Postagens

Boletim Letras 360º #122

Imagem
Fechamos mais uma semana de blogagem . Por aqui, textos indispensáveis; em nossas redes sociais novidades e postagens incríveis e igualmente indispensáveis. Parte das postagens que circulam em nosso Facebook estão neste boletim: é uma cópia das informações que fizeram o blog na rede mais badalada da web . Perdeu alguma coisa? Chegue para cá, então! Agora, antes de lembrar o que foi notícia, vamos lembrar outro evento virtual: a campanha #LembrarSaramago. Nos 5 anos da morte do escritor português, o blog mais saramaguiano da web  brasileiro copiou todas as entradas sobre a obra ou sobre José Saramago já feitas aqui - isso no Twitter. Pode rever tudo através dessa hastag sugestiva e você também pode partilhar outros conteúdos, frases, qualquer coisa relacionada a obra desse incrível escritor. Tá certo? #LembrarSaramago Não esqueçam! Ah,e só uma curiosidade: ao copiar as postagens daqui para o nosso Twitter @Letrasinverso <<< sigam! descobrimos, veja, um manancial! Mai...

Camila e o sagrado profano da literatura

Imagem
Por Rafael Kafka Assim como os romances de Clarice Lispector, Nome Próprio , filme de Murilo Salles, debruça-se em uma narrativa que discorre sobre a linguagem literária e suas implicâncias ontológicas. O próprio modo como a história é narrada, começando em uma cena de briga repentinamente mostrada, remete à autora de Paixão Segundo GH . Assim como as heroínas lispectorianas, Camila, a protagonista desse belo filme nacional, debruça-se sobre o escrever de corpo e alma, entregando-se à escrita enquanto reflete sobre o seu fazer poético e na busca por si mesma que se mostra em cada ato de escrita. Blogueira e aspirante à escritora de um livro, Camila escreve sobre suas experiências, em especial as amorosas e sexuais, procurando a cada momento entender-se enquanto ser. Nada se sabe sobre seu passado histórico, mas podemos perceber que a personagem é cheia de conflitos amorosos causados por uma impetuosa e imprudente, o que a leva a transar na praia após um quase afogamento ...

José Saramago e a necessidade de termos olhos quando outros já os perderam

Imagem
Por Pedro Fernandes Toda a obra de José Saramago é um apelo à visão. Somos um sistema construído pela combinação de cinco sentidos, mas desses que nos definem, ver talvez seja o mais importante de todos. Da leitura que fiz de um texto de Alfredo Bosi, espicaçada no meio de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (Appris, 2012), disse enquanto comentava sob o enigma do olhar numa das personagens mais enigmáticas, certamente, da literatura saramaguiana, Blimunda (de Memorial do convento ), que o olhar tem a vantagem da mobilidade. É fronteira aberta entre o sujeito e o mundo, pode perscrutar todos os ambientes e movimentações que estiver ao seu alcance. Pelo olhar é que se distingue, conhece, reconhece, é que se estabelece a explicação do mundo objetivamente. Enquanto expressão cognitiva é definidor dos tons da subjetividade: ri ou chora, cala ou denuncia, admira ou reprova, ama ou detesta. Base de uma plenitude da existência, sem a visão, d...

Esopo e La Fontaine na atemporalidade que aniquila a obviedade da aparência

Imagem
  Por Maria Vaz Esopo - Fábulas completas  (Cosac Naify). A obra reúne 383 fábulas, das quais, 26 inéditas em língua portuguesa. Na história da literatura – que mais não é do que um passado concreto dado à estampa –, encontramos escritores capazes de tocar significâncias complexas com os textos mais simples: uma simplicidade capaz de passar de boca e boca e atingir um público-alvo alargadíssimo. Pois é, existem autores que, sem adornos, nos conquistam pela simplicidade com que nos transmitem uma mensagem profunda. Este texto versa sobre o poder das fábulas que, tristemente, caíram em desuso. Afinal de contas, longe vão os tempos em que os pais tinham tempo de ler pequenas histórias às crianças, que esperavam por aquele momento como apogeu dos seus dias. A verdade é que a pós-modernidade encontra-se submergida numa dilacerada aceleração do tempo: em que tudo é para ontem; em que há sempre mais a fazer; em que se nos pede para ser mais e melhor, numa espécie de...

A cristalização do universo de Joyce: “Stephen herói” e “Os mortos”

Imagem
Por Alfredo Monte 1 Durante a primeira década do século XX, quando tinha vinte e poucos anos, James Joyce produziu os contos que, publicados somente em 1914, formam a coletânea  Dublinenses ; por essa mesma época também se dedicava a um imenso manuscrito,  Stephen herói  [ Stephen hero ], no qual inovava radicalmente uma das linhas mais fortes da ficção europeia, a do “romance de formação”. Ao contrário de Goethe (o ciclo Wilhelm Meister) ou Keller ( O imaturo Henrique ), não se tratava de um autor já vivido meditando e recapitulando o aprendizado de um jovem (geralmente, um artista), e sim do próprio autor em formação relatando esse processo enquanto o vivia. E não através da mera transposição autobiográfica, como é comum (ainda mais em escritores iniciantes), pois a Joyce pouco interessava o anedótico pessoal (pelo menos, nesse período de composição do romance de estreia), planejando que avultasse o lado “épico” da escolha do destino ...

Catálogo maçante das coisas comuns, de José de Paiva Rebouças

Imagem
Por Pedro Fernandes Aos olhos do leitor comum pode ser que um título como Catálogo maçante das coisas comuns não alcance a curiosidade suficiente de instigá-lo a leitura. Mas, é de se perguntar que título faria a atenção imediata do leitor comum. Convergência (Murilo Mendes), A rosa do povo (Carlos Drummond de Andrade), Poemas negros (Jorge de Lima), Coral (Sophia de Mello Breyner Andresen), A duração do deserto (Nina Rizzi), Cidade íntima (Leontino Filho) – para citar pequeno conjunto de bons poetas e de bons títulos que têm em comum a natureza de não produzir movimento que seja na curiosidade do leitor comum sobre a natureza de seu conteúdo.  No meu caso, também de leitor comum, mas daquele que tem o mínimo de curiosidade sobre as coisas comuns, deixo me guiar, diante desses títulos, primeiro pela dificuldade de se dar nome a tudo, depois, abrir-me em indagação sobre o porquê dos nomes, antes do porquê do nomeado. De modo que, se o título não se mostra como ...