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Você não estava aqui, de Ken Loach

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Por Pedro Fernandes Numa sociedade ideal, sempre que nos apresentassem uma comodidade buscaríamos compreender quantas vidas foram / são sacrificadas para tanto. Mas, se isso não é um efeito coletivo, não é coletiva nossa impossibilidade para a condição do cidadão ideal. Por mais retrocessos que experimentemos (esses nunca deixaram de existir) eles não são um desejo majoritário; nossas tentativas, por malsucedidas que sejam, sempre apostam nessa possibilidade de uma sociedade envolvida o suficiente pelo bom funcionamento da coletividade. É verdade que a acusação repete que o apogeu do individualismo nos afastou do ponto de perdermos de vista qualquer utopia e tem cada vez mais nos afastado de uma compreensão sobre nós e sobre o outro. E é também verdade que essas constatações são cômodas porque produtos de certa desobrigação individual em contribuir para outra possibilidade. O filme de Ken Loach é, em parte, a demonstração de que nem todos estão tomados pela epidemia a...

Há lágrimas na natureza das coisas: “Máquinas como eu”, de Ian McEwan

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Por Guilherme Mazzafera “Mas apenas a grande arte exige interpretação deliberada ou exaustiva e, ao mesmo tempo, resiste a ela” (George Steiner, Depois de Babel )                          Em um instigante texto-resposta à animosa crítica do famigerado Edmund Wilson (um grande crítico, aliás) a O Senhor dos Anéis (1954-55), de J.R.R. Tolkien, Douglas Parker cravou uma observação de elegante percuciência: “A Fantasia sofre uma depreciação geral como gênero, como gênero sério, tendo por corolário que tudo de bom que dela emerge é imediatamente recategorizado.” 1 Se tomarmos a liberdade de congregar fantasia e ficção científica sobre um mesmo teto, assumindo a alcunha de “ficção especulativa” – termo possivelmente questionável por sua aparente redundância –, o fenômeno descrito por Parker ganha ares de ubiquidade. Suas palavras se fazem carne, mais uma ...

O teatro do mundo (Parte 1)

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Por Felipe de Moraes ©  Lin Yusi 1. Gioviale & Giovevole O mito nos diz que Minerva nasceu de um parto feito da cabeça de Zeus, após   este ter devorado, durante um jogo muito engenhoso , a sua esposa então grávida, Métis (a Prudência). Atena, ao contrário do que pensou o soberano dos deuses, não fora destruída, mas continuou seu desenvolvimento no crânio do pai; e ao nascer com o auxílio de Hefesto (que fende a cabeça de Zeus com um machado, pois ela doía e crescia à medida que sua filha se desenvolvia), os deuses contemplaram sua forma já adulta ( madura de intelecto) e armada para a guerra. A imagem da razão como cosa mentale , como influxo vindo da mente, atravessa a tradição ocidental e pauta todas as formulações e sistemas de pensamento desde a antiguidade. É na atribuição dada às coisas do mundo, revestidas que são pelo invólucro da linguagem, que a agudeza humana se manifesta não só como particular imanência dos homens, mas sobretudo como dádi...

Boletim Letras 360º #368

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DO EDITOR 1. Na edição 364 deste Boletim, falei que o leitor passaria a encontrar textos de novos colaboradores aqui no Letras in.verso e re.verso. Foi a estreia de dois nomes dos selecionados da última chamada realizada em janeiro de 2020: Maria Louzada e Paula Luersen. Na semana seguinte, essa breve maratona de estreias termina com chegada de outros nomes. 2. A participação no blog, volto a lembrar, é aberta a todo autor que guarde bons textos e queira compartilhar com novos leitores. Para saber como enviar seu trabalho basta visitar aqui; encontrará todas as informações e normas para adequação dos textos. 3. Bom, e uma semana após o Carnaval, parece que enfim voltamos ao ritmo de um movimentado ano. Este Boletim reúne informações disponibilizadas (ou não) na página do Letras no Facebook. Obrigado pela companhia e, boas leituras! A obra de João Cabral de Melo (imagem) é homenageada na edição 20 da revista 7faces .  Foto: Antonio Augusto Fontes. HOMENA...