 >>> Brasil: Reedição da obra poética de Max Martins Para grande parte dos brasileiros é um desconhecido; mas é, na literatura brasileira, um dos nomes fundamentais. De Belém, chega-nos a notí...

O pensamento político de Fernando Pessoa

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Fernando Pessoa. “Fernando Pessoa (1888-1935) não era fascista. Nem admirador de Mussolini, Salazar, Hitler, sequer de Primo Rivera, líderes de regimes autoritários com os quais teve de conviver um dos maiores escritores do século XX e, sem dúvida, o mais enigmático”, assim apresenta Francisco Javier Martín Barrio sobre a edição recém-publicada pela Editora Tinta-da-China Fernando Pessoa, sobre o fascismo, a ditadura militar e Salazar , de José Barreto.  Barreto é sociólogo e historiador e tem se dedicado desde a última década a rastrear e descobrir os escritos políticos de Pessoa ou aqueles que tenha certo traço que possa ser enquadrado nesse rol. É um extenso quebra-cabeças. Nunca é fácil lidar com uma obra levada ao auge do inacabado como a do escritor português. E, como se não bastasse, ele ainda multiplicou-se em tantos e com opinião muito diversa.  Mas, parte da extensa dedicação de Barreto já está registrada. A edição trazida pela editora portuguesa integr...

Confesso minha afinidade com Alice Munro

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Por Emma Rodriguez “A mesma palavra prazer, havia mudado para mim; costumava pensar nela como uma palavra suave que descrevia uma autoindulgência mais discreta; de repente parecia explosiva, com as três letras da primeira sílaba soltando pressão como fogos de artifícios e terminando na delicadeza da última sílaba, seu ronronar sonhador”. Assim escreve Alice Munro em Lives of girls and women (em tradução livre  A vida das mulheres ) e leio, releio, sublinho a frase, penso e confesso que, se alguma vez decidisse escrever, gostaria de me parecer com a escritora canadense. Gosto de seu estilo reflexivo, a conjunção entre a descrição do que se passa por fora e o que está acontecendo dentro das personagens, o paralelismo entre os vales e abismos das geografias descritas e os sobe e desce das emoções, dos estados da alma. Confesso que minha atenção sobre a literatura de Alice Munro começou muito recentemente, também só a conheci há pouco tempo, mas há dois verões que n...

Primavera de cão, de Patrick Modiano

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Por Gilberto Tavares Depois de ter ganhado o Prêmio Nobel de Literatura em 2014, a obra de Patrick Modiano tem recebido atenção no Brasil. E nem devia. A obra do francês é naturalmente singular que dispensaria a honraria para chegar por aqui uma merecida tradução. A Editora Rocco reeditou a Trilogia da Ocupação composta de Dora Bruder , Ronda da noite e Uma rua de Roma e a Editora Record trouxe-nos a trilogia composta de Flores da ruína , Remissão da pena e Primavera de cão . A expectativa que fica para os novos leitores conquistados pelo escritor francês é que essa atenção se perpetue.  A obra de Modiano é um tanto vasta e por esta pequena amostra é certo que uma obra fascinante. O universo poético do escritor abdica das formas literárias eminentemente prontas e tem tour de force muito próprios, sobretudo, quanto ao tratamento dado à relação literatura e memória, literatura e história e na forma de construção do romance de natureza mais subjetivista . O nos qu...

A vida, a arte e a literatura através de Clarice Lispector

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Por Neiva Dutra Clarice Lispector passou por este mundo entre 1925 e 1977, vivendo uma época de muitas mudanças para a América Latina e para o mundo. Viveu a época do Manifesto do Surrealismo de 1924, a Depressão dos anos 1930, da Guerra Civil Espanhola e do assassinato de Federico García Lorca, da Segunda Guerra Mundial, da bomba atômica, o tempo de Che Guevara, a explosão dos Beatles e dos Rolling Stones, de Gabriel García Márquez, do Prêmio Nobel de Literatura para Pablo Neruda etc. Clarice representa a escritora que, pela primeira vez na literatura brasileira, separou o sujeito em uma perspectiva feminina. Suas personagens são majoritariamente mulheres, surgem em mundos que as distinguem por sua habilidade de analisar e de observar.  Seu conhecimento filosófico conforma as personagens, que expressam, através do fluxo de consciência, preocupações concernentes ao universo feminino ou como a mulher observa o mundo e que demarcam a diferença sutil entre o que é ...

Morreste-me, de José Luís Peixoto

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Por Pedro Fernandes Todos carregamos desde a expulsão do homem do paraíso a dor do luto. Ao compreender esse gesto do mito fundacional da colônia humana como uma perda da eternidade e a necessidade de convivência com o fim, a queda da criatura perante o Criador é situação da qual nunca nos recuperamos. Até hoje o que fizemos tem sido desprezar o fim e viver com se a vida fosse uma eternidade; a consciência da finitude só se abre quando atravessamos a possibilidade da morte ou quando nos aproximamos da velhice. Mas, a vida, fora dessas condições é, desde sempre, não mais que um estranho amontoado de perdas. E as perdas não se findam a deixarmos de viver ou à morte dos entes queridos; também perdemos coisas pelas quais guardamos afetividades e cujo vazio deixado é capaz de nos produzir sismos tão fortes quanto a dor do luto. Mas, é bem provável que, a perda das coisas seja tragada pelo esquecimento, enquanto a dor da perda de uma figura muito querida torne-se uma marca i...