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Matadouro 5: um soldado perdido no tempo

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Por Grace Morales Alemanha, fevereiro de 1945. A cidade de Dresden era um gigantesco hospital de guerra, seus edifícios convertidos em refúgio para os feridos da frente oriental. O abaste cimento de comida, cada vez mais escasso. Muitas fábricas já haviam sido destruídas pelas bombas dos aliados. Mas Dresden mantinha uma junção ferroviária que podia prejudicar os interesses soviéticos, cujo exército já se encontrava às portas da Silésia. A inteligência britânica decidiu reabrir a Operação Thunderclap de 44, render pelo ar as resistências do oeste, mas desta vez só as cidades mais importantes. Para acelerar no tempo o fim da guerra, decidiram bombardear Dresden, conhecida como a Florença do Elba pela enorme quantidade de museus e monumentos, uma cidade repleta de beleza. A noite de 13 de fevereiro, os pathfinders britânicos arrasaram Dresden em duas ondas de bombas incendiárias. Deixaram casas e seres vivos consumidos por uma chuva de fogo gigantesca que succionou o oxigênio ...

Avenida Niévski, de Nikolai Gógol

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Por Pedro Fernandes Apesar de só recentemente os estudos literários dedicarem alguma atenção sobre  o espaço enquanto categoria multiforme e portanto plurissignificativa no e para a narrativa literária, esta parece haver galgado a obsessão desde sempre. O conto de Nikolai Gógol é um exemplo disso: data de entre 1832 e 1842. Detalhe: trata-se de uma peça que integra um conjunto textos nos quais o escritor russo escolheu como mote criativo Petersburgo. A cidade era, então, capital do Império Russo, papel que exerceu até 1918, quando as instituições administrativas do governo mudaram para Moscou. Já a avenida que dá título ao texto é a via principal de Petersburgo. Logo, a escolha de Gógol em situá-la como protagonista da narrativa não é gratuita.  À maneira de um cronista seduzido pela importância, magnitude e imponência da avenida Niévski, o narrador, contrariando a crítica que faz à pintura russa, acusando-a de ser destituída de cores vivas e movimento, ...

De Mário Peixoto, é preciso virar a página

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Por Pedro Fernandes Repete-se com muita frequência que a geração com pés fincados no grande pântano das redes sociais tem se revelado portadora de um mal: tem muitos planos, aliás, é extremamente criativa, mas pouco ou quase nada torna-se realidade. E não porque não saiba o caminho das pedras através do qual possa concretizar suas ideias; é que, por alguma razão, tudo se adia um pouco e quando se percebe, a ideia está morta. A acusação tem alguma verdade, mas talvez seja necessário rever que este não é um mal de geração. É possível até que seja, agora, uma recorrência, mas ela independe do atual contexto. E entre o projeto e sua execução há mais elementos envolvidos que a mera inação de nosso tempo. A criatividade é, no geral, coisa que carece e muito de um amplo exercício de autocontrole e canalização das forças para um sentido em específico ou a vida inteira poderá não deixar de ser uma sucessão de devaneios. A bem da verdade, não há mal algum na não-realização de idei...

Marcelo Chiriboga, muito além de uma broma literária

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Se há um escritor do Boom que levou uma vida cheia de incógnitas e teve um fim misterioso é o equatoriano Marcelo Chiriboga. Foi o único equatoriano do Boom e o primeiro a utilizar o humor em sua obra. Seu primeiro romance, La línea imaginaria , é uma voluptuosa obra que exerce uma crítica ácida ao absurdo e a inutilidade do conflito entre Peru e Equador que resultou na guerra de 1941. Tudo isso é broma, claro. Porque Marcelo Chiriboga nunca existiu, ao menos não na vida real, só na ficção. Chiriboga já havia aparecido nos romances dos escritores José Donoso e Carlos Fuentes. Num dos livros do primeiro, Nueve novelas breves  escreve a contracapa da obra, esta aliás, uma recompilação póstuma de textos de seu criador. Num romance de Donoso, ele é o romancista mais aclamado do boom , aquele em que a personagem principal de O jardim do lado quer se parecer. Aquele que quer ser. No seu primeiro romance, os jovens soldados equatorianos se encontram em meio a selva...

Uma entrevista inédita com Liev Tolstói

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Conhecemos Liev Tolstói por seus romances, contos, peças de teatro, artigos filosóficos e de opinião, seus diários e correspondências. Mas existe todavia um gênero insólito que contém sua palavra viva: a conversa, a entrevista e as reportagens jornalísticas que dão conta dos encontros com o gênio de Iásnaia Poliana. O acervo literário tolstoiano tem servido a pesquisas e sido comentado na Rússia como um esmero especial. É incomparável pela plenitude e solidez melhor vistas desde quando foi reunida sua obra completa em noventa tomos que remontam um período criativo de trinta anos (1928-1958). Depois dessa edição e a aparição de tomos especiais com a descoberta de novos materiais, as cartas ou manuscritos de rascunhos do escritor se tornaram cada vez de uma maior raridade. Cada nova linha sua é de grande valor para os especialistas e estudiosos da sua obra. Uma fonte visível para a compreensão dessa obra, a visão do mundo e a vida de Tolstói são os diários e mem...

Boletim Letras 360º #238

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Bom reencontrar você novamente por aqui para inteirar sobre o que se passou durante outra semana de atividades do blog Letras in.verso e re.verso no ambiente do Facebook. Essas notícias foram as últimas publicadas por lá e agora aqui reunidas para o conforto daqueles que não conseguiram acompanhá-las em tempo real ou mesmo porque queiram reencontrar certa novidade partilhada. Boas leituras! António Lobo Antunes, destacado dentro e fora de Portugal: na terra natal, um novo romance; no Brasil, a reedição de um de seus mais importantes títulos. Domingo, 03/09 >>> Estados Unidos: Morreu John Ashbery A informação foi confirmada pelo companheiro do poeta, David Kermani. Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1976 e muitas vezes mencionado como forte candidato ao Nobel, morreu em sua casa em Hudson, Nova York. Nascido em Rochester, Nova York, em 1927, escreveu mais de 20 títulos. Praticou um tipo de poesia vanguardista e experimental, em certa medida controvertida...