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Boletim Letras 360º #491

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DO EDITOR   1. Caro leitor, este é o segundo Boletim Letras 360.º do mês de julho de 2022 e 488.º desde quando a publicação foi criada para reunir notícias sobre literatura e com interesse em trabalhos em sintonia com nossa linha editorial. Aproveite as informações, as recomendações e boas leituras.   2. Relembro que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você ganha desconto e ainda ajuda ao Letras sem pagar nada mais por isso . E indo neste endereço , você encontrará outras maneiras de colaborar para que o blog consiga custear suas despesas com domínio e hospedagem online. No final do mês, acontecerá um sorteio entre os apoiadores: alguém ganhará a edição especial do Ensaio sobre a cegueira , de José Saramago, recém-publicado pela parceira Companhia das Letras.   3. Desejo um excelente fim de semana e agradeço o apoio, a companhia neste projeto! Lucia Berlin, Oakland, 1975. Foto: Jeff Berlin   LANÇAMENTOS   Uma reunião de ...

Vassili Grossman na Ucrânia. Ecos de uma guerra interminável

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Por Ariel González   Civis chorando. Se eles estão indo para algum lugar ou parados perto de suas cercas, eles começam a chorar assim que começam a falar, e também se sente um desejo irreprimível de chorar. Tanto coração partido!   Uma casa vazia. A família fugiu no dia anterior, e o dono agora a está abandonando também. O vizinho, um velho, veio se despedir dele: “E o cachorrinho vai ficar?”   “Ele não queria sair daqui.”   A casa continua onde sempre esteve. Tomates verdes crescem no telhado e flores são vistas no jardim.   [...] Pó; branco, amarelo, vermelho. Agitado pelos pés de ovelhas, porcos, cavalos, vacas e as carroças de refugiados, soldados, caminhões, carros, tanques, canhões e rebocadores de artilharia. A poeira enche o ar, rodopiando sobre a Ucrânia. Vassili Grossman em Schwerin, Alemanha, como correspondente do jornal Estrela Vermelha .   Esta cena poderia acontecer hoje, ontem ou qualquer um destes dias em uma das muitas cidades sitiada...

Um ensaio compila os gênios da erudição

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Por Álex Vicente   O que é um polímata? O dicionário define o termo, derivado do grego, como uma pessoa “com grandes conhecimentos em diversas matérias científicas ou humanísticas”. O grande historiador cultural Peter Burke oferece em seu novo ensaio, O polímata (Editora Unesp, 2020), uma descrição muito mais detalhada para entender quais foram os “monstros da erudição” que conseguiram oferecer contribuições simultâneas em diversos campos, de Leonardo da Vinci a Susan Sontag. “Para ser um polímata, é preciso ter um sentido de curiosidade maior que o restante das pessoas e um bom sentido da analogia, a amplitude suficiente de olhar para acreditar que as soluções que alguém encontra numa área do saber servirão para outra”, registra em entrevista o professor emérito de história cultural depois de ter sido professor no prestigiado Emmanuel College por quatro décadas.   A lista feita por Burke em seu livro alcança cinco centenas de nomes, de Comenius a Oliver Sacks, passando por A...

O céu de Suely: o sensível também é possível

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Por Heto Sazá O céu de Suely começa com um sonho, com um delírio, e deixa claro, desde o primeiro plano, o seu caráter intimista. A protagonista Hermila apresenta-se com a seguinte frase: “eu fiquei grávida num domingo de manhã” e em seguida, ao som da balada brega-romântica “Tudo que eu tenho de Diana”, dança em lembrança, feliz e apaixonada, com seu namorado. Até que ela desperta, em um ônibus a caminho de sua cidade natal, Iguatu, no semiárido cearense. Hermila é doce e amável; volta para casa com um filho no colo e com algum brilho na cara, mas depois disso, como o protagonista de Árido movie (Lírio Ferreira, 2006), ela não mais pertence àquele lugar. E que lugar é esse, afinal, que expulsa os seus?   Mesmo diante desse mote, tão sensível aos sertões, o filme não cai na mesmice: Iguatu é uma cidade pacata e não parada; Hermila deixou-a por causa do amor e não por causa da seca. O filme parece, na verdade, mais interessado em desconstruir clichês do que se basear neles. Ter u...

Cadernos de delicada loucura (Parte 1)

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Por Antonio Yelo Le Solitaire . Tennessee Williams, anos 1970 Arquivo: Key West Art & Historical Society   1 O detetive de homicídios Somerset, da polícia de Nova York, entra numa sala. As paredes são ocupadas por estantes que chegam até o teto. Nelas, milhares de cadernos estão empilhados. Somerset pega um. Capa sem designativo. No interior, preenchido totalmente de frases manuscritas, diminutos e rascunhados desenhos e pequenas fotos, aparentemente recortadas da seção de contatos do jornal. Os desenhos, imagens e texto ocupam cada centímetro das páginas. Somerset pega outro caderno e o folheia. Igual ao primeiro, cheio até a borda. Somerset vai até outra prateleira e pega outro caderno. O mesmo. O detetive olha ao redor. Estão na casa do assassino. Seu parceiro, o detetive Mills, entra na sala.   Três assassinatos brutais foram cometidos. Há um fio que une os crimes: são inspirados em três dos sete pecados capitais. Os detetives verificam se os cadernos não contêm datas ...