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Iris, Iris, a esplêndida rainha do baile

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Por Antonio J. Rodríguez Retrataram-na como uma burguesa que levava uma vida intelectual indiferente. Suas maneiras eram elitizadas e parecia carregar um orgulho disso. Era o tipo de pessoa que defendia que o bom homem vê as coisas de maneira diferente do homem medíocre. Que não tinha vindo ao mundo para ser de muitos amigos, é algo que gostava de deixar claro de imediato. Houve quem a descreveu como uma Vênus depredadora e cruel – embora como sempre acontece, também não são escassos testemunhos previsivelmente mais amáveis. No verão de 1990, Jeffrey Meyers publicou na Paris Review uma entrevista que revelava a temível Iris Murdoch (1919-1999) em seu esplendor. Admitiu que havia sido militante no Partido Comunista e que logo se cansou; soube aí o quão “espantoso” era o marxismo. Esquivou-se da bipolaridade de seu mundo passando por cima das duas grandes ideologias dominantes e assim foi parar no Oriente: “O budismo deixa claro que é possível ter uma reli...

O fluir dos lentos rios de metal: A Queda de Gondolin, de J.R.R. Tolkien

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Por Guilherme Mazzafera A publicação brasileira do mais recente livro de J.R.R. Tolkien, A Queda de Gondolin , é algo a ser celebrado. Lançado aqui em 30 de agosto de 2018, no mesmo dia que as edições inglesa, americana e alemã, trata-se de algo absolutamente inédito em nosso país, fato atestado pelo amplo interesse dos leitores que lotaram os eventos de lançamento em diversas capitais. Em experiência inédita para mim, pude ler a edição brasileira imediatamente após a britânica, o que permite uma melhor fruição da tradução bem como evidencia os efeitos de certas escolhas editoriais De cara, é preciso dizer a versão nacional, altamente convidativa em sua bela capa dura, é única: as folhas de guarda, que não costumam apresentar qualquer tipo de informação, são adornadas com belas representações dos brasões das 12 casas de Gondolin. Além disso, o livro é atravessado, do Sumário às Árvores Genealógicas, por pequenos detalhes em forma de linhas, escudos, flechas, barc...

O mítico filme de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares

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Jorge Luis Borges e Hugo Santiago, o diretor de Invasión Para a criação do enredo de Invasión  (Invasão, tradução livre), Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Hugo Santiago criaram Aquilea, uma cidade imaginária que está prestes a ser invadida por homens de gabardina que introduzem um maquinário para a invasão em massa. O grupo da cidade é o comandado por um ancião e logo se entende que a resistência está pelo fim e é impossível proteger a cidade. O filme remete a uma batalha entre gangues, no ano de 1957, em meio de uma Aquilea urbana que não tenta dissimular nunca que se trata de Buenos Aires. Logo, não é necessário dizer que foi na capital argentina que os três criadores se inspiraram para a composição deste mítico cenário.  Descrito pelo teórico do cinema Ángel Faretta como a obra mais importante do cinema argentino Cult de vanguarda, Invasión foi construído da interface entre o cinema clássico e a nouvelle vague , de estilo f...

Adeus às armas, de Ernest Hemingway

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Por Pedro Belo Clara É claro para todos, inclusive aos leitores menos experimentados nos mais dilectos frutos do universo literário, que trazemos hoje à discussão, traçada à guisa de conselho de leitura, um dos maiores autores de sempre – e com ele uma das suas principais obras. Bem, aceitamos que este último facto poderá não ser conhecido por todos os leitores em iniciação, mas negar os louros a uma das mais proeminentes figuras da afamada “Geração Perdida”, tal como a nomeou Gertrude Stein, ao Pulitzer de 1953 e Nobel no ano seguinte, será acto diante do qual nenhuma mão quererá esboçar um movimento negativo. Não são os prémios que fazem o autor, obviamente, por isso acresce em seu benefício a tremenda popularidade da obra, várias vezes transposta para o cinema (como o trabalho que hoje seleccionámos), e também uma por vezes rara apreciação consensual da crítica competente sobre o lugar de Hemingway entre as estrelas maiores do vasto firmamento da literatura mundial. ...

Boletim Letras 360º #315

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Guimarães Rosa. Segundo título da reedição da obra do escritor nas livrarias a partir da segunda quinzena de março.  Na segunda-feira, 25 fev. ’19, realizamos nova promoção na página do Letras no Facebook : um leitor de Minas Gerais levou um exemplar da nova edição de Grande sertão: veredas , esta que foi disponibilizada no mesmo dia pela Companhia das Letras. E já preparamos mais dois novos sorteios. O leitor fique atento. Neste Boletim, além de copiarmos as novidades que circularam em nossa página no Facebook, encontrará algumas novidades: selecionamos postagens de destaque do blog (entrada que chamamos por lá e, agora aqui, de Baú de Letras); três recomendações de leitura; e materiais de destaque apresentados noutros canais do blog nas redes sociais. Tudo para deixá-lo ainda mais próximo de nós. Segunda-feira, 25 fev. Em 2020 se publica uma fotobiografia do poeta João Cabral de Melo Neto No próximo ano, passam-se 100 anos do nascimento de João Cabral; para a...